Portugal Notável

Valor Universal (*****) Muito Notável (***) Notável (*)

23-12-08

E agora o site já existe, estamos a transferir gradualmente conteúdos para  http://www.portugalnotavel.com/

Boa viagem e sejam felizes.

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17-07-08

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Locais Notáveis da Nazaré

Promontório do Sítio da Nazaré (***)

Igreja visigótica de São Gião (MN) (**)

Praia da Nazaré (*)

Serra da Pescaria e Praia do Salgado (**)

Praia do Norte (*)

Monte gábrico de São Bartolomeu/ São Brás/Monte Seano (*)

Panorama da Pederneira (*)

Outros locais com interesse turístico:

Pelourinho da Pederneira/tronco de conífera silificado /menir

Museu Etnográfico e Arqueológico Dr. Joaquim Manso

Várzeas de Valado dos Frades

Duna da Aguieira

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25-03-08

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Locais Notáveis do Concelho de Sintra

Paisagem Cultural de Sintra (Património Mundial da Humanidade -UNESCO) (*****)

Palácio e Parque Nacional da Pena (MN) (****)

Palácio Nacional de Sintra (MN) (***)

Castelo dos Mouros e respectiva paisagem (MN) (**)

Percursos pedestres entre o Castelo de Mouros/Parque da Pena e a Vila de Sintra (**)

Panorama da ermida de Santa Eufémia (IIP) (*)

Museu de Arte Moderna/Antigo Casino de Sintra (*)

Conjunto arquitectónico de Raul Lino (Casa do Penedo, Casa dos Ciprestes (IIP) e Casa Branca nas Azenhas do Mar) (*)

Palácio da Quinta dos Ribafria (na estrada de Lourel) (IIP) (*)

Estrada Nacional 375 até Colares-Penedo (****), que inclui:

Quinta e Palácio da Regaleira (IIP) (***)

Quinta do Relógio (IIP) (*)(em remodelação)

Palácio de Seteais (IIP) (**) (em remodelação)

Quinta da Penha Verde (MN) (**) (Não é visitável)

Parque e Palácio de Monserrate (IIP) (****)

Convento de Santa Cruz da Serra de Sintra ou dos Capuchos (IIP) (***)

Exterior a área classificada pela UNESCO:

Palácio Nacional de Queluz (MN) (***)

Museu Arqueológico e Ruínas São Miguel de Odrinhas (IIP) (**)

Meníres da Barreira-São Miguel de Odrinhas (IIP) (*)

Capela Circular de São Mamede de Janas (IIP) (*)

Quintas de Colares (*)

Panorama do Santuário Peninha ou de São Saturnino (IIP) (***)

Cabo da Roca (**)

Praia da Ursa (*)

Praia Grande (*)

Praia da Adraga (*)

Praia das Maçãs (*)

Azenhas do Mar (*)

Praia da Aguda (*)

Praia de Magoito (*)

Praia de São Julião (*)

Outros Locais com interesse turístico:

Igreja e Convento da Penha Longa (MN)

Lagoa Azul

Museu Anjos Teixeira

Quinta do Saldanha

Museu do Brinquedo

Museu Ferreira de Castro

Quinta dos Pisões

Palácio e Quinta do Ramalhão

Campo de Lápias de Negrais

Barragem Romana de Belas (IIP)

Fonte Romana de Armés

Antas de Belas (MN)

Calçada e ponte romanas e azenhas na Catribana (IIP)

Palácio da Quinta do Marquês/quinta do Senhor da Serra (Belas) (IIP)

Convento de Santa Ana da Ordem do Carmo / Convento do Carmo / Quinta do Carmo (Colares) (IIP)

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22-02-08

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Locais Notáveis do Concelho de Miranda do Corvo

Panorama do Santuário do Senhor da Serra e do vértice geodésico das Chãs (**)

Panorama do Parque Eólico de Vila Nova (**)


Outros Locais com Interesse turístico:

Convento de Nossa Senhora de Semide (IIP)

Aldeia de xisto de Gondramaz (Rede das Aldeias de Xisto)

Santuário da Nossa Senhora de Tábuas

Alto do castelo em Miranda do Corvo

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30-09-07

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Locais Notáveis de Olhão 

Panorama do outeiro de São Miguel/Monte Figo/Monte Zéfiro (***)

Centro Educacional Ambiental da Quinta de Marim (Sede do Parque Natural da Ria Formosa)  (**)

Ilha da Fuseta - Armona  (***)

Panorama da torre sineira da Igreja matriz de Olhão (*)


Outros Locais com Interesse turístico

Igreja Matriz de Moncarrapacho

Retábulo maneirista na igreja da Misericórdia de Moncarrapacho

Museu Paroquial de Moncarrapcho com o presépio napolitano

Arco Cruzeiro da igreja matriz de Quelfes

Antigo mercado municipal de Olhão

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07-09-07

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Painéis de Azulejo da Estação de Caminho de Ferro de Vilar Formoso (Almeida) (*)

A estação do Caminho de Ferro de Vilar Formoso, foi inaugurada em 3 de Agosto de 1882 pela família Real- o  rei D.Luís, a rainha D.Maria Pia e o príncipe D.Carlos, em conjunto com a linha da Beira Alta que, vinda da Pampilhosa, ali desembocava. Deve ter sido um dia muito festivo para os povos raianos, que olhariam o futuro com esperança - afinal de contas, passado 125 anos a Beira Interior não desenvolveu e continua agonizante – “apesar da crueza dos factos, as sonoras locomotivas a vapor, possibilitaram algum progresso comercial a Vilar Formoso - surgiram as pensões, casas de pasto, boticas, depósitos de recolha e despacho de mercadorias. Instalou-se uma alfândega de primeira classe e uma secção fiscal. Instalaram-se funcionários públicos,  pois a fronteira significou burocracia no controlo de passageiros, revisão de bagagens e cobrança de taxas. De repente o anónimo lugarejo acordou como categorizado entreposto comercial e administrativo, vendo perdida a aquietação habitual.

Agora os automóveis passam céleres pelo asfalto da A25, Vilar Formoso é por isso um povoado ferido pelas mudanças ditadas pela União Europeia e pelo acordo de Schengem. Sem fronteira não há despachos, conferências, taxas e coimas a aplicar. Escoou-se a necessidade de pernoitar e alimentar na Vila.

Na sua demanda a Espanha, ou na sua vinda, se tiver algum tempo disponível, visite a estação de caminho de ferro, e deixe-se encantar com a imponência do edifício e os painéis de azulejo embutidos nas paredes (*). É um dos mais belos conjuntos azulejares portugueses do século XX, representam paisagens típicas e alguns dos mais belos monumentos de portugueses (Mosteiro da Batalha, Alcobaça, Sé Velha de Coimbra, Sé da Guarda, igreja da misericórdia de Mangualde, …). Foram executados na fábrica viúva Lamego, Lisboa, em meados do século XX.

São contudo de valor desigual e de autores diferentes. Belíssimos e monumentais, são por exemplo, os painéis dos lavabos, que retratam os banhistas na praia da Figueira da Foz; infelizmente atenuados, por não estarem na zona nobre da estação e à sua frente terem feito a construção de um edifício sem nexo. Alguns azulejos são atribuidos a João Alves de Sá (não sei se são o melhor ou o pior conjunto de azulejos!).

Aqui trabalhou Júlio Resende, em 1958, no início da sua carreira, um dos maiores pintores portugueses - o mesmo que, por exemplo, elaborou a “Ribeira Negra” (1986) (*) no Centro Histórico do Porto (*****)- os seus painéis, entretanto desaparecidos, deveriam ser restaurados, de acordo com o parecer e gosto do mestre, o que tornaria Vilar Formoso mais apelativo.

Estas representações azulejares, pintadas durante o século XX, nesta e noutras dezenas de estações de caminho de ferro do País, associavam-se à apologia propagandística do Estado Novo que pretendia afirmar-se nos arquétipos da identidade e valores nacionais- os painéis davam (dão) aos visitantes noções básicas do que poderá visitar em Portugal e também representavam o labor agrícola do povo. Enfim, são bons anúncios turísticos feitos, em muitos casos, com mestria.

Épocas marcantes em Vilar Formoso são as levas da 2ª Guerra Mundial, quando os comboios se dirigiam para a Espanha ou vinham com refugiados (terão passado por aqui centenas de Judeus salvos por Aristides Sousa Mendes). Já nos anos do último quartel do século XX a vaga migratória nacional tem como referência a estação e o nome de Vilar Formoso como símbolo de um último adeus à terra pátria.

Visite a Estação de caminhos de Ferro de Vilar Formoso e reflicta na beleza que é Portugal - um verdadeiro Éden à espera que os Portugueses elaborem o seu Paraíso terreal.

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02-08-07

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Locais Notáveis do Concelho de Montemor-o-velho

Castelo de Montemor-o-Velho (MN) (***)

Convento da Nossa Senhora dos Anjos (Montemor-o-Velho) (MN) (*), com o túmulo de Diogo de Azambuja (*)

Hospital da Misericórdia de Montemor-o-Velho, com o tríptico quinhentista dos Mestres do Sardoal (IIP) (*)   

Panorama e ecossistema do Outeiro da Quinta de São Gens (*)

Paisagem da Igreja de Nossa Senhora do Ó, em Reveles (*)

Campos do Mondego (*)

Pauis do Mondego (Arzila, Taipal e Madriz) (*)

Paço Real de Tentúgal/Paço do Duques do Cadaval (*)

Outros locais com interesse turístico

Igreja Matriz de Pereira (IIP)

Igreja da Misericórdia de Pereira (IIP)

Capela da Nossa Senhora do Pranto, com a imagem da Senhora e a paisagem

Celeiro dos Duques de Aveiro em Pereira

Centro Histórico de Tentúgal (IIP)

Igreja da Misericórdia de Montemor-o-Velho (IIP)

Praia fluvial de Ereira

Convento de Almiara / Mosteiro de Verride

Panorama da Capela de Verride 

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05-07-07

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Locais Notáveis do Concelho de Oliveira do Hospital

Panorama do Monte Colcorinho (Capela da Nossa Senhora das Necessidades) (***)

Igreja matriz  de São Pedro de Lourosa (MN) (**)

Ruínas romanas da Bobadela (MN) (**)

Capela dos Ferreiros, anexa à Igreja matriz de Oliveira do Hospital (MN) (*)

Santuário da Nossa Senhora das Preces em Aldeia das Dez (*)

Vales dos rios Alva e Alvôco (*)

Vila Histórica de Avô (onde se inclui o panorama das Varandas de Avô) (IIP) (*)

Lagaretas da Sobreda (*)

Estalagem de Santa Bárbara na Póvoa de S. Cosme  (IIP) (*)

Ponte Medieval de Alvôco das Varzeas (IIP) (*)

Palheiras de Fiais da Beira (*)

Anta da Arcaínha (IIP) (Seixo da Beira) (*)

Outros locais com interesse turístico

Igreja de Travanca de Lagos (IIP)

Penedo dos Três Pezinhos

Igreja paroquial de Santo André do Ervedal da Beira

Solar dos Viscondes do Ervedal da Beira (IIP)

Ponte Românica em Vale de Negros (Ervedal da Beira)

Panorama da capela da Nossa Senhora da Boa Viagem no Ervedal da Beira

Castro do Vieiro

Aldeia abandonada do Vieiro

Anta da Cavada (Fiais da Beira)

Casa dos Mouros/Casa do Penedo (VC) (Nogueira do Cravo)

Tileira classificada no Adro da Igreja matriz de Oliveira do Hospital

Parque do Mandanelho em Oliveira do Hospital

Senhor das Almas

Casa Museu Cabral Metelo em Oliveira do Hospital

Pousada do Convento do Desagravo (Vila Pouca da Beira)

Panorama da estrada Ponte das Três Entradas-Aldeia das Dez

Anta do Pinheiro dos Abraços (IIP) (Bobadela)

Igreja Paroquial de São Gião

Anta de Curral dos Mouros (IIP) (Sobreda)

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03-07-07

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Espaço sagrado de  São Pedro de Vir-a-Corça-Monsanto (IIP) (Idanha-à-Nova)-(2ªParte)- (**)

O topónimo do local está relacionado com a lenda da criança salva pelo demónio por Santo Amador, que ali se refugiava do mundo, e que a amamentou com leite de corça quatro vezes ao dia.

Na tradição popular, São Pedro é transformado em eremita. Assim se compreende que uma das mais lindas ermidas, numa das mais lindas paisagens, seja dedicada a São Pedro. Será São Pedro o Santo Amador?

A corça é consagrada a Diana (Artémis grega), a rainha dos bosques, que percorre todos os recantos dos prados, montes e vales. Diana era cultuada em templos rústicos nas florestas, como este, onde os caçadores lhe ofereciam sacrifícios.

Também associo Flidias ao local,  a Deusa celta da Sensualidade e Senhora das Florestas- portanto sua protectora. Um dos símbolos dos seus é a...corça.

Além de sua graça e beleza, a corça simboliza a virgindade e pureza. Flidias tinha também como símbolos, a erva, as árvores e as nascentes, possuía ainda uma vaca (?) mágica cujo leite era capaz de alimentar diariamente centenas de guerreiros durante as guerras celtas.

Vem-me ainda à memória Sertório, que se fazia acompanhar por uma corça branca que lhe segredava instruções militares. Se trocarmos as palavras temos: Corça vira São Pedro, ou seja o culto da Corça vira o culto de São Pedro- mera divagação de Paulo Loução?   

Desculpe-me o leitor mais erudito na minha tentativa vã de estabelecer nexos onde eles provavelmente não existem, mas é para aqui que dá a minha imaginação e quando escrevo não posso deixar de ser eu. 

Se do culto das pedras (loca sacra) já falamos, resta falar do culto da água. Existia no local uma nascente de água termal, a que a tradição atribui propriedades milagrosas, desapareceram (?) com o terramoto de 1755, o que nos leva a pensar em importante fractura geológica activa! Mas paremos de especular que da geologia de Monsanto pouco sei; certo, certo é que por aqui também ocorreu o culto da água medicinal. Tenho que tentar vislumbrar nas rochas (pedras?) resquícios desta mítica e desaparecida fonte e, se tal for possível, indagar as suas características.    

Espaço estranho, é aquela clareira, rodeada por fraguedo granítico, onde se entra por átrio monumental, no centro restos de fogueira, cruzes, ramos de maias entrelaçadas, lembro que São Pedro de Vir-a-Corça é hoje visitado por “druidas” modernos, que vem de todo o mundo, á procura da litoratria e da hidrolatria (ignorada), em comunhão com o recém (!) espaço cristão. Sentado no solo da clareira à espera que por detrás de um penhasco apareça Diana, também me contentava com Flídias.

Este espaço, com os sons da natureza, o verde, Diana, Flídias, o gigantesco caos de blocos, a capela românica, as estranhas tinas, tafonis, e o sombreado do maravilhosos chaparral, convida-nos à introspecção e para os crentes no além, em sentido lato, numa experiência religiosa única.

Termino com a frase de Maria Adelaide Neto Salvado.

Em São Pedro de Vir-a-Corça perdura, dum modo diríamos palpável, o espírito do lugar, o geniu loci, que conferiu a este lugar a particularidade de Santuário, pois aí se respira hoje, muito densamente, esse sentimento do Sagrado.”

PEREIRA, Paulo – Enigmas Lugares Mágicos de Portugal. Templários e Templarismo. Vol V III , Círculo de Leitores, 2005.

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01-07-07

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Espaço sagrado de  São Pedro de Vir-a-Corça-Monsanto (IIP) (Idanha-à-Nova)-(1ª Parte)-(**)

No sopé da encosta escarpada sobre a qual se ergue a Aldeia Histórica de Monsanto (***) encontra-se a Ermida de São Pedro de Vir/Ver-a-Corça, completamente isolada num bosque de sobreiros e rodeada por colossos blocos graníticos dispostos caoticamente -terá aqui o caos uma razão para existir? Fico a aguardar a sua resposta!

Poderíamos incluir o local como fazendo parte do conjunto histórico, “mistérico” e de beleza impar que é o Mons Sanctus - uma das mais belas aldeias europeias. Mas a aldeia está lá em cima, erguida no topo de uma imponente inselberge granítico com 758 metros de altitude, que declina em escarpa abrupta em cerca de 300 m para o lugar que agora visitamos; e eu estou cá em baixo, a olhar embevecido para esta impressionante fortaleza medieval, que daqui, parece uma construção mágica associada aos gigantes dos romances de cavalaria.

O lugar é esplêndido, marcado pela arquitectura rude e singela, mas inesperada, daquela capela românica, pelo bosque sublime e também pelas enormes fragas boleadas que ampliam a monumentalidade do lugar e a fusão entre a natureza e o sagrado.

A igreja, que se constitui desde cedo como local de romaria e de feira, pelo menos desde os finais do século XIII (Dom Dinis concede carta de feira em 1308, consagrando provavelmente um uso existente), foi fundada entre os séculos XII e XIII de veneração associada ao São Pedro. Em 1613 constituir-se-á mesmo uma irmandade de São Pedro. Possui planta rectangular, com três naves definidas por quatro colunas jónicas, duas de cada lado e com abside e absidíolos rectangulares, denunciados volumetricamente pelo exterior.

Na fachada uma  rosácea emoldurada por motivos geométricos com quadrifólio central e 8 arcos trilobados radiais. A norte, encostada a capela, existem sepulturas medievais cavadas na rocha.

A torre sineira defronte, em arco de volta perfeita, sobrepuja-se a grande bola granítica. Ao lado, numa reentrância erosiva, aponta-se o local de uma gruta eremítica. Por cima grandes tanques, que poderão ser lagaretas ou tanques de ablução a deuses pré-históricos.

Alguns destes pios espalham-se pelos afloramentos, alguns isolados outros conjugados, em depressões circulares ou poligonais decimétricas de origem antropormófica, alguns com cruzes gravadas (a posterior sacralização objecto pagão?); outros são claros tafonis, que poderão ter tido utilização.

Podermos estar em presença de algo semelhante ao santuário de Panóias (***)? Ou serão simples tanques (reu)tilizados de apoio à feria medieval?

Quantidades imensas de cerâmica comum, prendem-se aos nossos pés arrastados, prováveis resto de utensílios usados para transporte dos produtos dos feirantes.

Em muitos casos, este geólogo, não destrinça aquilo que foi feito por mão humana daquilo que foi operado pelo alargamento natural de fracturas pela água, o “nosso” grande escultor!

Apetece-me brincar aos ermitas, esconder-me nestes estreitos antros naturais (alguns afeiçoados) como o nosso anacoreta Amador, e ficar aqui para sempre afastados da espuma dos dias de hoje (Continua).

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11-06-07

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Termas da Fonte Santa (*) (Almeida)

Perto de Almeida, na margem direita do selvático rio Côa, numa paisagem de penedia granítica e solos incultos, existe uma nascente de água minero-medicinal de grande qualidade; devido ao seu grande poder curativo e até “milagroso”, no sentir do povo, este designou-a por Fonte Santa.

A emergência já era referida em texto do século XVIII; “usam dela os moradores para sarnas, comichões, pruridos, chagas rebeldes e corrosivas, assim tomando banhos, como lavando com ella as partes exulceradas ou pruiginosas…) e por isto útil para os que padecem de afectos hipocondriacos, flatos melâncolicos e queixas rufriticas”.

Apesar de fracamente mineralizada, a agua é fria (19ºC), bicarbonatada sódica sulfúrea, sendo recomendada para o tratamento de problemas articulares, laringites, bronquites, sinusites e acessoriamente actua como cicatrizante, desintoxicante e estimula de uma maneira geral o nosso metabolismo (confirmação em fase de testes).

Foram pela primeira vez registadas pelo médico do Reino dos Hospitais Militares da Praça, General Perdigão em 1905; actualmente pertencem a Câmara Municipal que felizmente, decidiu requalifica-las e coloca-las ao dispor de uma maior número de utentes (no ano de 2006 fizeram tratamentos no local cerca de 1000 pessoas). Para substituir o complexo pré-fabricado, está em construção um novo edifício termal que será um magnífico espaço, confortável e de grande qualidade arquitectónica; em 2008 as termas já deverão estar a funcionar em pleno.

As águas brotam de fracturas graníticas, sendo actualmente captadas de um furo com uma profundidade de 19 metros.

O local é aprazível, selvagem e agreste com o rio Côa ainda mediano, mas compulsivo e ruidoso. Mesmo que o leitor não padeça de nenhuma das enfermidades indicadas o local merece a sua visita.

Será uma oportunidade para Almeida se valorizar e ao aumentar o seu afluxo turistíco-para isso será também necessário o investimento de privados em instalações hoteleiras, tendo em conta o mercado espanhol.   

O local é aprazível, selvagem e agreste, com o rio Côa ainda mediano, mas compulsivo e estridente. Mesmo que o leitor não padeça de nenhuma das enfermidades indicadas o local merece a sua visita.

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JARDIM BOTÂNICO (***) DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Até que enfim!... 

Tomei conhecimento, através da Imprensa, que foram aprovados em Abril passado, pelo Senado Universitário de Coimbra, os estatutos da Fundação Universidade de Coimbra, que vai gerir algumas estruturas (não propriamente docentes) da Universidade, como são, por exemplo, o Estádio Universitário e o Teatro Académico de Gil Vicente. A mesma notícia refere ainda que, provavelmente, a dita Fundação virá a assegurar a gestão de outras estruturas universitárias como, por exemplo, o Jardim Botânico. ATÉ QUE ENFIM!...
Há muito que tenho vindo a referir à presidente do Conselho Executivo do Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia (F.C.T.) da Universidade de Coimbra, professora doutora Helena Freitas, que a melhor solução para os gravíssimos problemas, particularmente orçamentais e funcionais, que assolam o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, seria a criação de uma Fundação, pois, assim, a gestão do jardim seria automatizada e não dependente do ratio discentes/docentes, como é actualmente. Com o orçamento actual do Departamento de Botânica, que inclui o Jardim Botânico, e com o número de jardineiros actuais (meia dúzia, quando já foram cinquenta, durante a minha vivência profissional no Departamento), é impossível manter o jardim aberto ao público. Por isso, quando a professora Helena Freitas solicitou a minha opinião sobre a pretensão do Conselho Executivo encerrar o jardim ao público aos fins-de-semana, eu considerei que o deviam encerrar ao público todos os dias.
Um jardim botânico não é um jardim destinado ao lazer, ao “promenade” (desculpem-me o galicismo, mas é a palavra aplicável aqui) e à opulência (como alguns que conheço), como, aliás, já o Marquês de Pombal referiu em 1773, numa carta (5 de Outubro) que dirigiu ao, então, Reitor da Universidade de Coimbra (Francisco de Lemos) a propósito do projecto para o jardim botânico delineado por Domenico Vandelli (1735-1816) e Giovanni Antonio Della-Bella (1730-1823) e que transcrevemos na íntegra, pois é um documento extremamente elucidativo:
“Reservei até agora a resposta sobre a planta que esses professores delinearam para o jardim botanico, porque julguei preciso precaver a v. ex.ª mais particularmente sobre esta matéria.
Os dictos professores são italianos: e a gente d’esta nação, costumada a ver deitar para o ar centenas de mil cruzados de Portugal em Roma, e cheia d’este enthusiasmo, julga que tudo o que não é excessivamente custoso não é digno do nome portuguez ou do seu nome d’elles.
D’aqui veio que, ideando elles nesta corte, junto ao palacio real de Nossa Senhora da Ajuda, em pequeno espaço de terra, um jardim de plantas para a curiosidade, quando eu menos o esperava, achei mais de cem mil cruzados de despesa tão exorbitante como inutil.
Com esta mesma idéa talharam pelas medidas da sua vasta phantasia o dilatado espaço que se acha descripto na referida planta. O qual vi que, sendo edificado á imitação do pequeno recinto do outro jardim botanico, de que acima fallo, absorveria os meios pecuniarios da Universidade antes de concluir-se.
Eu, porém, entendo até agora, e entenderei sempre, que as cousas não são boas porque são muito custosas e magnificas, mas sim e tão sómente porque são próprias e adequadas para o uso que d’ellas se deve fazer.
Isto, que a razão me dictou, sempre vi praticado especialmente nos jardins botanicos das Universidades de Inglaterra, Hollanda e Allemanha; e me consta que o mesmo succede no de Parma, porque nenhum d’estes foi feito com dinheiro portuguez. Todos estes jardins são reduzidos a pequeno recinto cercado de muros, com as commodidades indispensáveis para um certo numero de hervas medicinaes e proprias para o uso da faculdade medica; sem se excedesse d’ellas a comprehender outras hervas, arbustos, e ainda arvores das diversas partes do mundo, em que se tem derramado a curiosidade, já vistosa e transcendente, dos sequazes de Linneu, que hoje têm arruinado as suas casas para mostrarem o malmequer da Persia, uma açucena da Turquia, e uma geração e propagação de aloes com differentes appelidos, que os fazem pomposos.
Debaixo d’estas regulares medidas deve, pois, v. ex.ª fazer delinear outro plano, reduzido sómente ao numero de hervas medicinaes que são indispensáveis para os exercicios botanicos, e necessarias para se darem aos estudantes as instrucções precisas para que não ignorem esta parte da medicina, como se está praticando nas outras Universidades acima referidas com bem pouca despesa: deixando-se para outro tempo o que pertence ao luxo botanico, que actualmente grassa em toda a Europa. E para tirar toda a duvida, pode v. ex.ª determinar logo, por sua parte, que Sua Magestade não quer jardim maior, nem mais sumptuoso, que o de Chelsea na cidade de Londres, que é a mais opulenta da Europa; e pela outra parte, que debaixo d’esta idéa se demarque o logar; se faça a planta d’elle com toda a especificação das suas partes; e que se calcule por um justo orçamento o que há de custar o tal jardim de estudo de rapazes, e não de ostentação de príncipes, ou de particulares, d’aquelles extravagantes e opulentos, que estão arruinando grandes casas na cultura de bredos, beldroegas, e poejos da Índia, da China e da Arabia.”
Depois de aprovado o novo projecto, em 1774, o Marquês de Pombal enviou a Coimbra o jardineiro do Real Jardim da Ajuda (Lisboa), Julio Mattiazi, como responsável pelo cultivo das plantas no jardim botânico. As primeiras plantas vieram do Real Jardim da Ajuda, tendo sido enviadas para Coimbra por via marítima e acompanhadas por João Rodrigues Vilar, que foi o primeiro jardineiro do Jardim Botânico de Coimbra.
Iniciou-se, assim, a relevante fitodiversidade do Jardim Botânico de Coimbra, que implicou, por razões óbvias, um enriquecimento em zoodiversidade não só na área do jardim, como também em toda a zona circundante.
O Jardim Botânico ocupa uma vasta área (±13,5 ha.) do Vale das Ursulinas, onde corre um pequeno regato que nasce em Celas, e é constituído por duas zonas fundamentais: uma, na parte superior do vale, ajardinada (parte pública) e outra na parte inferior do vale, mais arborizada (a Mata).
A primeira, a área mais formal do jardim, é constituída por alguns terraços em socalco. No socalco inferior está o designado “Quadrado Grande”, que constitui a parte mais primitiva do jardim. Aqui, existem três relevantes árvores que datam dos primórdios do jardim, em que Brotero foi director (1791-1811). São o abeto-da-china (Cunninghamia lanceolata), o cedro-do-japão (Cryptomeria japonica) e uma eritrina (Erythrina crista-galli). Estão ainda em óptimo estado e, por isso, constituem um valiosíssimo património biológico da Universidade. Porém, caiu, em 2000, a árvore que eu considerava a mais antiga do Botânico, a Cupressus macrocarpa, originária da Baía de Monterey (Califórnia), que se encontrava em frente ao refeitório. Esse cipreste-de-monterey talvez tivesse sido plantado antes da fundação do jardim botânico, pelos frades que viviam no convento, onde actualmente está o Instituto Botânico e o Instituto de Antropologia.
A maioria das árvores mais antigas e de grande porte foram plantadas entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, durante a direcção de Júlio Henriques (1873-1918). As árvores que atingem grande altura, mas que se situam na parte pública do jardim, isto é, fora da Mata, não atingem idades consideráveis, pois acabam por morrer electrocutadas por funcionarem como pára-raios. Actualmente, a árvore mais alta do Botânico talvez seja um exemplar de Araucaria rulei F. Muell. ex Lindl., próxima do portão da rua Vandelli, com mais de 50 metros de altura, logo seguida de um alto eucalipto (ca. 50 m), que é a árvore de maior biomassa do jardim (Eucalyptus obliqua), ao lado das escadas que dão para o portão do Seminário e, do outro lado destas escadas, está um outro extraordinário exemplar de eucalipto (Eucalyptus viminalis); outro enorme eucalipto (Eucalyptus cornuta) está no canto junto à confluência da Alameda Júlio Henriques com os Arcos do Jardim e, muito próximo deste, o eucalipto de maior diâmetro do Jardim (Eucalyptus globulus); e, igualmente referenciáveis, são os altos, belíssimos e odoríficos (cheiro a limonete) eucaliptos de casca cinzenta (Eucalyptus citriodora).
Além deste património vegetal, no Jardim Botânico de Coimbra habitam muitos animais, como os esquilos europeus (Sciurus vulgaris), toupeiras (Talpa europaea), morcegos, pequenos roedores, tendo já sido vista uma raposa (Vulpes vulpes), uma doninha (Mustela nivalis), coelhos-bravos (Oryctolagus cuniculus) e muitas aves. Das cerca de quatro dezenas de aves assinaladas, umas são sedentárias, outras invernantes e algumas nidificantes. Algumas das aves que habitam o jardim botânico são espécies raras e protegidas, como as rapinas nocturnas [bufo-real (Bubo bubo); coruja-do-mato (Strix aluco); coruja-das-torres (Tyto alba)], a rapina diurna [milhafre-preto (Milvus migrans)], o pombo-torcaz (Columba palumbus); o guarda-rios (Alcedo athis).; o gaio (Garrulus glandarius); o bico-grossudo (Coccothraustes coccothraustes) e, para finalizar, o raríssimo dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula), tendo já sido vistas, nos viveiros, perdizes (Alectoris rufa).
Claro que também há anfíbios (rãs, sapos e salamandras) e répteis (lagartos e cobras).
Além de toda esta biodiversidade, há a biodiversidade “inconspícua” (invisível), como os invertebrados. Um exemplo disso, foi a descoberta recente (2005-2006) de espécies novas para a ciência de aracnídeos, algumas ainda não publicadas (Nemesia bacelarae; Malthonica oceanica; Sintula iberica; Harpactea sp. nov.).
Manancial de biodiversidade
O Jardim Botânico de Coimbra, como grande parte dos jardins botânicos (cerca de 2.500) é um manancial de biodiversidade (vital para a nossa espécie), uma enorme “fábrica” de biomassa (fotossíntese), com um elevado contributo na despoluição ambiental (consumo de CO2 pela fotossíntese) e excepcional purificador do ar (pelo enorme volume de O2 produzido pela fotossíntese). Além disso, o Jardim Botânico de Coimbra faz parte da rede internacional de Jardins Botânicos (Botanic Garden Conservation International – BGCI), onde se estima que existem cerca de 100.000 espécies de plantas vivas, algumas em vias de extinção, e cerca de 250.000 preservadas em Bancos de Sementes. Estes jardins botânicos são, pois, extraordinárias reservas de biodiversidade e relevantes recursos para a respectiva conservação. Por outro lado, nos jardins botânicos faz-se investigação científica, fundamentalmente aplicada, e educação ambiental abrangente (não tradicional), com dimensão ecológica, económica, cultural e social. Um jardim botânico não é, pois, um jardim qualquer. É um Monumento Nacional e é uma Reserva de Biodiversidade em risco e um Laboratório de Propagação e Preservação da Biodiversidade.
Jorge Paiva - Biólogo

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27-04-07

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Conjunto patrimonial e paisagístico da Cidadela de Penamacor (*)

Há suficientes memórias que podem levar o visitante que atravessa a zona raiana a deter-se em Penamacor. No cimo da vila, onde Gualdim Pais, mítico mestre templário, mandou levantar o castelo, depois de conquistada a povoação aos mouros por D. Sancho I, deve ter habitado gente sempre espreitando inimigos possíveis e imaginários. De certeza que defendeu a incerta fronteira portuguesa contra castelhanos e mouros e que desempenhava papel primordial no sistema defensivo da beira Baixa, tentadora linha penetradora, mas desencorajante pelas possantes fortalezas que a ocupavam os mais apropriados cumes. Porém Penamacor já era habitada anteriormente como provam os machados de pedra polida aqui descobertos e que lembram que o homem habita o morro do castelo desde o Neolítico. Durante a Idade do Ferro e do Bronze foi fortificado como castro, e as legiões romanas deram-lhe a forma de atalaia. Daqueles tempos provém o espólio da secção de arqueologia do Museu Municipal de Penamacor, composto por machados do Neolítico, mós proto-históricas e lápides epígrafadas.

No tempo de rei Venturoso, reforçam-se defesas, e o estilo manuelino é visível na Capela da Misericórdia com o seu belíssimo portal e no pelourinho (1565); no interior da desmantelada cidadela, de onde a onde, podem ver-se sinais decorativos neste estilo, nos portais e janelas casario, por vezes com sinais de cristãos convertidos nos seus umbrais. Mas deste tempo o que mais fica retido é o símbolo de Penamacor- a sua monumental bela Torre de Vigia com o seus 20 metros de altura.

No século XVII, para defesa da pátria restaurada, constroem-se 6 baluartes e três meio-baluartes, segundo as exigências da pirobalística. Pode-se observar-se um junto da antiga Casa da Câmara; sob este edifício (1568) abre-se uma bem conservada porta gótica da muralha. Depois de entrar repare no seu balcão, sobre a porta de lintel recto encimado pelas armas nacionais ladeadas de esferas armilares -é agora o bem apetrechado posto de turismo.

Destaco ainda na cidadela ovalada, a robusta e bem restaurada Torre do Relógio, que parece ter sido torre de menagem, trechos de muralhas, ruínas de baluartes, a igreja de São Pedro, de fundação românica, os alicerces da Igreja de Santa Maria e a cisterna do Castelo.

Bela é também a paisagem, principalmente em dias límpidos, de onde se avista largo horizonte, com destaque para as planálticas regiões castelhanas, a Serra da Malcata, a serrilhada crista quartzítica de Penha Garcia (*), os montes ilhas, onde num deles se acavalita a mais bela aldeia de Portugal- falamos é claro, de Monsanto(****); pressentem-se ainda as invisíveis searas espraiadas nas campinas de Idanha.

E agora uma história que daria um reflexivo romance e que aconteceu em Penamacor  E que por ter sido o primeiro-poderá ser umas das origens primaciais do sebastianismo.

Em 1584 aqui apareceu o aventureiro conhecido pelo rei de Penamacor, que por ingenuidade do povo e ambição de dois cúmplices que se intitulavam, um bispo da Guarda, outro Cristóvão Távora, se fez passar por Dom Sebastião. Conseguindo atrair as populações simples desta região, à sua figura misteriosa, falando árabe e contando histórias da batalha em que se perdera o rei, o falso Dom Sebastião andava a cavalo seguido de grandes cortejos de crentes e curiosos. A princípio, timidamente, depois com a audácia de uma convicção, o rei de Penamacor aceitava as honras e títulos de majestade, tendo chegado a construir um conselho de estado na sua corte. Chegando até Lisboa o rumor da sua aclamação, aí foi levado o embusteiro. Os dois ministros foram condenados ao cadafalso e o rei mandado para as galés. Encontrando-se como remador na Invencível Armada, liberta-se dos ferros, salta na costa de França e nunca mais foi visto nem achado o célebre aventureiro1. Os seus companheiros de aventura foram condenados à morte.

Não poderíamos terminar este texto, sem referir que entre os muros desta cidadela cresceu o cristão-novo Ribeiro Sanches (1699-1783), ilustre em toda a Europa culta, foi um dos inspiradores do Marques de Pombal nas reformas de ensino; filósofo e médico na corte czarina foi um dos percursores do espírito iluminista europeu que ainda hoje e bem nos alumia.

Fonte de Informação: Lugares a Visitar em Portugal- Selecção do Reader´s Digest, 2001; Guia de Portugal- Beira II- Beira Baixa e Beira Alta 1. Os Mais Belos Castelos de Portugal de Júlio Gil e Augusto Cabrita. 

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13-04-07

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Locais Notáveis de Idanha-a-Nova e Penamacor

Aldeia Histórica de Monsanto (MN) (****)

Aldeia Histórica de Idanha-a-Velha (MN) (**)

Crista quartzítica com fósseis icnológico em Penha Garcia (*)

Águas minero-medicinais de Monfortinho (*)

Conjunto patrimonial e paisagístico do alto de Penamacor (IIP) (*)

Reserva Natural da Serra da Malcata (*) (abrange o Concelho de Sabugal)

Outros Locais com Interesse turístico:

Parque Natural do Tejo Internacional (ler  como local notável em Vila Velha de Ródão)

Vale fértil da Ribeira da Meimoa

Ponte Romana da Meimoa

Canhões fluviais do rio Erges

Panorama do que resta do  Castelo de Idanha-a-Nova 

Senhora do Almortão

Museu Municipal de Penamacor

Igreja e Convento de Santo António em Penamacor

Termas da Fonte Santa em Águas

Panorama da estrada para Meimão

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11-04-07

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7 Medidas para melhorar o afluxo turístico em Freixo de Espada-à-Cinta

1- Reforçar acções promocionais das belezas locais, em feiras, eventos da especialidade e em grandes espaços comerciais das grandes cidades de Península Ibérica. Apostar ainda fortemente no mercado espanhol.

2- Salvaguardar e divulgar as pinturas rupestres (Fonte Santa, Cavalo de Mazouco e da Calçada de Alpajares).

3- Melhorar a notoriedade do passeio turístico fluvial do Douro entre as Barragens de Saucelhe e Aldeadavilla (é um dos mais extraordinários percursos turísticos fluviais da Europa).

4- Investir fortemente na Internet divulgando por vários meios os Locais Notáveis do Concelho.

5- Restaurar o centro histórico manuelino de Freixo de Espada-à-Cinta utilizando as verbas do QREN.

6- Aumentar o cultivo das culturas tradicionais (amendoeira, vinha e olival) para aumentar a beleza agrícola e os recursos da região.

7- Estudar as águas minero-medicianis da Fonte Santa tendo em conta a sua qualificação.

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04-03-07

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Locais Notáveis de Castro Marim e Vila Real de Santo António

Panorama e conjunto patrimonial de Cacela-a-Velha (***) 

Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António (**)

Castelo de Castro Marim e respectivo panorama (MN) (**) 

Núcleo pombalino de Vila Real de Santo António (*)

Extensa praia entre a Foz do Guadiana-Monte Gordo-Altura-Manta Rota-Cacela Velha (**)


Outros locais com algum interesse turístico: Ponte Internacional sobre o rio Guadiana; Túmulo Megalítico de Santa Rita (Cacela); Pinhal da Mata Nacional das Dunas (Vila Real de Santo António); Farol de Vila Real de Santo António

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02-02-07

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Igreja de São Tiago matriz da Adeganha (Torre de Moncorvo) (**) (MN)-II

O interior de uma só nave, conserva bons frescos quinhentistas, a relembrar de certo modo, a próxima capela da Nossa Senhora de Teixeira (Açoreira) ou a distante Igreja de Santo Isidoro em Marco de Canavezes (*); alguns deles foram descobertos e restaurados recentemente.

É de grande beleza o enorme São Tiago, envolto por moldura de losangos denteados e frisos de motivos geométricos e vegetalistas estilizados; quem terá sido tão brilhante artista?

A temática é obviamente hagiográfica, surgindo, na nave, temas cristológicos, terminando em Calvário sobre o arco triunfal, este encoberto por razões de conservação, também se vê Santo António, os Reis Magos, os objectos de suplício de Cristo… São valiosos estes murais quinhentistas.

O retábulo-mor, de linguagem barroca, integra duas pinturas sobre madeira, quinhentistas, representando São Lourenço e São Martinho, que terão pertencido a um retábulo anterior e do qual, durante o desmonte, foram encontradas peças que teriam sido recicladas para o retábulo actual.

No retábulo-mor encontramos às tábuas de "São Martinho" e “São Lourenço”, pinturas a óleo sobre madeira de castanho atribuídos a Manuel Vicente e Vicente Gil, respectivamente pai e filho, denominados como mestres do Sardoal (porque foi aqui que primeiro se estudaram e identificaram estes autores). Pintores que foram activos nos reinados de Dom João II e D. Manuel I e são os principais representantes da pintura manuelina Coimbrã. No interior em penumbra, sem rosáceas ou frestas alumiantes, não se vislumbram sinais das “Três-Marias”. Vamos então à sua lenda.

“Reza a história que as Três-Marias eram irmãs e pastoras. Iam para o monte de Frei Vivas, monte de zimbros, carrascos, sobreiros e giestas, apascentar o gado. Enquanto o gado pastava, elas entretinham-se a jogar às cartas. Mas uma das três irmãs ganhava sempre e não havia maneira de a fazerem perder, as outras duas ficavam roídas de inveja e intrigadas - Seria ela bruxa? Ou aquilo seria obra do Céu? Nem uma coisa nem outra. Ela ganhava sempre porque jogava com manha.

Finalmente as outras duas descobriram e combinaram desforrar-se. Fizeram uma grande fogueira, com muita lenha, e empurraram para a fogueira a irmã batoteira que lá ficou a arder em grandes chamas. Se tentava sair as outras duas não deixavam e com os dedos em "figas"diziam: Arde e ganha! Arde e ganha! E assim ficou o nome de Arde e Ganha, Adeganha”1.

Estranha lenda, a relembrar tempos de intolerância, materializados durante 3 séculos na inquisição portuguesa, e que foi a maior causa de desonra e pobreza (de espírtio e material) destes 900 anos de história-a instituição ainda hoje se repercute na nossa maneira atávica de ser e fazer.

Para não terminar a visita à igrejinha de um modo triste,  e não levar os leitores para sentimentos de culpa congénitos, voltemos para rematar, a um autor que nos orgulha e que também aqui esteve.    

Enfim, a igreja é esta. Não caiu em exagero quem a gabou. Cá nestas alturas, com os ventos varredores, sob o cinzel do frio e da soalheira, o templozinho resiste heroicamente aos séculos. Quebraram-se-lhe as arestas, perderam a feição as figuras representadas na cachorrada a toda a volta, mas será difícil encontrar maior pureza, beleza mais transfigurada. A igreja de Adeganha é coisa para ter no coração, como a pedra amarela de Miranda".(José Saramago, "Viagem a Portugal" Prémio Nóbel da Literatura)

Nota pessoal: Aqui estive pela primeira vez no início da década de 90, estava então numa viagem de estudo de geololgia, orientada sempre com muita sabedoria e alegria pelo Dr. Luís Nabais Conde.

Fontes de Informação: Sites www.adeganha.com 1 e www.monumento.pt. “A Igreja Matriz de Adeganha”, Terra Quente artigo de 15-3-2005

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Museu da Ciência (*) da Universidade de Coimbra

No Largo Marquês de Pombal, Alta de Coimbra, é impossível ficar indiferente ao imponente edifício que alberga o Museu da Ciência. O segredo é entrar e partir à sua descoberta.
Quando se fala de Património Mundial, estatuto a que a Universidade de Coimbra pretende ascender, tem de falar-se de alguns emblemáticos e fundadores edifícios, espólios e tradições que lhe constroem a história de séculos. Vem, portanto, mais que a propósito a escolha do Museu da Ciência – Laboratório Chimico para integrar o ciclo “Coimbra – Uma candidatura a património mundial”, promovido em conjunto pela Livraria Minerva e pelo Rotary Club de Coimbra, Santa Clara.
E, na terça-feira, foi para uma plateia atenta que Paulo Gama Mota traçou o percurso fascinante de um edifício – o Laboratório Chimico – e de um projecto – o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra – que agora se encontraram num mesmo destino: o de tornar visível aos olhos de um público alargado um espólio científico de uma riqueza ímpar em Portugal, conferindo-lhe a unidade desejável dentro de um espírito de pluridisciplinaridade e abertura à sociedade e à problematização/compreensão de temas fundamentais nos dias que correm.
Para Paulo Gama Mota, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra – que viu concretizada em Dezembro último a sua primeira fase no Laboratório Chimico – pretende ser um local de divulgação, mas mais do que isso, pretende ser um local de diálogo entre a sociedade e os cientistas: a ciência que os cientistas produzem, o conhecimento que daí resulta e as problematizações que na sociedade se podem levantar e que surgem relativamente à forma como esses conhecimentos são ou não postos em prática.
Magnífico por si só, o Laboratório Chimico – a primeira janela que se abre sobre o grande projecto que é o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, cuja segunda fase prosseguirá no edifício fronteiro e igualmente notável que é o Colégio de Jesus – tem uma proposta concreta para apresentar ao público: uma exposição permanente que se subordina ao tema “Segredos da luz e da matéria”, na qual a equipa multidisciplinar que pensou o projecto procurou, através de vários processos e meios, transmitir conhecimentos sobre os dois grandes temas em causa.
Ainda de acordo com o director do Museu da Ciência, esses meios são, naturalmente, os objectos reais utilizados ao longo do tempo, quer para demonstração, quer para experimentação, e que são património da Universidade de Coimbra, nomeadamente ampolas de raio X, aparelhos de espectrofotometria, aparelhos cirúrgicos de laser... Enfim, conjuntos muito diversificados de equipamento de épocas diferentes e de diferentes áreas disciplinares. Mesmo porque, para Paulo Gama Mota, a exposição permanente do Museu da Ciência atravessa conhecimentos que vão da Astronomia à Física, passando pela Química, Biologia, Ciências da Vida, Mineralogia, até à Antropologia. No entanto, ainda que tenha este carácter abrangente, há um fio condutor na exposição: a luz e a matéria.
Tendo surgido num momento fundamental da história da Química – o final do século XVIII, quando Lavoisier a “transforma” definitivamente de “alquimia” em “ciência experimental” –, o Laboratório Chimico apresenta todas as características dos laboratórios da época: espaçoso, isolado, bem equipado, ordenado, seguro, bem ventilado, servido de água e fontes de calor.
No entanto, o edifício pombalino de Coimbra, “uma das mais importantes obras de linguagem neoclássica em Portugal”, é o único a chegar praticamente intacto aos nossos dias: situação que pontencia mais ainda a condição de “jóia” de uma coroa científica e patrimonial que, agora, num espaço candidatado a património da Humanidade, assume contornos verdadeiramente extraordinários.
Dada a natureza e as características do edifício, de acordo com Paulo Gama Mota, o museu conta também com a chegada de visitantes integrados numa rota específica de turismo cultural: para esses, além do catálogo, disponibiliza-se uma espécie de viagem virtual ao interior do edifício no século XVIII e XIX.
Entre a guerra e a paz
A pia de pólvora a marcar a entrada no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, no Laboratório Chimico, encerra muito mais que o evidente simbolismo de uma peça fundamental para fixar a memória do edifício. Destacada por Paulo Gama Mota, director do Museu da Ciência, a peça representa sobretudo o percurso entre a guerra e a paz, que foi o do edifício construído propositadamente para o ensino da Química experimental na grande reforma pombalina da universidade.
E, entre a guerra e a paz, o Laboratório Chimico foi um dos importantes protagonistas de um período marcado pelas invasões francesas, na primeira década do século XIX, altura em que a cidade e a região do Baixo Mondego foram ainda assoladas por uma praga de peste: transformado em fábrica de pólvora para combater os invasores, o Laboratório Chimico assumiu pouco depois a produção intensiva de desinfectantes com os quais haveria de combater-se um inimigo ainda mais traiçoeiro que os soldados de Napoleão.
Terça-feira, durante a visita promovida pela Livraria Minerva e pelo Rotary Club de Coimbra, Santa Clara, ao Museu da Ciência, a escritora Helena Rainho Coelho haveria de citar duas passagens do seu romance “As taças da ira” para ilustrar aqueles dois momentos de um significado imenso na vida da cidade e do país.

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01-02-07

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Igreja de São Tiago matriz da Adeganha (Torre de Moncorvo) (**) (MN)-I

« Esta estrada vai dar à aldeia de Estevais, depois a Cardanha e Adeganha. O viajante não pode parar em todo o lado, não pode bater a todas as portas a fazer perguntas e a curar das vidas de quem lá mora. Mas como não sabe nem quer despegar-se dos seus gostos e tem a fascinação do trabalho das mãos dos homens, vai até Adeganha onde lhe disseram que há uma preciosa igrejinha românica, assim deste tamanho. Vai e pergunta, mas antes pasma diante da grande e única laje granítica que faz da praça, eira e cama de luar no meio da povoação ». José Saramago « Viagem a Portugal »

Adeganha é uma aldeia típica transmontana (perdida no tempo, mas não na geografia da “alma portuguesa”), situada no frio e árido Planalto Transmontano espreita a poente a vasta extensão do Vale da Vilariça (**). Em redor, as leiras do centeio, os olivais cobrindo os montes, a penedia encrespada. Em pequenas construções toscas de pedra acautelam-se as ovelhas e os cereais, e o granito é aproveitado para paredes ou para eiras onde se fazem as malhadas.

Para além das relíquias da coeva arquitectura transmontana, ainda possui a segunda mais bela igreja românica transmontana (a primeira é a extraordinária igreja de São Salvador Anciães (***)- e basta para esta um portal e uma paisagem!).

A igreja de São Tiago foi edificada no século XIII, segundos uns, ou no século XII, conforme afirma o Abade de Baçal. Dedicada ao Apóstolo referido e originalmente dotada de um alpendre exterior para albergar os peregrinos, ela situava-se num dos caminhos de Santiago de Compostela. O seu portal pertençe à transição entre o românico e o gótico.

O bestiário da cachorrada é de grande qualidade escultural e com olhar arguto, culto e imaginoso é possível passarmos algum tempo a tentar descortinar o seu significado.

A fachada principal, virada a poente, ergue-se altaneira, de dupla ventana. O portal principal de arco-quebrado anuncia o estilo gótico. Possui duas arquivoltas com decoração fitomórfica assente em peanhas com cabeças antropomórficas, por cima a Cruz Templária. Três estranhas figuras femininas em baixo relevo -as Três-Marias (Três Irmãs, Três Comadres) quebram a frugalidade ornamental da fachada, estas foram imortalizadas em estranha lenda (ver próxima entrada). A do meio está a parir, coadjuvado por uma comadre? Será um símbolo de fertilidade e camaradagem? Se assim for como estamos longe das labaredas proclamadas na lenda. O outro grupo escultórico é mais pequeno e representa um homem com dois objectos na mão que lembram dois pergaminhos. Significará um convite à contemplação e à oração? Mas com os testículos salientes?

Na fachada Sul existe também um Homem com um joelho flectido, levantando-se. Tem os braços abertos e em cada mão segura algo. Ao nível do seu peito uma figura feminina, deitada? Será a vida, o sol, o prazer, a primavera, ou será antes a morte, a lua, o sofrimento e a invernia da alma?

Também a fachada Norte tem um frade olhando de frente e segurando um livro - a Bíblia? Ao lado suportando uma peanha,como se fosse o peso do mundo, uma estranha figura feminina com esgar de sofrimento, de boca e olhos fechados, como dando à luz. Será um apelo a penitência e ao sacrifício, exigido aos indivíduos do mundo medieval? 

Debaixo dois túmulos de arcossólios a relembrarem a inevitabilidade da finitude da existência.

Elementos interessantes são as cachorradas que se apresentam nas fachadas laterais representando signos tão díspares como, canídeos, triângulos, rostos de homem e mulher, aves, bovídeos...

Todos estes símbolos enigmáticos foram criados e entendidos pela mentalidade do Homem medieval. É por essa e por outras que eu gosto do românico, o mais telúrico estilo arquitectónico e para mim um verdadeiro estado sublimação. 

Fontes de Informação: Sites www.adeganha.com  e www.monumento.pt. “A Igreja Matriz de Adeganha”, Terra Quente artigo de 15-3-2005

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26-01-07

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Igreja de São Miguel, Matriz de Freixo de Espada-à-Cinta (**) (MN)

Este templo faz lembrar, em escala menor, a igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa com abobadamento das naves à mesma altura. É uma igreja-salão mandada edificar por D. Manuel no local de um antigo templo gótico, inicialmente construído no reinado de D. Sancho II. A campanha do século XVI haveria de se arrastar por muito mais tempo, praticamente um século, e as obras encerraram definitivamente depois da restauração da independência, já em pleno reinado de D. João IV.

A sua arquitectura, em parte, pode ter sido gizada pelo próprio João de Castilho, que como já se disse anteriormente se casou com uma jovem de Freixo. Também não será despiciente falar em Boitaca, mestre de obras régio da primeira metade do século XVI e que trabalhou na Sé da Guarda.

O exterior apresenta uma feição bastante austera e compacta tendo misturados os estilos manuelinos e maneirista. O portal principal, ladeado por dois grandes contrafortes, é de arco abatido e sobrepujado por uma composição decorativa manuelina que termina em dois óculos, sendo estes os únicos elementos que suavizam toda a austeridade estrutural que caracteriza o monumento. No entanto os portais manuelinos são constituídos por elementos decorativos, a meu ver, rudes e banais, mas com a habitual simbologia manuelina, neste caso, rosas e alcachofras. Lateralmente tem ainda, nas fachadas Norte e Sul, mais dois portais no mesmo estilo.

O interior é bastante belo  e vasto, dividindo-se por três naves e cinco tramos, marcados por elegantes colunas com sóbrios capiteis manuelinos, ligando-se as nervuras aos contrafortes exteriores. O primeiro tramo é ocupado pelo coro alto.

Como disse Henrique Pais da Silva, é uma igreja salão, filiado na tradição germânica, que define este tipo como «igreja de três naves de igual altura e espaço interior unitário graças também ao ritmo pausado na implantação dos suportes, pois, de o observador, onde quer que se situe no interior, captar visualmente na íntegra o volume interno; mais equitativa distribuição da luz por todo o interior do templo».

Ao longo do tempo a igreja foi sucessivamente enriquecida, e ainda que em nenhum momento se tenha secundarizado o carácter manuelino de todo o conjunto, são várias as obras modernas que ainda se podem contemplar no interior da igreja.

A meio da igreja podemos visionar um belo púlpito de ferro forjado, com o seu magnífico dossel da primeira metade do século XVI, único em Portugal, mas comum em Espanha.

É bela a capela-mor com abóboda manuelina, com as armas de Dom Manuel I, esferas armilares e Cruzes de Cristo, honrando a memória de quem proporcionou este belo espaço. Estes emblemas repetem-se nos fechos da nave central . Tem ainda um retábulo em talha dourada barroca. Este estende-se às duas paredes da capela, e as suas molduras enquadram dezasseis tábuas flamengas, oito de cada lado, provavelmente de 1535, da autoria de Grão Vasco, sobre temas da vida de Jesus.

Actualmente distribuem-se de modo aleatório, já sem qualquer relação com a organização que assumiam no retábulo original. Infelizmente mais não pude contemplar, porque a capela-mor se encontra a ser restaurada, esperemos com qualidade e brevidade.

Segundo Reinaldo dos Santos, as tábuas pertencerão à fase de transição do artista entre as suas obras de Lamego e Viseu.

Os absidíolos têm também retábulos de barrocos e são abobadados. No do lado esquerdo, um interessante túmulo manuelino. Nas paredes que separam as três capelas existem dois retábulos de talha com nichos e algumas imagens como é o caso de um bonito São Pedro.

Destaco ainda o fragmento em talha dourada, figurando os quatro evangelistas, que actualmente se encontra colocado no altar da capela direita, poderia ter feito parte da estrutura original do retábulo. Trata-se de uma peça de autoria provável do escultor e entalhador de origem flamenga, Arnau de Carvalho, que trabalhou com os pintores de Viseu e fez uma série de retábulos para igrejas da região.

A campanha barroca do reinado de D. João V privilegiou essencialmente a renovação do retábulo-mor, em talha barroca estilo nacional, a construção do coro e a remodelação da sacristia, mantendo os elementos essenciais manuelinos que chegaram praticamente íntegros até aos nossos dias.

A igreja matriz de Freixo de Espada-à-Cinta, vale a sua deslocação à vila, principalmente quando a sua capela-mor estiver disponível. Esta igreja é mais um dos belos monumentos portugueses à sua disposição, numa região deprimida e arredia do desenvolvimento, que bem merece a sua demorada visita.

Fonte de Informação-Sousa, Fernando de e Pereira, Gaspar Martins- Alto Douro Douro Superior, Novos Guias de Portugal, Editorial Presença, 1988, Lisboa. Vários autores- “Manuelino à descoberta da arte do tempo de Dom Manuel”,Ediotra Civilização 2001.Site do IPPAR. Gil, Júlio e Calvet, Nuno-"As Mais Belas Igrejas de Portugal, Editora Verbo, 1989.

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