Portugal Notável

Valor Universal (*****) Muito Notável (***) Notável (*)

11-06-07

JARDIM BOTÂNICO (***) DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Até que enfim!... 

Tomei conhecimento, através da Imprensa, que foram aprovados em Abril passado, pelo Senado Universitário de Coimbra, os estatutos da Fundação Universidade de Coimbra, que vai gerir algumas estruturas (não propriamente docentes) da Universidade, como são, por exemplo, o Estádio Universitário e o Teatro Académico de Gil Vicente. A mesma notícia refere ainda que, provavelmente, a dita Fundação virá a assegurar a gestão de outras estruturas universitárias como, por exemplo, o Jardim Botânico. ATÉ QUE ENFIM!...
Há muito que tenho vindo a referir à presidente do Conselho Executivo do Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia (F.C.T.) da Universidade de Coimbra, professora doutora Helena Freitas, que a melhor solução para os gravíssimos problemas, particularmente orçamentais e funcionais, que assolam o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, seria a criação de uma Fundação, pois, assim, a gestão do jardim seria automatizada e não dependente do ratio discentes/docentes, como é actualmente. Com o orçamento actual do Departamento de Botânica, que inclui o Jardim Botânico, e com o número de jardineiros actuais (meia dúzia, quando já foram cinquenta, durante a minha vivência profissional no Departamento), é impossível manter o jardim aberto ao público. Por isso, quando a professora Helena Freitas solicitou a minha opinião sobre a pretensão do Conselho Executivo encerrar o jardim ao público aos fins-de-semana, eu considerei que o deviam encerrar ao público todos os dias.
Um jardim botânico não é um jardim destinado ao lazer, ao “promenade” (desculpem-me o galicismo, mas é a palavra aplicável aqui) e à opulência (como alguns que conheço), como, aliás, já o Marquês de Pombal referiu em 1773, numa carta (5 de Outubro) que dirigiu ao, então, Reitor da Universidade de Coimbra (Francisco de Lemos) a propósito do projecto para o jardim botânico delineado por Domenico Vandelli (1735-1816) e Giovanni Antonio Della-Bella (1730-1823) e que transcrevemos na íntegra, pois é um documento extremamente elucidativo:
“Reservei até agora a resposta sobre a planta que esses professores delinearam para o jardim botanico, porque julguei preciso precaver a v. ex.ª mais particularmente sobre esta matéria.
Os dictos professores são italianos: e a gente d’esta nação, costumada a ver deitar para o ar centenas de mil cruzados de Portugal em Roma, e cheia d’este enthusiasmo, julga que tudo o que não é excessivamente custoso não é digno do nome portuguez ou do seu nome d’elles.
D’aqui veio que, ideando elles nesta corte, junto ao palacio real de Nossa Senhora da Ajuda, em pequeno espaço de terra, um jardim de plantas para a curiosidade, quando eu menos o esperava, achei mais de cem mil cruzados de despesa tão exorbitante como inutil.
Com esta mesma idéa talharam pelas medidas da sua vasta phantasia o dilatado espaço que se acha descripto na referida planta. O qual vi que, sendo edificado á imitação do pequeno recinto do outro jardim botanico, de que acima fallo, absorveria os meios pecuniarios da Universidade antes de concluir-se.
Eu, porém, entendo até agora, e entenderei sempre, que as cousas não são boas porque são muito custosas e magnificas, mas sim e tão sómente porque são próprias e adequadas para o uso que d’ellas se deve fazer.
Isto, que a razão me dictou, sempre vi praticado especialmente nos jardins botanicos das Universidades de Inglaterra, Hollanda e Allemanha; e me consta que o mesmo succede no de Parma, porque nenhum d’estes foi feito com dinheiro portuguez. Todos estes jardins são reduzidos a pequeno recinto cercado de muros, com as commodidades indispensáveis para um certo numero de hervas medicinaes e proprias para o uso da faculdade medica; sem se excedesse d’ellas a comprehender outras hervas, arbustos, e ainda arvores das diversas partes do mundo, em que se tem derramado a curiosidade, já vistosa e transcendente, dos sequazes de Linneu, que hoje têm arruinado as suas casas para mostrarem o malmequer da Persia, uma açucena da Turquia, e uma geração e propagação de aloes com differentes appelidos, que os fazem pomposos.
Debaixo d’estas regulares medidas deve, pois, v. ex.ª fazer delinear outro plano, reduzido sómente ao numero de hervas medicinaes que são indispensáveis para os exercicios botanicos, e necessarias para se darem aos estudantes as instrucções precisas para que não ignorem esta parte da medicina, como se está praticando nas outras Universidades acima referidas com bem pouca despesa: deixando-se para outro tempo o que pertence ao luxo botanico, que actualmente grassa em toda a Europa. E para tirar toda a duvida, pode v. ex.ª determinar logo, por sua parte, que Sua Magestade não quer jardim maior, nem mais sumptuoso, que o de Chelsea na cidade de Londres, que é a mais opulenta da Europa; e pela outra parte, que debaixo d’esta idéa se demarque o logar; se faça a planta d’elle com toda a especificação das suas partes; e que se calcule por um justo orçamento o que há de custar o tal jardim de estudo de rapazes, e não de ostentação de príncipes, ou de particulares, d’aquelles extravagantes e opulentos, que estão arruinando grandes casas na cultura de bredos, beldroegas, e poejos da Índia, da China e da Arabia.”
Depois de aprovado o novo projecto, em 1774, o Marquês de Pombal enviou a Coimbra o jardineiro do Real Jardim da Ajuda (Lisboa), Julio Mattiazi, como responsável pelo cultivo das plantas no jardim botânico. As primeiras plantas vieram do Real Jardim da Ajuda, tendo sido enviadas para Coimbra por via marítima e acompanhadas por João Rodrigues Vilar, que foi o primeiro jardineiro do Jardim Botânico de Coimbra.
Iniciou-se, assim, a relevante fitodiversidade do Jardim Botânico de Coimbra, que implicou, por razões óbvias, um enriquecimento em zoodiversidade não só na área do jardim, como também em toda a zona circundante.
O Jardim Botânico ocupa uma vasta área (±13,5 ha.) do Vale das Ursulinas, onde corre um pequeno regato que nasce em Celas, e é constituído por duas zonas fundamentais: uma, na parte superior do vale, ajardinada (parte pública) e outra na parte inferior do vale, mais arborizada (a Mata).
A primeira, a área mais formal do jardim, é constituída por alguns terraços em socalco. No socalco inferior está o designado “Quadrado Grande”, que constitui a parte mais primitiva do jardim. Aqui, existem três relevantes árvores que datam dos primórdios do jardim, em que Brotero foi director (1791-1811). São o abeto-da-china (Cunninghamia lanceolata), o cedro-do-japão (Cryptomeria japonica) e uma eritrina (Erythrina crista-galli). Estão ainda em óptimo estado e, por isso, constituem um valiosíssimo património biológico da Universidade. Porém, caiu, em 2000, a árvore que eu considerava a mais antiga do Botânico, a Cupressus macrocarpa, originária da Baía de Monterey (Califórnia), que se encontrava em frente ao refeitório. Esse cipreste-de-monterey talvez tivesse sido plantado antes da fundação do jardim botânico, pelos frades que viviam no convento, onde actualmente está o Instituto Botânico e o Instituto de Antropologia.
A maioria das árvores mais antigas e de grande porte foram plantadas entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, durante a direcção de Júlio Henriques (1873-1918). As árvores que atingem grande altura, mas que se situam na parte pública do jardim, isto é, fora da Mata, não atingem idades consideráveis, pois acabam por morrer electrocutadas por funcionarem como pára-raios. Actualmente, a árvore mais alta do Botânico talvez seja um exemplar de Araucaria rulei F. Muell. ex Lindl., próxima do portão da rua Vandelli, com mais de 50 metros de altura, logo seguida de um alto eucalipto (ca. 50 m), que é a árvore de maior biomassa do jardim (Eucalyptus obliqua), ao lado das escadas que dão para o portão do Seminário e, do outro lado destas escadas, está um outro extraordinário exemplar de eucalipto (Eucalyptus viminalis); outro enorme eucalipto (Eucalyptus cornuta) está no canto junto à confluência da Alameda Júlio Henriques com os Arcos do Jardim e, muito próximo deste, o eucalipto de maior diâmetro do Jardim (Eucalyptus globulus); e, igualmente referenciáveis, são os altos, belíssimos e odoríficos (cheiro a limonete) eucaliptos de casca cinzenta (Eucalyptus citriodora).
Além deste património vegetal, no Jardim Botânico de Coimbra habitam muitos animais, como os esquilos europeus (Sciurus vulgaris), toupeiras (Talpa europaea), morcegos, pequenos roedores, tendo já sido vista uma raposa (Vulpes vulpes), uma doninha (Mustela nivalis), coelhos-bravos (Oryctolagus cuniculus) e muitas aves. Das cerca de quatro dezenas de aves assinaladas, umas são sedentárias, outras invernantes e algumas nidificantes. Algumas das aves que habitam o jardim botânico são espécies raras e protegidas, como as rapinas nocturnas [bufo-real (Bubo bubo); coruja-do-mato (Strix aluco); coruja-das-torres (Tyto alba)], a rapina diurna [milhafre-preto (Milvus migrans)], o pombo-torcaz (Columba palumbus); o guarda-rios (Alcedo athis).; o gaio (Garrulus glandarius); o bico-grossudo (Coccothraustes coccothraustes) e, para finalizar, o raríssimo dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula), tendo já sido vistas, nos viveiros, perdizes (Alectoris rufa).
Claro que também há anfíbios (rãs, sapos e salamandras) e répteis (lagartos e cobras).
Além de toda esta biodiversidade, há a biodiversidade “inconspícua” (invisível), como os invertebrados. Um exemplo disso, foi a descoberta recente (2005-2006) de espécies novas para a ciência de aracnídeos, algumas ainda não publicadas (Nemesia bacelarae; Malthonica oceanica; Sintula iberica; Harpactea sp. nov.).
Manancial de biodiversidade
O Jardim Botânico de Coimbra, como grande parte dos jardins botânicos (cerca de 2.500) é um manancial de biodiversidade (vital para a nossa espécie), uma enorme “fábrica” de biomassa (fotossíntese), com um elevado contributo na despoluição ambiental (consumo de CO2 pela fotossíntese) e excepcional purificador do ar (pelo enorme volume de O2 produzido pela fotossíntese). Além disso, o Jardim Botânico de Coimbra faz parte da rede internacional de Jardins Botânicos (Botanic Garden Conservation International – BGCI), onde se estima que existem cerca de 100.000 espécies de plantas vivas, algumas em vias de extinção, e cerca de 250.000 preservadas em Bancos de Sementes. Estes jardins botânicos são, pois, extraordinárias reservas de biodiversidade e relevantes recursos para a respectiva conservação. Por outro lado, nos jardins botânicos faz-se investigação científica, fundamentalmente aplicada, e educação ambiental abrangente (não tradicional), com dimensão ecológica, económica, cultural e social. Um jardim botânico não é, pois, um jardim qualquer. É um Monumento Nacional e é uma Reserva de Biodiversidade em risco e um Laboratório de Propagação e Preservação da Biodiversidade.
Jorge Paiva - Biólogo

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02-02-07

Museu da Ciência (*) da Universidade de Coimbra

No Largo Marquês de Pombal, Alta de Coimbra, é impossível ficar indiferente ao imponente edifício que alberga o Museu da Ciência. O segredo é entrar e partir à sua descoberta.
Quando se fala de Património Mundial, estatuto a que a Universidade de Coimbra pretende ascender, tem de falar-se de alguns emblemáticos e fundadores edifícios, espólios e tradições que lhe constroem a história de séculos. Vem, portanto, mais que a propósito a escolha do Museu da Ciência – Laboratório Chimico para integrar o ciclo “Coimbra – Uma candidatura a património mundial”, promovido em conjunto pela Livraria Minerva e pelo Rotary Club de Coimbra, Santa Clara.
E, na terça-feira, foi para uma plateia atenta que Paulo Gama Mota traçou o percurso fascinante de um edifício – o Laboratório Chimico – e de um projecto – o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra – que agora se encontraram num mesmo destino: o de tornar visível aos olhos de um público alargado um espólio científico de uma riqueza ímpar em Portugal, conferindo-lhe a unidade desejável dentro de um espírito de pluridisciplinaridade e abertura à sociedade e à problematização/compreensão de temas fundamentais nos dias que correm.
Para Paulo Gama Mota, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra – que viu concretizada em Dezembro último a sua primeira fase no Laboratório Chimico – pretende ser um local de divulgação, mas mais do que isso, pretende ser um local de diálogo entre a sociedade e os cientistas: a ciência que os cientistas produzem, o conhecimento que daí resulta e as problematizações que na sociedade se podem levantar e que surgem relativamente à forma como esses conhecimentos são ou não postos em prática.
Magnífico por si só, o Laboratório Chimico – a primeira janela que se abre sobre o grande projecto que é o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, cuja segunda fase prosseguirá no edifício fronteiro e igualmente notável que é o Colégio de Jesus – tem uma proposta concreta para apresentar ao público: uma exposição permanente que se subordina ao tema “Segredos da luz e da matéria”, na qual a equipa multidisciplinar que pensou o projecto procurou, através de vários processos e meios, transmitir conhecimentos sobre os dois grandes temas em causa.
Ainda de acordo com o director do Museu da Ciência, esses meios são, naturalmente, os objectos reais utilizados ao longo do tempo, quer para demonstração, quer para experimentação, e que são património da Universidade de Coimbra, nomeadamente ampolas de raio X, aparelhos de espectrofotometria, aparelhos cirúrgicos de laser... Enfim, conjuntos muito diversificados de equipamento de épocas diferentes e de diferentes áreas disciplinares. Mesmo porque, para Paulo Gama Mota, a exposição permanente do Museu da Ciência atravessa conhecimentos que vão da Astronomia à Física, passando pela Química, Biologia, Ciências da Vida, Mineralogia, até à Antropologia. No entanto, ainda que tenha este carácter abrangente, há um fio condutor na exposição: a luz e a matéria.
Tendo surgido num momento fundamental da história da Química – o final do século XVIII, quando Lavoisier a “transforma” definitivamente de “alquimia” em “ciência experimental” –, o Laboratório Chimico apresenta todas as características dos laboratórios da época: espaçoso, isolado, bem equipado, ordenado, seguro, bem ventilado, servido de água e fontes de calor.
No entanto, o edifício pombalino de Coimbra, “uma das mais importantes obras de linguagem neoclássica em Portugal”, é o único a chegar praticamente intacto aos nossos dias: situação que pontencia mais ainda a condição de “jóia” de uma coroa científica e patrimonial que, agora, num espaço candidatado a património da Humanidade, assume contornos verdadeiramente extraordinários.
Dada a natureza e as características do edifício, de acordo com Paulo Gama Mota, o museu conta também com a chegada de visitantes integrados numa rota específica de turismo cultural: para esses, além do catálogo, disponibiliza-se uma espécie de viagem virtual ao interior do edifício no século XVIII e XIX.
Entre a guerra e a paz
A pia de pólvora a marcar a entrada no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, no Laboratório Chimico, encerra muito mais que o evidente simbolismo de uma peça fundamental para fixar a memória do edifício. Destacada por Paulo Gama Mota, director do Museu da Ciência, a peça representa sobretudo o percurso entre a guerra e a paz, que foi o do edifício construído propositadamente para o ensino da Química experimental na grande reforma pombalina da universidade.
E, entre a guerra e a paz, o Laboratório Chimico foi um dos importantes protagonistas de um período marcado pelas invasões francesas, na primeira década do século XIX, altura em que a cidade e a região do Baixo Mondego foram ainda assoladas por uma praga de peste: transformado em fábrica de pólvora para combater os invasores, o Laboratório Chimico assumiu pouco depois a produção intensiva de desinfectantes com os quais haveria de combater-se um inimigo ainda mais traiçoeiro que os soldados de Napoleão.
Terça-feira, durante a visita promovida pela Livraria Minerva e pelo Rotary Club de Coimbra, Santa Clara, ao Museu da Ciência, a escritora Helena Rainho Coelho haveria de citar duas passagens do seu romance “As taças da ira” para ilustrar aqueles dois momentos de um significado imenso na vida da cidade e do país.

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26-01-07

Castro do Pópulo (Alijó) (*) poderá ser património mundial 

O castro do Pópulo, em Alijó, poderá vir a integrar a candidatura dos castros do Noroeste Peninsular a património mundial. A comissão técnica que está a elaborar o processo deslocou-se, neste mês, ao local e deixou boas perspectivas às entidades locais sobre a possibilidade da sua valorização. Trata-se de um monumento da Idade do Ferro, que pode assumir-se como um pólo de dinamização do turismo na parte norte daquele concelho.
De acordo com o presidente do município de Alijó, Artur Cascarejo, a comissão técnica ficou "extraordinariamente satisfeita" com as potencialidades do castro do Pópulo, associadas à igreja da Senhora da Boa Morte, ali próxima, rica em frescos do período barroco. Tal aguçou ainda mais a vontade da Autarquia em ver classificado o monumento como património mundial.
Para o concelho, seria ouro sobre azul, já que ficaria com duas zonas abrangidas por aquele estatuto da UNESCO. A sul, o Alto Douro Vinhateiro e, a norte, aquele povoado fortificado. "Este monumento serviria de porta de entrada para um turismo arqueológico no concelho", adianta Cascarejo.
O desejo do edil passa por constituir no município um roteiro de sítios com importância arqueológica, até para complementar o turismo que entra pelas vias fluvial ou ferroviária. Além do castro do Pópulo, o concelho de Alijó tem ainda outros locais de interesse, como são exemplos a anta da Fonte Coberta, em Vila Chã; as gravuras rupestres, em Pegarinhos; a Pala Pinta, em Carlão; o santuário de Parafita e um conjunto de dólmenes.
Como complemento à ligação entre os dois patrimónios, a Câmara pretende que sejam integradas no circuito turístico a aldeia vinhateira de Favaios e um conjunto de miradouros e caminhos durienses, cuja beneficiação está já programada. "No fundo, queremos que os habitantes do concelho possam encontrar no turismo outras fontes de rendimento", refere o edil.
O castro do Pópulo é também conhecido como castro da Touca Rota ou castro de São Marcos. Constituído por duas linhas de muralha, situa-se na extremidade nordeste do planalto de Alijó e é considerado um castro de média dimensão. A favor de uma eventual classificação está ainda a facilidade de acesso ao local, já que a estrada fica a pouco metros.
De acordo com Tiago Gomes, arqueólogo que está a desenvolver alguns projectos para a Autarquia de Alijó, "algumas zonas do castro ainda estão muito bem conservadas", existindo troços de muralha com cerca de três metros de altura. A datação cronológica na Idade do Ferro é atestada pelos vestígios recolhidos no local pedaços de cerâmica de fabrico tosco.

O projecto que será entregue na UNESCO até ao final desta década tem já definidos alguns povoados castrejos, onde a investigação científica é uma realidade há vários anos, reunindo assim as condições indispensáveis para fazer parte da candidatura a património mundial o castro Romariz, em Santa Maria da Feira; a citânia de Briteiros, em Guimarães; o castro Monte Mozinho, em Penafiel; a citânia de Sanfins, em Paços de Ferreira; a cividade de Terroso, na Póvoa de Varzim; a citânia de Santa Luzia, em Viana do Castelo, e o castro de S. Lourenço, em Esposende.
Os anteriormente citados são os mais desenvolvidos, mas há outros que pela sua importância histórica podem estar também na linha da frente, como é caso do castro do Pópulo, em Alijó, e o de Palheiros, em Murça. Fonte JN.

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08-11-06

Eleger as sete maravilhas Portugueses votam na Net

No momento em que se anda a pensar na eleição das novas maravilhas do Mundo, os portugueses têm oportunidade de direccionar a atenção para as maravilhas portuguesas. Apesar de a terra lusa não ter nenhuma "maravilha" em competição, já que a Torre de Belém não passou da pré-selecção, a empresa Realizar decidiu criar as "Sete Maravilhas de Portugal".
O processo de selecção das maravilhas lusas tem início com a escolha de 77 bens, feita por um grupo de sete especialistas da área, como arquitectos, engenheiros e historiadores. O grupo vai analisar uma lista com os imóveis classificados pelo Instituto Português do Património Arquitectónico, num total de 793 edifícios, 12 dos quais classificados pela UNESCO como Património Mundial. Após a primeira escolha, um grupo mais alargado de 77 personalidades nacionais das mais diversas áreas - desporto, política, jornalismo, artes - vai reduzir a lista para apenas 21 monumentos.
A partir desta altura, a escolha das "Sete Maravilhas de Portugal" fica a cargo dos portugueses. Todos podem participar na selecção e para ajudar já foi criado o site "www.7maravilhas.pt", onde é explicada toda a mecânica do projecto, já com imagens dos fortes candidatos a integrar o elenco dos sete escolhidos.

Os votos serão contabilizados a partir do dia 7 de Dezembro e a Realizar tem programada uma digressão nacional para o primeiro semestre de 2007. Nestes seis meses ficaremos a conhecer pormenorizadamente os 21 monumentos escolhidos pelas personalidades, de modo a evidenciar o património nacional e enaltecer a beleza de cada um deles.
Os vencedores das "Sete Maravilhas de Portugal" serão conhecidos antes da cerimónia da declaração universal das novas sete maravilhas do Mundo. O evento internacional irá realizar-se no dia 7 de Julho de 2007, no Estádio da Luz, em Lisboa.
Em 2001, Bernard Weber criou a Fundação das Novas Sete Maravilhas do Mundo, visto as actuais já não existirem ou restando apenas alguns vestígios. Entre os países candidatos para esta cerimónia estavam a Espanha, a Itália, o Dubai e a Malásia, mas Weber considera que "Portugal dá maiores garantias de êxito", por factores como a segurança, estabilidade, experiência na organização de eventos, infra-estruturas, e ainda o bom clima, a antiguidade e o peso histórico. Resta-nos esperar pelos resultados.
Fonte JN 8-11-2006

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31-12-05

OLIVEIRA DO HOSPITAL -Ruínas romanas da Bobadela (*)

Achados arqueológicos descobertos na Bobadela
As obras de beneficiação do piso junto ao Arco Romano na Bobadela trazem à luz do dia sepulturas e outros vestígios arqueológicos.
Sepulturas, pavimentos e muros do tempo dos romanos foram descobertos na Bobadela. Os achados foram encontrados durante as obras de remodelação do piso da zona onde se situa o Arco Romano, junto à Igreja Matriz daquela localidade do concelho de Oliveira do Hospital que na época era designada por "Splendissimae Civitati".
"Até agora foram descobertas cinco sepulturas, pavimentos e alguns muros que pertenciam ao Forum", revelou ao DIÁRIO AS BEIRAS o director regional de Coimbra do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).
José Henriques adiantou que os vestígios arqueológicos "já foram levantados por uma equipa de antropologia da Universidade de Coimbra" e vão ser objecto de estudo.
As obras que estão a decorrer naquele local são da responsabilidade da Câmara de Oliveira do Hospital, estando a ser acompanhadas pelos arqueólogos do IPPAR.
No projecto global que surgirá na Bobadela, através de um protocolo assinado entre o IPPAR, Câmara, IPPAR, Junta de Freguesia e paróquia, constam ainda um Centro de Interpretação das ruínas romanas a ser instalado num antigo edifício que começou a ser construído para ser a sede da Junta mas que nunca foi terminado. Curiosamente este edifício não foi concluído devido a um embargo do IPPAR, uma vez que se situa junto ao anfiteatro romano. O novo espaço servirá para dar a conhecer a história da antiga cidade romana, possuindo ainda um núcleo para exposições com peças que foram sendo descobertas durante as várias escavações que tiveram lugar naquela zona ao longo dos anos.
Serão ainda efectuados diversos arranjos exteriores na rua de acesso ao anfiteatro romano.
O anfiteatro vai ser também recuperado, estando prevista a construção de uma bancada em madeira com capacidade para 400 pessoas. Neste espaço funcionará uma espécie de zona multiusos que poderá ser utilizada em espectáculos de âmbito cultural e desportivo.
Na Bobadela os romanos ergueram um importante centro urbano por volta dos séculos I–IV D.C., como provam os significativos vestígios arqueológicos que hoje restam daquela a que na altura chamaram "Splendidissimae Civitati".
Em Junho de 1910 o arco e a ruínas foram classificadas como Monumento Nacional. Na década de 80 iniciaram–se diversas escavações regulares, destacando–se o achado do anfiteatro romano, colocado integralmente a descoberto. Fonte Diário das Beiras

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25-12-05

Em 1995 a VISÃO fez-se à estrada e avaliou a situação de oito casos de património português. Agora, dez anos depois, regressa aos mesmos locais para saber se algo está a mexer no País dos monumentos por conservar. Por aqui anda também o estado da nação – com muito pouco dinheiro...

Nazaré -Igreja de São Gião (*) São Gião

é, pode dizer-se, uma boa notícia. Já foi um dos casos mais impressionantes de degradação do património português, mas agora parece estar bem encaminhado. Há dez anos, quando a VISÃO lá esteve, encontrou uma igreja praticamente arruinada onde pastavam cabras e ovelhas. Hoje, ainda que as obras de recuperação não tenham terminado, o edifício está limpo e escorado. António Nabais, do Museu Etnográfico e Arqueológico Dr. Joaquim Manso, na Nazaré, considera «exemplar» o trabalho desenvolvido em São Gião. Em 1995 a igreja de São Gião, situada perto da estrada que liga Alfeizeirão à Nazaré, estava na mão de privados. Quatro anos depois, o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) comprou o monumento e a zona envolvente. Uma equipa de arqueólogos da Universidade do Minho acompanhou os trabalhos de limpeza e de escoramento, tendo também realizado escavações que despertaram a atenção de investigadores espanhóis e alemães. Foram encontradas algumas peças do período romano e, pela primeira vez em Portugal, escavaram-se as paredes do edifício, o que permitiu obter, segundo Luís Fontes, «resultados muito interessantes». Aquela que se pensava ser a igreja visigótica mais antiga da Península Ibérica possui, de acordo com este arqueólogo, «uma planta com elementos que aceitam a vinculação aos séculos VII e VIII, mas também tem elementos de plano e de componentes arquitectónicas que aceitam que ela seja mais tardia, vinculando-a aos modelos moçárabes e asturianos». Segundo o director regional de Lisboa do IPPAR, Flávio Lopes, o projecto de restauro (do eng.° João Appleton e dos arquitectos Vítor Mestre e Sofia Aleixo) deverá começar no início de 2006, estando prevista a abertura ao público até ao final de 2007. O engenheiro do IPPAR que acompanha as obras, Hernâni Dias, diz que, «haja dinheiro», «a ideia é manter o ambiente rural e deixar as marcas do tempo». De um templo muito perto do mar. 2005: O IPPAR adquiriu a Igreja de São Gião, na Nazaré, e procedeu ao seu escoramento. O restauro começará em 2006 1995: Quase arruinada, servia de curral

Tarouca-Mosteiro Santa Maria de Salzedas (*)

A obra aqui é quase só de construção civil e arquitectura.» É assim que Luís Sebastian resume a intervenção que o IPPAR iniciou em 2003 no Mosteiro de Salzedas. Jóia cisterciense de raiz românica, o monumento apresenta um emaranhado de obras de diversos estilos, desde o gótico ao renascentista, passando pelo barroco e o neoclássico. Pertença da diocese de Lamego, a meias com um privado, o mosteiro foi cedido ao Estado por um período de 20 anos para ser alvo de profundas obras de restauro. De mangas arregaçadas, em perfeita sintonia com o responsável técnico do IPPAR, o padre Seixeira conseguiu mobilizar uma boa parte da população para a importância de preservar um monumento que, em tempos, era alvo de saques constantes. Com o claustro em risco de desabar a qualquer instante, a primeira intervenção foi no sentido de o recolocar na posição adequada, o que foi conseguido com a prestimosa colaboração de um construtor especializado e ao arrepio de algumas opiniões da maioria dos engenheiros que consideravam tal deslocação impossível de efectuar. O segundo passo, ainda em curso, é impedir as infiltrações de água pelas paredes cujos estragos são ainda bem visíveis nos frescos e na talha dourada. Se tudo correr como previsto, a obra estará concluída durante o próximo ano. 1995: Toda a igreja estava coberta de humidade e o claustro ameaçava ruir 2005: O claustro está a salvo e o resto das obras prossegue em bom ritmo

Crato-Mosteiro da Flor da Rosa (**)

Há dez anos, a pousada que a ENATUR estava a construir no Mosteiro de Santa Maria da Flor da Rosa não era propriamente uma obra consensual. Hoje, não só já ninguém põe em causa a volumetria do projecto do arquitecto Carrilho da Graça como o equipamento hoteleiro é apontado como um exemplo que alia a recuperação do património ao desenvolvimento turístico. Perante a solução, diz Ana Cristina Pais, da Direcção Regional de Évora do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), que «a instalação deste tipo de equipamentos comporta sempre um peso estrutural». «Não é a mesma coisa que conservar uma ruína», explica. Ao mosteiro, onde estão instalados dez quartos, foi acrescentado um edifício longitudinal com mais 14 quartos, o que confere maior capacidade à pousada com uma taxa de ocupação anual de 70 por cento. E, numa região especialmente atingida pelo desemprego, a Flor da Rosa assegura ainda 31 postos de trabalho à população da zona. A restante parte do mosteiro, a da igreja, continua afecta ao IPPAR. E, neste momento, ainda não pode ser visitada. A primeira fase do projecto de obras de recuperação, que envolveu escavações arqueológicas e a instalação de um sistema de drenagem para resolver o problema das infiltrações no interior do mosteiro, foi concluída em 2003. Desde então que se aguarda financiamento para a segunda fase da obras orçadas em 950 mil euros. Talvez em 2007, o mais tardar em 2008, haja ali um núcleo museológico. 1995: Discutia-se a volumetria da pousada que então estava a ser construída 2005: Ninguém contesta o equipamento hoteleiro, mas a igreja está fechada para obras

Batalha-Igreja de Santa Maria-a-Velha

Os 63 anos de António Moniz, guarda do Mosteiro da Batalha, permitem-lhe recordar a Igreja de Santa Maria-a-Velha, soterrada pelo regime do Estado Novo. Fala dela já sem telhado e também das casas que, muito de perto, circundavam o monumento mandado erguer por D. João I. «Nalguns sítios não passava sequer um carro entre as paredes do mosteiro e as das casas da vila», conta. Depois, na década de 60, toda a zona envolvente do mosteiro foi elevada e, com ela, desapareceu o que restava da antiga igreja matriz destinada aos trabalhadores que construíram o mosteiro. O local, junto às Capelas Imperfeitas, está hoje assinalado por uma lápide. Em 1995, a VISÃO dava conta de a EDP ter aberto uma vala na zona onde se encontra soterrada a igreja, bem como da intenção da Câmara da Batalha de realizar escavações no local. O pedido seguiu em 2002, mas o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) não autorizou, alegando que «não havia vantagem na abertura de novas frentes de escavações arqueológicas na área». O actual director regional de Coimbra do IPPAR, José Maria Henriques, esclarece que na altura havia outras prioridades. «E hoje o mosteiro continua a ser a nossa prioridade», acrescenta. O presidente da autarquia, António Lucas, por seu lado, mantém o interesse em revelar uma parte das fundações de Santa Maria-a-Velha: «Com base nos pareceres dos nossos técnicos, seria importante permitir que as pessoas conhecessem um pouco mais da nossa história». O arqueólogo-geólogo António José Teixeira defende que as escavações serviriam para «recuperar algo da traça medieval»: «Parece que o mosteiro cai aqui de pára-quedas. O mosteiro hoje já não diz nada à vila nem a vila diz nada ao mosteiro. E a maneira de tentar recuperar isto é reaver o máximo de estruturas soterradas para que haja um diálogo entre o urbano antigo e o urbano contemporâneo». 1995: A Câmara pretendia realizar escavações no local onde o templo está soterrado 2005: O IPPAR continua a não autorizar os trabalhos

Barrancos-Castelo de Noudar (*)

O caminho até Noudar está indicado logo na primeira rotunda à entrada da vila. A partir daí segue-se em direcção ao rio e, depois, são ainda mais 11 quilómetros de estrada de terra batida pela Herdade da Coitadinha. Lá do alto, Barrancos já fica longe e, por entre montes e vales da raia alentejana, o horizonte quase se perde de vista. Passando a porta de madeira do castelo, o cenário é, porém, menos animador. A igreja está de pé e existem três casas reconstruídas, mas o resto como que está? entregue aos bichos. Literalmente: no local, há cabras, rolas, galinhas, galos, perdizes e um cão. Virá alguém à noite para os recolher? De acordo com as informações recolhidas há dez anos pela VISÃO, já então se falava na hipótese de a Câmara poder vir a exercer o direito de preferência na venda do Castelo de Noudar. Assim foi: a Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva (EDIA) adquiriu os mil hectares da herdade (com o objectivo de ali desenvolver um projecto de compensação pela perda de habitats na sequência da construção da barragem) e a câmara ficou com o monumento, abrindo-o ao público. O arqueólogo Miguel Real trabalhou no local, tendo encontrado algumas estruturas de uma basílica do século VI, uma parte do cemitério medieval e uma casa do século seiscentista. Hoje, na zona que para Cláudio Torres «foi um pequeno povoado na época islâmica», suspenderam-se todos os projectos de investigação. A prioridade, para o vereador da Câmara de Barrancos, Francisco Bossa, é reconstruir a torre oeste, que está em ruínas. 1995: Estava à venda 2005: A Câmara comprou o monumento, que está hoje praticamente abandonado

Idanha-a-Nova-Aldeia de Monsanto (***)

Pelas ruas ladeadas de fragas de granito, a subida até ao castelo é tão íngreme que alguém do grupo de excursionistas até confessa que não sabe bem como é que lá conseguiu chegar. São da Margem Sul e seguem viagem ainda hoje. Como a maior parte dos visitantes de Monsanto, também eles não ficam para dormir, o que nada abona a favor do negócio de Rodrigo Ferreira, que explora a antiga pousada. Nos últimos anos, na aldeia que numa década perdeu 25% dos seus eleitores procedeu-se ao enterramento dos cabos de electricidade e de telefone, à inauguração do posto de Turismo e à abertura dos pólos museológico e gastronómico. A democracia preserva a «aldeia mais portuguesa de Portugal» sob a designação de «aldeia histórica». A desertificar-se? 1995: Ameaçava tornar-se num museu 2005: Perante a desertificação, cresce a aposta no turismo

Tarouca- Mosteiro de São João de Tarouca (**)

Foi à procura de isolamento e de contemplação mas também de uma confluência de linhas de água, fundamental para o desenvolvimento da agricultura, que em 1154 os «monges brancos» se instalaram no vale profundo da serra de Leomil. Abandonado em 1834, o mosteiro de São João de Tarouca – o primeiro da Ordem de Cister em Portugal – foi vendido em hasta pública e desmantelado pelo então proprietário para reaproveitamento da pedra. Classificado como monumento nacional em 1956, já então propriedade do Estado, o imóvel permaneceu quase ao abandono até 1996. Umas pequenas operações de cosmética não impediram a ruína acelerada dos dormitórios nem travaram a degradação dos frescos e do restante mobiliário da igreja. Em 1998, com a instalação de uma equipa de arqueólogos do IPPAR, o projecto de recuperação e valorização do conjunto monástico deu o passo decisivo. O restauro da igreja e todo o recheio foi a prioridade, e o melhor sinal do sucesso alcançado com a operação é dado pelos mais de 3 500 visitantes anuais. A equipa liderada por Luís Sebastian, vai prosseguindo as escavações arqueológicas que, após 20 camiões de terra, tirada à mão, revela já «com mais de 250 mil cacos, uma das maiores amostras de faiança portuguesa». O final dos trabalhos está previsto para 2006, altura em que será discutida a musealização, para a qual Siza Vieira já elaborou um anteprojecto. 1995: Encontrava-se em adiantado estado de degradação 2005: A igreja foi completamente recuperada e aberta ao público

Montalegre Mosteiro de Santa Maria das Júnias (**)

Os mais de 20 minutos a pé por um antigo caminho carreteiro desde a aldeia de Pitões não fazem esmorecer os inúmeros visitantes de um mosteiro que já conheceu dias melhores. Consagrado à Senhora das Unhas, que por derivação fonética se tornou Senhora das Júnias, o monumento é classificado. É ao Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) que cabe a responsabilidade de zelar por uma obra cuja propriedade é da Igreja. Depois de uma sondagem arqueológica realizada em 1994, complementada por um estudo do edificado, a mudança de direcção do PNPG travou os trabalhos. De mãos atadas, a autarquia de Montalegre, através do vereador da Cultura, é que não cala a indignação. Para Orlando Alves, a responsabilidade maior «no estado de degradação do mosteiro é do IPPAR, que já decidiu há muitos anos que aquilo é para deixar cair». 1995: Em avançado estado de degradação 2005: As ruínas continuam expostas às intempéries e ao vandalismo. IN VISÃO nº 654 15 Set. 2005

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04-11-05

Cinco meses de obras para mudar Avenida dos Aliados
renovação Requalificação, da responsabilidade da Empresa do Metro, arranca no início da próxima semana Passeios, faixas de rodagem e placa central terão o mesmo piso granito
Polémica quanto baste, a empreitada de requalificação da Avenida dos Aliados, no Porto, arrancará no início da próxima semana, apurou o JN, junto da Metro. Empresa e Câmara do Porto estão a ultimar, por estes dias, os preparativos da operação (nomedamente no que concerne aos desvios de trânsito), que vai durar cinco meses. Pelo menos, se for cumprido o prazo de execução do projecto, que é de 150 dias. Em Março do próximo ano, a "sala de visitas" da cidade estará completamente diferente, segundo o traço dos arquitectos Siza Vieira e Souto Moura. Investimento estimado 4,8 milhões de euros.
Estátua dará meia volta

A calçada portuguesa desaparecerá dos passeios, que ficarão com um piso semelhante ao das faixas de rodagem e serão mais largos. A placa central da avenida emagrecerá. Os antigos canteiros serão substituídos por árvores ao longo de toda a artéria, mas com maior densidade junto nas imediações da Câmara do Porto, para onde foi projectada uma fonte. Ali serão colocados, também, 30 bancos. Os condutores continuarão a usufruir de três faixas de rodagem, em cada sentido, sendo que, contudo, uma delas será destinada a transportes públicos. A estátua de D. Pedro IV dará meia volta, virando-se para os Paços do Concelho.
As alterações são muitas e nem os elogios do IPPAR (Instituto Português de Património Arquitectónico) esmorecem a indignação de associações ambientalistas e de defesa do património, que contestam a mudança radical de um dos mais emblemáticos locais da cidade. O facto da comissão parlamentar que está a apreciar uma petição popular contra a empreitada ainda não ter elaborado um relatório final também não impede que as máquinas avancem no terreno.
O fim da calçada portuguesa é uma das principais objecções de quem contesta.
A opção dos arquitectos foi fazer tudo - passeios, arruamentos e placa central - com cubos de granito em "rabo de pavão" (o novo piso já é visível nos acessos às estações subterrâneas do metro). Uma medida que passou, também, pela convicção de que o facto do piso da estrada ser igual ao do passeio favorece a circulação mais reduzida dos automóveis.
O projecto de Siza Vieira e de Souto Moura é pormenorizado. Os arquitectos indicam quais os materiais a usar nos mais diversos equipamentos guias, rampas, sumidouros, caldeiras, marcos de incêndio, tampas de pavimento, ecopontos, fonte, armários para cobrir caixas de electricidade, papeleiras, cadeiras, quiosques, cabinas telefónicas e iluminação. O objectivo também passa por uniformizar o mobiliário urbano.
A requalificação da Avenida dos Aliados centrar-se-á na área compreendida entre a Câmara e o Palácio das Cardosas. Mais tarde, avançará a requalificação da Praça de Almeida Garrett/Avenida da Ponte e da Rua de Camões, entre a estação da Trindade e Gonçalo Cristóvão. Estas duas obras ainda não foram sequer adjudicadas. Deverão ficar prontas até ao final do primeiro semestre de 2006.
Pormenores
Duração das obras
O período de duração das obras dependerá, sobretudo, da dimensão das muitas alterações ao trânsito que é preciso efectuar. Se forem permitidos desvios mais fortes, a empreitada demorará menos; se forem mais ligeiros, os trabalhos terão de decorrer a ritmo mais lento.
Memórias do passado
O mobiliário urbano recupera alguns dos materiais usados noutros tempos, como os candeeiros (idênticos aos do princípio do século) e os telefones públicos (regresso das cabinas vermelhas).
Calçada noutra rua
A calçada portuguesa,nomeadamente os desenhos, serão colocados na Rua de Sampaio Bruno (pedonal). Fonte JN (4-11-2005)

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24-10-05

Gouveia- Estrada Nacional 232 (**) na Serra da Estrela (****) vai ser requalificada  nos seus pontos de estadia

hpim5573

Gouveia- Estrada Nacional 232 (**) na Serra da Estrela (****) vai ser requalificada  nos seus pontos de estadia

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce...

Fernando Pessoa

Quando leccionei em Gouveia, afligido sob um vendaval pessoal que me  atingia, ia muita vez recolher água das fontes desta magnífica estrada na Serra da Estrela (Cabeça do Velho, Mondeguinho..).

Devido a minha formação científica apercebi-me que as nascentes, pontualmente, continham problemas de potabilidade; além disto alguns locais estavam completamente degradados. Com a colaboração da C.M. de Gouveia, e executando o projecto com a  arquitecta paisagista Ana Riscado conseguimos o desejado. Falta agora adjudicar a obra.

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16-10-05

Arte rupestre móvel no Côa (Património Mundial da Humanidade) (*****)

Escavações põem a descoberto 60 placas de ossadas de animais Sítio do Fariseu é chave da arqueologia peninsular
O Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC) é uma autêntica caixa de surpresas duas escavações recentes puseram a descoberto 60 placas de arte rupestre móvel e ossadas de animais pré-históricos. Foram ainda identificados dois novos painéis fixos gravados, que se encontravam soterrados por níveis ocupados no Paleolítico Superior. A data mínima é de 18 mil anos, sendo que os painéis móveis terão entre 12 e 11 mil anos de existência.
"É uma fase artística muito importante que agora temos a sorte de poder estudar", salientou Thierry Aubry, arqueólogo que coordenou a escavação. Os achados fizeram do Fariseu o "sítio chave da arqueologia no Côa e, até, em todo a Península Ibérica", reforçou o director do Centro Nacional de Arte Rupestre (CNART), Martinho Baptista. A arte móvel surge associada a habitats humanos da época e vai permitir estabelecer comparações com as gravuras de painéis fixos. As ossadas ajudarão a perceber que animais eram caçados e consumidos e, ainda, possibilitar datações mais fidedignas.
Segundo Thierry Aubry, a arte móvel é composta por pequenas placas de xisto (algumas com pouco mais de 20 centímetros quadrados) em que o Paleolítico desenhou motivos muito semelhantes aos que se encontram nas rochas fixas. O tipo de desenho é, geralmente, filiforme, ou seja, de difícil observação para leigos na matéria. A utilização de uma luz rasante é a melhor opção para o perceber. No futuro, a arte móvel poderá ser observada Museu do Côa.
Santuário de arte
A campanha de escavações que anteontem terminou, com a participação de equipas do PAVC e do CNART, realizou-se na sequência da intervenção de 1999, aproveitando uma descida temporária do nível das águas da albufeira do Pocinho. Na altura, Aubry tinha descoberto já duas peças de arte móvel. Desta vez foi pedida a colaboração das entidades que gerem o nível da barragem, de modo a permitir escavações numa zona submersa.
Para Martinho Baptista, o grande trunfo para o futuro era "conseguir que o local não voltasse a ser inundado". A abertura ao público está dependente da manutenção do caudal do rio Côa, o que poderá conseguir-se mediante uma obra de engenharia. "Só assim será possível mostrar a melhor colecção de gravuras sobrepostas do Vale do Côa", frisou o responsável.
Para Thierry Aubry, a importância dos achados justificava que o caudal do rio Côa descesse a um nível que permitisse mais escavações, pois crê que poderá existir no sítio do Fariseu um "santuário de arte rupestre". Fonte JN 16-10-200

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10-10-05

Trancoso-campo da Batalha de São Marcos (*)

Alicerce reforça valor histórico de S. Marcos

Arqueólogos encontraram vestígio da capela primitiva em cujas imediações terá ocorrido uma das famosas batalha da independência
O campo da Batalha de S. Marcos, em Trancoso, viu recentemente confirmada a sua importância histórica após a descoberta de um alicerce, com cerca de um metro de altura, que se estima pertencer à antiga capela de S. Marcos. O achado ocorreu no âmbito das primeiras escavações para o projecto de requalificação e valorização do Terreiro da Batalha de Trancoso, que resulta de uma parceria entre a autarquia e a Fundação Aljubarrota. Esta instituição tenciona criar em Portugal uma rede interpretativa de sítios onde se travaram as principais batalhas da Independência (Aljubarrota, Trancoso e Atoleiros).

No caso de S. Marcos, havia ainda que alicerçar as hipóteses lançadas por vários historiadores quanto à existência, e posterior incêndio, de uma capela. De acordo com as crónicas de Fernão Lopes e os relatos de D. João I, o templo originário terá sido queimado por D. João de Castela em 29 de Maio de 1385 como vingança pela derrota castelhana na famosa batalha trancosense. No entanto, o historiador Salvador Dias Arnaut defende que a refrega aconteceu perto da capela.
Foram estes relatos que estiveram na origem da reconstrução do actual templo, também uma forma de evocar uma batalha decisiva para a independência de Portugal em que os castelhanos foram deixados a "pão e laranjas", como rezam as crónicas.
"Este alicerce parece ter pertencido a um grande edifício, como devia ser a antiga capela, e pode ser o comprovativo que faltava", refere Maria António Amaral, arqueóloga da Fundação Batalha de Aljubarrota, mas a trabalhar em representação do IPPAR neste caso, que alerta para o facto de tudo não passar ainda de "suposições".
Nesse sentido, as prospecções vão prosseguir, como está estipulado no projecto de arranjo paisagístico e de construção do Centro de Interpretação daquela batalha. Os arqueólogos vão agora estudar o local que Salvador Dias Arnaut indica como tendo sido o epicentro da batalha, para além doutros pontos do terreno. Fonte JN (10-10-2005) 

Vale do Douro (Património Mundial da Humanidade) (*****)

Terra de onde um ateu duvida e a fé de um crente esmorece, escreveu António Barreto
Ovale do Douro! Dele escreveu António Barreto que é um "espectáculo que nos reconcilia com a Natureza". Eça de Queirós, então, foi categórico "O Douro é a prova provada de que a Natureza só é Natureza depois de transformada pelo Homem". Navegável depois de Outubro de 1990, o rio, escreveu António Barreto, deixou de ser feroz e selvagem para nele se poder praticar o wind-surf e a vela. Os rabelos são, hoje em dia, um simples cartaz turístico e, em seu lugar, sulcam as águas barcos carregados de turistas extasiados com a beleza inesgotável das encostas e arribas onde o homem construiu socalcos de terra e xisto para nele produzir o vinho que tem o nome da cidade do Porto.

Ora rude ora sereno, o Vale do Douro surpreende-nos nos encontros amigáveis com os seus afluentes como o Côa, o Corgo, o Varosa, o Tábua, o Pinhão, o Torto, o Tua e o Sabor, mas o que fica na retina de todos nós são aqueles espantosos socalcos, "feitos a braços e a sangue" de transmontanos, galegos e durienses que, segundo ainda António Barreto, tudo fizeram "os muros porque as encostas eram a pique; a terra porque o solo era de rochas; a vinha porque a mata era dos lacraus". Mas o que surpreende nesta terra de clima mediterrânico até mais não poder é o facto de se poder encontrar ainda plantados o imprevisível sobreiro, as bíblicas oliveiras e uma variedade imensa de frutas. Tudo junto faz com que ao contemplar-se a paisagem do alto de S. Salvador do Mundo ou em S. Leonardo de Galafura, um "ateu duvide e a fé do um crente esmoreça", de acordo com António Barreto.
Cá por mim, o Vale do Douro é tudo isto mas também o encontro com a terra de minha avó paterna e de minha mãe, nascida em Peso da Régua. Com a primeira passava, menino e moço, a Páscoa e as vindimas em Caldas de Moledo, onde ela veio ao Mundo, nos finais do século XIX. Nesse tempo de vinho e rosas, encontrava-me com os tios Alberto e Leonor, Armindo e Mimi, com os primos Rui e Isabel, Madalena, Jorge e Abel, os três últimos na Quinta da Bela Vista, em Fontelas. Mas os tentáculos da amizade levavam-me ainda a Santa Marta de Penaguião, Lamego e Vila Real. Era uma festa contínua, com o tempo a escorrer lentamente na respectiva ampulheta. Tomava-se banho no rio, ainda revolto, à vista temerosa da avó Adelaide e sob a vigilância atenta do barqueiro que fazia travessia das águas naquele ponto onde, conta a lenda, o Zé do Telhado passava de Lamego para as encostas do Marão onde praticava as tropelias de todos conhecidas.
Disto tudo me lembrei no momento em que li no JN que está em "banho maria" mais um "manifesto pelo Douro". Segundo Ermelinda Osório, o documento só ainda não foi divulgado publicamente porque decorreu até anteontem a campanha eleitoral para as autarquias e convinha não confundir alhos com bugalhos. Diz a nossa companheira de trabalho que o manifesto, subscrito por 350 personalidades de diferentes áreas e 26 autarcas da região, sugere intervenções concretas para combater problemas como o declínio demográfico, o envelhecimento populacional ou a taxa de analfabetismo, que ronda os 17% na região. O "manifesto pelo Douro" é já do conhecimento do primeiro-ministro e corre, neste momento, a via sacra das comissões parlamentares.
Ao longo de quase 40 anos de actividade profissional, li múltiplos trabalhos e acompanhei inúmeros congressos, conferências e debates sobre o Vale do Douro. Num deles, ocorrido em 1998, na Alfândega do Porto, representantes espanhóis de Castilla-Leon deixaram bem expresso o quanto lhes interessava a navegabilidade do Douro para o desenvolvimento da sua região, também ela a sofrer com o declínio demográfico e o envelhecimento populacional. As suas ideias, porém, caíram em saco roto e temo que este manifesto tenha o mesmo destino. Fonte JN (10-10-2005). Jorge vilas jornalista

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