18-09-06
Gravuras Rupestre de Siega Verde (**)- (Espanha para portugueses)
Quem quiser aprofundar as suas impressões sobre a muldividência paleolítica deve conhecer esta estação arqueológica, situada no rio Águeda, onde aqui, ainda não escoa em desfiladeiro apertado.
Para quem chega a primeira impressão é de desapontamento, pois o centro de recepção encontra-se fechado e com um ar devoluto. Na porta a informação de que a estação abre apenas ao fim de semana. O conjunto arqueológico está cerrado e defendido com arame farpado em todo o perímetro.
Este destemido viajante tenta encontrar alguma lacuna, para poder saltar, mas nada encontra e ainda estraga uma camisa. Observa que na margem direita do rio, pouco profundo, o único obstáculo é a água; atravessa então a ponte, tira as calças e tenta atravessa-lo, com algum perigo, principalmente porque os seixos arredondados e os limos tornam a travessia aventureira, principalmente para a sua máquina fotográfica. Um bando de inúmeras de aves de rapina, em quantidade assombrosa, como nunca vi, esvoaçava a baixa altitude.
São 14 painéis que mostram a arte paleolítica com grande expressividade; algumas gravuras foram infelizmente recentemente avivadas e degradadas. São muito eloquentes, com os “nossos” conhecidos auroques, caprídeos, cervídeo e principalmente cavalos. A idade das gravuras situa-se no Paleolítico Superior, em redor dos 18000 anos.
Este lugar é um importante e muito raro santuário paleolítico ao ar livre, e é bastante semelhante ao ambiente que rodeia os restantes núcleos que visitei: Vale do Côa (*****), Cavalo de Mazouco (*) e Domingos Garcia em Segóvia.
Siega Verde, no rio Águeda é bastante próxima do rio Côa, a meio caminho entre Almeida e Ciudad Rodrigo e é de crer que fizessem parte do mesmo contexto, mas o Parque Arqueológico do Côa, é incomparavelmente maior e com maior diversificação artística e de maior amplitude temporal.
A semelhança do Fuerte de la Concepcion, é uma dor de alma ver toda esta região esquecida pelo poder central espanhol, bem a semelhança de raia portuguesa.
Nota pessoal:
Na parte final da visita assustei-me porque um automóvel da Guarda Civil se colocou a barrar o caminho do outro lado do rio. Eu não devia estar ali! Mas acabei de ver todos os painéis, pois não sei quando aqui voltarei. Atravessei de novo o rio e arranquei calmamente com o carro, passei pelos benevolentes defensores da ordem, e acenei-lhes - Adios Muchachos!
Não era de mim que eles estavam à espera.
29-05-06
Dimensões 4,80x3,60m. Óleo. Ano:1586-1588
O Enterro do Senhor de Orgaz (****) (Obra de El Greco em Toledo na Igreja de São Tomé)
Fui visitar a Capela da Senhora da Teixeira (Torre de Moncorvo), que tem como originalidade possuir um conjunto de frescos em estado deplorável de conservação do último quartel do século XVI e que recobrem quase inteiramente as suas paredes interiores; é nossa função recuperara-los com celeridade, senão correm o risco de se desfazerem.
Trabalhou aqui mais que um autor, e um deles, sem dúvida o melhor, denota influência do genial pintor El Greco, respeitando obviamente as infinitas diferenças entre eles.
Foi este que esteve em moda durante quase todo o século XX, mas nas últimas décadas o gosto dominante virou-se pelo andrógino, pelo naturalismo brutal e as sombras misteriosas de Caravagio. Também eu prefiro este, mas quando penso em Domenico Theotokopoulos e vem-me a memória a sua obra prima, O Enterro do Conde Orgaz, que recentemente visitei na Igreja de São Tomé em Toledo perante uma multidão de boquiabertos turistas, das mais diversas proveniências.
Trata-se de uma das mais belas pinturas da história da humanidade. Duma beleza imensa, o quadro representa a ascensão ao céu da alma do Conde.
O quadro tenta oferecer uma resposta, para o desenlace da morte (um dos maiores receios e angustia da humanidade desde o Paleolítico até hoje) como esperança cordial para a vida eterna ao lado de Cristo.
As personagens agrupam-se magistralmente criando espaços a diferentes alturas, enquanto as figuras mantêm a estilização, a frieza e o misticismo característico do autor e do espírito da Contra-Reforma.
Entre o muito que há para reparar, toca-me particularmente o embrião (a alma) que o anjo na parte central liberta para a bem-aventurança.
Tenho que concluir rapidamente este post, senão recebo a crítica de me dedicar excessivamente aos locais notáveis do país vizinho; mas a minha vontade era escrever sobre Santo Ambrósio ou Santo Agostinho que amparam o Conde, a nobreza Castelhana do século XVI, o auto-retrato de El Greco... e aquele maravilhoso céu (como os cinzentos podem ser soberbos) que exala um mistério empíreo, feérica esperança renovada na eternidade, segundo a visão teológica estrita cristã tridentina.
Nota: Não perca outras informações do quadro em http://www.santotome.org/index-2.htm
24-04-06
Locais Notáveis do Centro Histórico de Toledo (*****)
Panorama do Parador de Toledo (****)
Catedral (****)
Sinagoga del Tránsito (Museu Sefardita) (****)
Iglesia de San Román com minarete e museu da cultura visigótica (****)
Quadro do Enterro do Conde de Orgaz, na igreja de São Tomé (***)
Sinagoga de Santa María la Blanca (***)
Monasterio de San Juan de los Reys (***)
Porta de Afonso VI (***)
Ponte de São Martín (***)
Ponte de Alcántara (***)
Panorama do Museo de Victorio Macho (**)
Porta del Sol (**)
Porta de Cambrón (**)
Porta da Bisagra (**)
Iglesia mudéjar de Santiago del Arrabal (**)
Mesquita e Ermida del Cristo de la Luz (**)
Plaza de Zocodover (*)
Circo Romano de Toledo (*)
Não visitei: Museu de Santa Cruz, Alcázar, Casa-Museu de El Greco, Hospital de Tavera (Museu Duque de Lerma), etc.
Toledo (Património Mundial da Humanidade) (*****)
Toledo é uma das mais belas cidades da Península Ibérica. É uma lição de história e um deleite aos sentidos passear no seu casco antigo; é uma autêntica viagem no tempo...verdadeiramente impressionante. É também conhecida como a “Cidade das Três Culturas” ou a “Cidade Imperial”.
Entre as múltiplas facetas de Toledo, aquela que mais me impressiona, é a fusão cultural e religiosa- cristã, judaica e muçulmana, que se entende nos seus esplêndidos minaretes, mesquitas, sinagogas e igrejas que traduzem vários credos.
Toledo foi cidade celtibérica; importante urbe romana; capital do reino Visigodo; importante cidade muçulmana, foco de rebelião frente ao califado de Córdoba, durante o domínio sarraceno, a par de Córdova, foi o centro cultural mais brilhante do Mundo Ocidental do Séc. X; centro intelectual e cultural nos séculos XII e XIII; foco de irradiação artística mudéjar; capital do império de Carlos I; centro episcopal da igreja Espanhola; cidade onde viveu o genial El Greco e onde a cidade guarda muita das suas obras.
Todo este conjunto belíssimo e a miscelânea cultural, que fazem do seu centro histórico uma autêntica cidade museu, mereceram que em 1987 a UNESCO declarasse Toledo como "Cidade Património Mundial da Humanidade.
04-03-06
Real Fuerte de la Concepción (**) (Comarca de Ciudad Rodrigo)
Em Aldea del Obispo, a pouco mais de uma meia dúzia de quilómetros de Almeida, na fronteira Portuguesa de Vale de Mula, podemos visitar o extraordinário, mas arruinado Real Fuerte De La Concepción (**), construído entre os séculos XVII e XVIII; e que simboliza a par da rival Fortaleza de Almeida (***) os conflitos entre os dois estados da Península Ibérica. Infelizmente o forte encontra-se num estado calamitoso. E ainda dizemos mal da nossa Pátria!
Previno desde já o turista que, se pretende entranhar-se no Corpo Principal do Forte, terá que avançar sobre arame farpado e desafiar manadas fleumáticas de touros que o miram com indiscrição. Eu consegui, apesar de ter sentido alguma apreensão...mas nada detém este intrépido viajante!






