26-12-07
Aldeia Histórica de Sortelha- (MN) (Sabugal) (***) (2ª parte)
Texto 1
“Ao redor a pedra granítica domina a paisagem, dando pouco lugar a limitadas manchas de centeio e pequenos soutos apertados por barrocos. Lá para baixo os, os verdes do vale estreito. Sobre uma escarpa vertical, dominador, romântico, o castelo.
Pela única encosta praticável foi crescendo Sortelha, com o seu solar e casas graníticas (e alguma de cara mais moderna, menos típica). É o “povo” como chamam a este bairro extramuros. Para cima, seguindo a estrada romana 2 aqui e ali ainda bem identificável, entra-se pela muralha na “vila”, zona primitiva de sabor medieval, protegida, agarrada ao castelo.
Aqui não há grandes casas- mesmo as brasonadas são de dimensão modesta e tocante simplicidade, perfeitamente integradas num conjunto de excepcional valor decorativo devido ao indiscutível valor desta gente. Em cada momento se encontram motivos de graça e espírito – uma porta, uma pequena escada, um brasão, um altar, o Pelourinho…Da praça entramos directamente no castelo, numa sequência de identidades que não permite entender-se quem inspirou a quem, tal a harmónica integração de formas.
À beira do Pelourinho- com um arco no capitel, relacionado talvez com o topónimo Sortelha, que significaria “anel”-ergue-se um sino sobre o beirado da Junta de Freguesia, velha casa da Câmara, deliciosa e sóbria arquitectura de reduzidas dimensões, parapeito lajeado na varanda de entrada, lojas semienterradas, miúdas vidraças nas janelas de guilhotina. Domina o encantador largo para o qual também se volta outra antiga fachada de idêntico carácter. A austeridade arquitectural da igreja matriz contrasta com o seu precioso tecto múdejar e mais com o decorativismo barroco do altar-mor 3.
Aqui não admira que o primeiro conde de Sortelha, Luís da Silveira, guarda-mor de Dom João III, tenha sido militar intrépido, mas também poeta do Cancioneiro Geral.
Se tudo na povoação é espantosamente sóbrio e severo, acrescentando ainda por mais sobriedade e severidades neste cerco de fragas mulltiformes – onde nem faltam perfis que estimulam a identificações, caprichos graníticos -, tudo é também paradoxalmente terno, acolhedor, lírico”.
Texto de Júlio Gil, retirado do livro “As Mais Belas Vilas e Aldeias de Portugal”-Editorial Verbo-1944
Texto 2
"De Belmonte vai o viajante a Sortelha por estradas que não são boas e paisagens que são de admirar. Entrar em Sortelha é entrar na Idade Média, e quando isto o viajante declara não é naquele sentido que o faria dizer o mesmo entrando, por exemplo, na Igreja de Belmonte (4), donde vem. O que dá carácter medieval a este aglomerado é a enormidade das muralhas que o rodeiam
A espessura delas, e também a dureza da calçada, as ruas íngremes, e, empoleirada sobre pedras gigantescas, a cidadela, último refúgio de sitiados, derradeira e talvez inútil esperança. Se alguém venceu as ciclópicas muralhas de fora, não há-de ter sido rendido por este castelinho que parece de brincar".
Texto de José Saramago- Viagem a Portugal - Editorial Caminho, 1981
Notas do autor do blog:
1- A parte da localidade que fica fora das muralhas é uma aldeia banal.
2- A estrada é de origem medieval.
3- Infelizmente a igreja encontra-se fechada ao público. Das duas (ou três vezes) que estive em Sortelha nunca tive ocasião de visitar o interior do templo.
4- Refere-se à Igreja de Santiago, panteão dos Cabrais (**).
14-12-07
Sortelha (Sabugal) (MN e Aldeia Histórica) (***) (1ª parte)
A 760 metros de altitude, eis Sortelha, uma das mais belas aldeias de Portugal; passando a Porta da Vila, a que o povo chama de entrada, viajamos no tempo e detemo-nos num pequeno povoado de traçado medieval, empoleirado num cerro. Foi vila e sede de concelho entre 1288 e 1855. O granito serviu de apoio para todas as suas construções: casas, igrejas, castelo, cerca defensiva, passando pelo empedrado das ruas estreitas, aqui e ali rasgadas na rocha, em permanente desnível. Toda a povoação se encontra rodeada de uma duradoura muralha medieval e a malha urbana adaptada-se maravilhosamente à irregularidade do relevo. Não se sabe qual a origem do topónimo, havendo polemica em redor de quatro hipóteses- escolha o leitor a que mais lhe apraz.
Primeira: a denominação deriva de um anel, Sortija ou Sortela, utilizado num jogo medieval, no qual os cavaleiros tentavam enfiar a sua lança.
Segunda: Segundo Viterbo, linguista, sortel é um anel de pedras com poderes especiais usado por feiticeiras e magos.
Terceira: O aglomerado urbano fortificado tem traçado oval.
Quarta: Para Marcos Osório, o topónimo poderá derivar da palavra medieval Sorte, pequena parcela agrícola.
A sua origem é duvidosa perde-se na voragem do tempo. Curiosas são as intrigantes fossetes, provavelmente antropogénicas, na pedra altaneira que suporta o campanário. Também a Cabeça de Velha, belo monólito ciclópico e a Pedra do Beijo, aparecem com inúmeras marcas a relembrar a litolatria de outros tempos.
Na freguesia encontram-se vários vestígios das idades do Bronze e do Ferro bem como materiais romanos. A peça mais conhecida é a ara romana dedicada a Vordio Talaconio-uma divindade, teónimo de Sortelha, consagrada por um M(arcus) C(ornelius) O(?) ou M(arcus) C(aecilius) O(ptatus) (Osório, 1999) descoberta num muro da Igreja da Nossa Senhora das Neves. Outra ara foi descoberta no muro do cemitério, mas desta nada sei.
Em 1181 o Rei Dom Sancho I, povoou o espaço com recurso a povoadores de outras regiões; em 1228 concessão do foral por Dom Sancho II e povoamento pelas populações em redor e construção do Castelo, com reconstrução mandado fazer por Dom Dinis; renovação da carta de foral pelo Rei Dom Manuel I, beneficiação do Castelo e edificação do pelourinho, casa da Câmara e cadeia; Dom João III, eleva a vila medieval a condado em favor de Luís da Silveira, Guarda-mor do Rei, cujo corpo repousa na Igreja matriz de Góis num notável túmulo da renascença (*); o condado é extinto em 1617; no reinado deste ridículo Rei, dá-se a transferência e construção intra-muros da igreja matriz, sob a invocação da Nossa Senhora das Neves substituindo antiga igreja matriz de São João, situada extra-muros; é nestes alicerces, que em 1626, se vai construir a igreja e o hospital da Misericórdia; a muralha e o castelo voltaram a ser reconstruídos durante a Guerra da restauração; em 1855 o Concelho foi extinto, passando para a Vila do Sabugal; em 1910 o seu Castelo é considerado Monumento Nacional. Em 1991, depois de esquecida e quase moribunda, foi considerada Aldeia Histórica e depois recuperada ao abrigo daquele programa.
Quando em Portugal, queremos referenciar um dos paradigmas de vila medieval fortificada, de imediato nos aparece Sortelha. Poderá ter sido a volta do seu Castelo, que creceu o povoado que se protegeu com uma cerca e algumas torres que, nalguns casos, protegem entradas flanqueando-as.
Acede-se ao recinto da alcáçova através de uma porta fortemente protegida por um belo balcão de matacães (Varanda de Pilatos ou do Juiz, na designação popular), por onde se lançava o que era possível e eficaz sobre os assaltantes. No interior, deste típico castelo roqueiro do século XIII, tudo é didactismo: a pura Cisterna, a inacessível Torre de Menagem, com entrada elevada, as seteiras, a porta falsa, o afeiçoamento aos barrocos... remetem-nos para a idade média.
Na cerca da Vila, a Porta Nova, virada para a Serra da Estrela e por onde segue uma bem conservada calçada medieval, encontram-se gravadas as medidas do comprimento (vara e côvado) utilizados intramuros. No exterior desta entrada distendem-se vestígios de antigos monumentos (Igreja de São João da Cruz, Hospital da Misercórdia), à muito desmantelados. Outros imóveis de valor são: o pelourinho com esfera armilar, a Casa da Câmara e a igreja matriz (com tecto mudéjar) que estruturam um povoado com pequenos largos ao longo da rua axial que liga as duas portas principais.
A beleza é muita, nos seus singelos edifícios graníticos, o seu castelo pequeno, esbelto e incorrompido, uma miriade de pormenores aos sentidos e as vistas abrangentes de formas empolgantes, são um estímulo a contemplação e meditação e um recanto único na Península Ibérica.
29-10-07
Fotografia de Flávio Gaspar retirado do site da arqueobeiras
Castelo do Sabugal (MN) (*)- (2ªParte)
No século XX, em 1911 procedeu-se a demolição da Igreja de Nossa Senhora do Castelo. Mais tarde, na década de 1940, o processo de depredação do monumento foi detido graças à actuação da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que lhe promoveu ampla campanha de obras de consolidação e reconstrução.
Entre 1993 e 1994 uma nova campanha de trabalhos de restauração, procurando devolver ao monumento as suas feições originais. Mais recentemente, comprovando-se a existência de fissuras nas paredes e a derrocada parcial de elementos de um dos torreões da barbacã e de algumas ameias (1999), no alvorecer do século XXI, a DGEMN lançou um concurso para o restauro e consolidação das muralhas e torres do castelo, assim como a construção de um anfiteatro ao ar livre e das respectivas instalações de apoio (2001)”.
“Em posição dominante, ergue-se o castelo, que apresenta planta no formato quadrangular. O topo das muralhas, em aparelho misto de cantaria de granito e de alvenaria de xisto, é percorrido por um largo adarve, protegido por merlões, nos quais se rasgam troneiras cruzetadas. O adarve é acedido por quatro escadas internas. Os muros são reforçados por três sólidos torreões nos ângulos, e por um quarto, localizado no centro do pano de muralha pelo lado sudoeste. Estas torres são rematadas por ameias piramidais, assim como a Torre de Menagem (ver altura), de invulgar planta pentagonal, defendendo o portão principal. O interior desta última, em estilo gótico, é dividido em três pavimentos, com tectos abobadados e fechos ornamentados por escudos com as quinas nacionais. O compartimento superior é iluminado pelas portas que dão acesso a balcões misulados, com matacães. Entre a torre de menagem e o torreão do ângulo leste inscreve-se um balcão ameado, vigiando a entrada principal da praça de armas. Inferiormente, na zona exterior, corre a cerca da barbacã - dispositivo defensivo que une e reforça as muralhas do castelo, igualmente rematadas por maciços merlões com aberturas de troneiras cruzetadas. Apoiam as suas muralhas dois pequenos cubelos circulares, abrindo-se próximo de um deles um pequeno portal de arco em ogiva. A cerca da vila apresentava conformação aproximadamente oval, dela restando, actualmente, apenas pequenos trechos. Nelas se abria a Porta da Vila, próximo à chamada Torre do Relógio”1.
A pequena cidade do Sabugal tem para oferecer ao viajante, este grandioso e singular monumento.
1- Texto integral da Wikipedia
18-10-07
Castelo do Sabugal (MN) (*)- (1ªParte)
Aqui está um robusto castelo com uma torre de menagem de invulgar altura, elegância e formato - a Torre das Cinco Quinas - marca para sempre quem a vê. No entanto todo o conjunto monumental da fortaleza medieva é notável.
O morro onde se implantou o núcleo primitivo do Sabugal, a cavaleiro do rio Côa terá sido habitado por povos primitivos. Ali estiveram de certeza os romanos que provavelmente ocupariam um povoado romanizado.
Nas as obras de reabilitação de um edifício situado no Largo do Castelo foi encontrada uma epígrafe com a seguinte inscrição CRISPIN/VS CRIS/(…) [Crispino, (filho de) Cris (po?) (…)] que nos possibilita identificar o nome de quem terá erigido a ara; esta possui um conjunto de configurações que representam um touro e prováveis diversos utensílios sacrificiais.
O touro era considerado a oferenda por excelência dos sacrifícios na religião romana, tendo sido abundantemente representado em moedas, esculturas, pinturas e baixos-relevos.
No Cabeço das Fráguas (Benespera-Guarda), existe uma epígrafe num rochedo que regista o sacrifício de vários animais, entre eles, o touro, a divindades lusitanas. A pedra encontra-se na a casa onde foi encontrada; no entanto a pedra deveria ser musealizada no próprio museu 1.
“A época da Reconquista cristã da península Ibérica, as terras do Sabugal foram inicialmente conquistadas possivelmente por D. Afonso Henriques (1112-1185) em 1160, vindo a ser perdidas logo após para o reino de Leão.
Em 1190, Afonso IX de Leão criou o Concelho do Sabugal, tendo a vila sido fundada por volta de 1224, época em que foi principiado um reduto defensivo.
Integrante do território de Ribacôa, conquistado a Leão por D. Dinis (1279-1325), recebeu Carta de Foral daquele soberano português em 1296. Entretanto, a sua posse definitiva para Portugal só foi assegurada pelo Tratado de Alcanices em 1297. O soberano, a partir de então, procurou consolidar essas fronteiras, fazendo reedificar o Castelo de Alfaiates, o Castelo de Almeida, o Castelo Bom, o Castelo Melhor, o Castelo Mendo, o Castelo Rodrigo, o Castelo de Pinhel, o Castelo do Sabugal e o Castelo de Vilar Maior.
Iniciam-se, nesse contexto, os trabalhos de ampliação e reforma da sua defesa casteleira, desimpedindo-se o espaço intramuros onde se erguiam algumas casas da povoação e reforçando-se as muralhas que ganharam por dois grandes torreões dominados por uma alta torre de Menagem. As obras, referidas por Rui de Pina (Crónica de D. Dinis), foram concluídas em 1303, sob a direção de Frei Pedro, do Mosteiro de Alcobaça. Credita-se ainda, a este soberano, o estabelecimento, nestes domínios, de um couto de homiziados, privilégio que visava atrair povoadores. Alguns documentos confirmam que este privilégio se encontrava em vigor ainda em fins do século XV.
No reinado de D. Manuel I (1495-1521), o Castelo do Sabugal encontra-se figurado por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509), tendo recebido obras de beneficiação, concluídas em 1515, conforme inscrição epigráfica sobre o portão principal. Este soberano condedeu o Foral Novo à vila em 1 de Junho de 1515.
No contexto da Guerra da Restauração, foram procedidas obras de modernização em sua estrutura, bem como posteriormente edificada a chamada Torre do Relógio.
No século XVII aí esteve detido o poeta e cavaleiro Brás Garcia de Mascarenhas, célebre pelas suas aventuras e pelo seu não menos famoso poema épico Viriato Trágico, natural da vila nobre de Avô.
No início do século XIX, no contexto da Guerra Peninsular, aquartelou tropas inglesas e portuguesas que deram combate às tropas napoleônicas em retirada, sob o comando do general André Masséna (Abril de 1811). Posteriormente desguarnecido e abandonado, a sua praça de armas foi utilizada pela população da vila como cemitério, de 1846 a cerca de 1927. Os habitantes, passaram a retirar pedras das muralhas para reutilizá-las em suas construções” (continua)2.
Fontes de Informação:
1- Jornal "A Guarda" da edição de 12-4-207
2- Texto integral da Wikipedia
24-09-07
Termas do Cró (*) (Sabugal)
Estranho nome este - é possível que "Cró" tenha origem celta, como “Cro-Magnon" (Fr.), e signifique "mina", "gruta".
Desde os tempos remotos que os seres humanos estabelecem uma relação particular com as manifestações subterrâneas; as “águas”, com características físicas e químicas fora do padrão comum, foi atribuída uma proveniência divina, com propriedades terapêuticas que reportam ao mundo do sagrado. O qualificativo de "santa" ou o padroado de uma divindade pagã, de um anjo, de um santo ou de uma santa são muito frequentes no mundo termal. Estas Termas têm também a sua capela, muito singela, de Nossa Senhora dos Milagres (com festa marcada para o mês de Agosto).
É mais que secular o uso destas águas, situadas nas margens da Ribeira do Boi. Foram descobertos vestígios romanos no local, o que pode indiciar o seu aproveitamento neste período. Estas termas já poderiam ser referenciadas na época da romanização pela estâncias de Curo (C’ro), a lembrar a célebre frase latina –curat ut valeas- olha pela tua saúde.
Nos fins do século XVIII sabe-se que uma pessoa importante da Guarda, sofria de certo mal, e que pelo uso continuado desta água, resolveu o seu problema; decidiu mandar construir perto da nascente, duas casas de moradia e uma casa com banheira para poder continuar a tratar-se com maior comodidade. Para completar este primitivo e elementar conjunto termal e cumprir promessas de graças obtidas, mandou também construir uma capela invocando a Nossa Senhora dos Milagres, fazendo depois uma casa para ermitão.
Muitas pessoas mais (as termas eram frequentadas por gentes dos concelhos do Sabugal, Guarda, Penamacor, Almeida, Pinhel, Castelo Rodrigo e até de Espanha), crendo nos milagres da Senhora ou nas virtudes terapêuticas das águas, ali iam todos os anos. Levantavam então barracas, cobertas de colmo.
Só em 1891 se procedeu ao primeiro exame químico das águas do Cró, dizendo-se serem “hipossalinas, sulfúreas, bicarbonatadas sódicas.
Actualmente as Termas do Cró que estão abandonadas há mais de três décadas, estão a ser alvo de estudos para as poder reabilitar. Dos antigos edifícios - balneários e hospedarias - pertencentes a uma ordem religiosa, apenas restam as paredes, tendo em conta que depois do encerramento, os mesmos foram integralmente vandalizados e destruídos.
O processo de recuperação da estância termal, - cujas águas são recomendadas para o tratamento de doenças da pele, estômago, intestinos, reumatismo e do aparelho respiratório - deu os primeiros passos há vários anos, quando a Câmara Municipal do Sabugal adquiriu o alvará.
Actualmente, a título experimental, instalou-se, um pavilhão pré-fabricado, que está equipado com banheiras de hidromassagem, duche de jacto, aparelhos de irrigação nasal e de nebulização.
Serão quatro os conjuntos termais que serão reabilitados no distrito da Guarda: Fonte Santa (Almeida) (*), Longroiva (`*), Cavaca (Aguiar da Beira) e as do Cró, de forma a possibilitar o desenvolvimento local.
Apesar de existir uma exsurgência à superfície, a água para tratamentos está a ser captada a 50 metros de profundidade por quatro furos a 23 ºC, brotando de granitos porfiróides.
A percolação das águas das emergências do Cró está associada a fenómenos tectónicos de grande envergadura. A área de infiltração de águas provenientes de escorrência superficial que servem de alimentação ao aquífero corresponde à grande faixa fracturada de direcção NW-SE que passa junto à Guarda e a cerca de 8 km para oeste do Cró..
Também na Ribeira do Boi, na Vila do Touro, existe uma nascente com características semelhantes, e em que da última vez que lá estive, ainda se observava vestígios das palhotas de colmo dos aquistas do inicio do século XX. Este espaço também poderia ser recuperado e ser interligado com as termas do Cró.
As termas do Cró são um local bastante aprazível, com o pontão da ribeira do Boi, a altivez ruinosa do balneário da estância e a bordejar a ribeira, o belo corredor ripícola de amieiros, freixos e carvalhos; mas é a agua, na sua forma naturalmente incólume, que nos faz sentir bem.
Fonte de Informação: Cavaleiro V.-. (1998) - Estudo hidrogeológico das Termas do Cró. Câmara Municipal do Sabugal.
08-07-07
Ponte de Sequeiros (Sabugal) (IIP) (*)
Como são imponentes as pontes
A ponte é sustentada por três arcos plenos, sendo o central o de maior diâmetro ladeado por dois talha-mares, tabuleiro rampante facetado e parapeito em cantaria. O pavimento é lajeado com continuidade em calçada; mas o que a distingue das demais é apresentar uma torre de planta quadrada com vão em arco pleno de ambos os lados e que materializava o dispositivo militar de defesa da portagem fronteiriça entre o território nacional e o Reino de Castela e Leão, antes da assinatura pelo Rei Lavrador do tratado de Alcanices. Juntamente com a Ponte da Ucanha (***) é uma das duas pontes fortificadas existentes no País.
Parado no meio da ponte o rio lampeja, revoluteando em marmitas de gigante, as margens eivadas de vegetação rípicola diversa. Não existe silêncio, a corrente líquida ressoa no granito, a evocar lembranças aterradoras, espectros que ali mesmo poderão ter morrido afogados, numa luta desesperada com as águas, clamado em vão que lhe acudissem- quem sabe resquícios de fronteiras que o Homem impõe a si mesmo- ali Castela, acolá Portugal!
Mais um local para um retiro estratégico do mundo, nesta Beira moribunda- quem a salva? À Beira, claro, porque a ponte está para durar mais alguns milénios.
11-05-07
Vila Maior II- (*) (Sabugal)
O casario da povoação encontra-se disperso pela encosta e pelo vale do rio Cesarão. A antiga cerca defensiva que rodeava o aglomerado encontra-se hoje praticamente destruída, restando ainda uma porta e alguns troços em que se encostam habitações -numa delas é o museu local. Na ombreira da porta da antiga cerca pode observar-se ainda uma inscrição medieval com a dedicatória e a sua data de construção – 1218.
Alguns outros elementos de interesse patrimonial da aldeia são, as calçadas, a cruz de cristo gravada num silhar, o pelourinho, a ponte romana, a igreja de São Pedro (com uma belíssima pia baptismal, em granito monolítico, não se sabe se terá sido templária ou visigótica- a sua traça é muito arcaica mas a cruz orbicular é templária- dela emana o enigma), os vestígios da Igreja românica de Santa Maria do Castelo (actualmente apenas resta a capela-mor e o arco triunfal de volta perfeita; entre as suas particularidades destaca-se a cornija decorada por meias esferas e sustentada por uma cachorrada decorada com motivos geométricos, a que não falta a cruz templária e zoomórficos), a igreja da Misericórdia e os antigos paços do concelho.
Nos antigos paços do concelho encontra-se hoje o museu de Vilar Maior (que merece a sua visita) e a sua porta, em afloramento granítico, foi feita uma recém descoberta- aqui se desenterrou um painel de arte rupestre da Idade do Bronze com cerca de 4.000 anos; o "tabuleiro" em si, é um exemplo típico painel reticulado da arte rupestre deste período no nordeste peninsular.
A história da povoação está relacionada com um episódio particular da nossa História. Segundo a crónica de Fernão Lopes, Dona Leonor Teles terá preparado um enredo segundo o qual convenceu o seu cunhado, Dom João, Filho de Dom Pedro I e Dona Inês de Castro, de que a esposa o traía. Dom João acabou por assassinar Dona Maria Teles, em solar que deveria existir junto à Igreja de São Bartolomeu na Praça do Comércio em Coimbra, fugindo Dom João dos familiares da esposa para Vilar Maior. Daqui não se sentindo seguro, acabou para fugir para São Félix de Galegos.
Vilar Maior oferece ainda um interessante património civil na margem esquerda abrupta do rio Cesarão; aqui deparamo-nos com um conjunto de pardieiros arruinados que pelo seu arcaísmo bem mereceriam ser recuperados - entre as habitações, algumas foram pertença de judeus e numa delas está a antiga sinagoga; actualmente, este edifício apresenta duas entradas diferenciadas, uma para os homens e outra para as mulheres, e um altar em granito, alisado a cinzel, onde seria guardada as Leis ou Torah. Ainda nesta rua são visíveis alguns vestígios da sua presença nas ombreiras e soleiras das portas.
A par dos valores patrimoniais históricos e artísticos, Vilar Maior é também uma fonte de riqueza natural e paisagística. Localizada entre duas ribeiras, no ponto de confluência com o Côa, possui uma qualidade paisagística excepcional. Este valor natural é complementado pela existência nas cercanias de uma mata de carvalhal negral classificada.
É de tremenda injustiça esta aldeia nunca ter sido declarada Aldeia Histórica, e não ter sido alvo de recuperação ao abrigo daquele programa; mas na minha afeição, esta é a décima terceira aldeia histórica; mais duas haverá que foram esquecidas e que serão respectivamente a décima quarta e a décima quinta - Cidadelhe (***) (Pinhel) e Avô (*) (Oliveira do Hospital).
01-05-07
Vila Maior-I (*) (Sabugal)
Provavelmente serão poucos os portugueses que conhecem esta povoação; e, no entanto é das mais belas aldeias de toda a nossa raia. Não julgue o leitor (ou viajante - que para o caso vai dar ao mesmo), que é uma das doze aldeias históricas beirãs classificadas, o que é manifestamente injusto! Apesar deste contratempo tem à sua disposição variadíssimos testemunhos patrimoniais, de diversas épocas cronológicas. De entre o conjunto de elementos arqueológicos mais representativos enumeram-se alguns achados da Neolítico, Bronze final e Época Romana, alguns expostos no museu local: machados pré-históricos, mós de vaivém, cerâmica manual, cerâmica romana, pesos de tear e mós circulares. O castelo, bem preservado, suscita algumas dúvidas quanto à sua fundação, uma vez que se põem várias hipóteses: castro vetão, fortaleza romana e árabe ou todos eles.
Sem dúvida que Vilar Maior, possui uma quantidade maior de elementos patrimoniais datáveis do período medieval, dado o desenvolvimento incontestável que sofreu entre os sécs. XIII-XIV. O destaque vai obviamente para a sua fortificação militar. Depois da ocupação moura e após a reconquista, a sua fortaleza terá sido reedificado por D. Afonso IX de Leão e entregue aos fugazes Cavaleiros da Ordem São João de Pereiro (com provável sede na região).
Todavia o dado menos controverso diz respeito à reedificação por D. Dinis, cerca de 1296 e o seu oferecimento aos templários após a integração de Vilar Maior no reino lusitano devido ao tratado de Alcanices.
Das diversas construções que o interior do castelo integrava, subsiste a cisterna (curiosamente também com 35 metros), o extenso túnel que irrompe até às margens do rio Cesarão, mas principalmente a sua torre de menagem. Adossada exteriormente às muralhas, tem planta quadrada e atinge os 35 metros de altura (o que a torna uma das mais altas de Portugal); com três pisos, apresenta exteriormente um escudo com cinco quinas e várias seteiras; porta de acesso em arco de volta quebrada.
Neste colosso de pedra, são belíssimas são as mais de 100 siglas dos canteiros medievais, de caracter utilitário mas também de jugo enigmático, porque aqui estamos em domínio templário. Existe ainda a tradição oral de que aqui os Cavaleiros da Ordem do Templo de Jerusalém praticavam astrologia. No seu interior perpassa um jogo íntimo, coado, que intercalam feixes solares com a penumbra, e que realçam, ainda mais, as marcas dos canteiros medievais; ao fundo fetos gigantes, muito verdes encerram um conjunto enigmático eivado de beleza poética e de enorme sentido plástico.
A saída do castelo repare-se num tabuleiro de jogo do moinho, gravado em pequeno afloramento granítico. A povoação também é digna de visita, mas isto fica para o próximo post.
05-07-06
Locais Notáveis do Sabugal
Aldeia Histórica de Sortelha (MN) (***)
Conjunto patrimonial de Vilar Maior (IIP) (*)
Ponte de Sequeiros (MN) (*)
Termas do Cró (*)
Castelo do Sabugal (MN)(*)
Reserva Natural da Serra da Malcata (*)
Outros pontos com algum interesse turístico
Conjunto monumental de Alfaiates, em que se destacam: a igreja da Misericórdia, O Castelo e a Igreja Matriz.
Conjunto religioso de Sacaparte
Ponte de Aldeia da Ponte
Os vários locais de travessia do rio Côa
Panorama e complexo arqueológico do Sabugal Velho
Caria da Atalaya (Nossa Senhora das Preces) em Rapoula do Côa
Ambiente paisagístico e religioso da Senhora do Monte (Cerdeira)
Ponte da Cerdeira
Barroco do Leão
Castelo e complexo hidrogeológico de Vila do Touro
Termas de Águas Radium
Vale de Quarta Feira
Locais Notáveis do Sabugal
Aldeia Histórica de Sortelha (MN) (***)
Conjunto patrimonial de Vilar Maior (IIP) (*)
Ponte de Sequeiros (MN) (*)
Termas do Cró (*)
Castelo do Sabugal (MN)(*)
Reserva Natural da Serra da Malcata (*)
Outros pontos com algum interesse turístico
Conjunto monumental de Alfaiates, em que se destacam: a igreja da Misericórdia, O Castelo e a Igreja Matriz.
Conjunto religioso de Sacaparte
Ponte de Aldeia da Ponte
Os vários locais de travessia do rio Côa
Panorama e complexo arqueológico do Sabugal Velho
Caria da Atalaya (Nossa Senhora das Preces) em Rapoula do Côa
Ambiente paisagístico e religioso da Senhora do Monte (Cerdeira)
Ponte da Cerdeira
Barroco do Leão
Castelo e complexo hidrogeológico de Vila do Touro
Termas de Águas Radium
Vale de Quarta Feira












