Portugal Notável

Valor Universal (*****) Muito Notável (***) Notável (*)

19-11-05

Misericórdia de Coimbra / Colégio Novo / Colégio da Sapiência / Colégio de Santo Agostinho

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Coimbra-Centro Histórico de Coimbra (****)- Misericórdia de Coimbra/Colégio Novo / Colégio da Sapiência / Colégio de Santo Agostinho

Este é um dos locais em Coimbra, mais ignorado turisticamente, mas onde eu viajo frequentemente. E relembro nele amiúde a história pungente do meu bisavô recolhido no colégio dos órfãos.

É um imponente edifício, com uma grandiosa fachada voltada para o Mondego e para a parte baixa da cidade. Em ambos os lados erguem-se grandes frontões triangulares, ladeados por altas pirâmides e servindo de moldura à estátua austera de Santo Agostinho.

A sua construção foi iniciada em 1593, pelo cónegos regrantes do Mosteiro de Santa Cruz, destinado a instalarem nele os colegiais de artes e ciências, desta importante ordem religiosa. Após a extinção das ordens religiosas em 1834 foi sucessivamente: tribunal judicial, recolhimento dos órfãos, abandonado em 1967 após violento incêndio e é actualmente ocupado pela Misericórdia de Coimbra e pela Faculdade de Psicologia e Educação da Universidade de Coimbra.

A entrada para a igreja e para os dois claustros, faz-se por um portal neoclássico com os escudos dos reinos de Portugal e do Brasil. Ao lado da fachada, toda ela plena de sobriedade, ergue-se a Torre dos sinos, idêntica à da Torre da Universidade de Coimbra.

A Igreja é um bonito templo estilisticamente fora do âmbito da arquitectura coimbrã típica. É constituída por uma só nave, precedida de amplo coro alto.

Destaca-se ainda no vasto conjunto, o museu da Misericórdia, aberto em 2000, e que exibe o seu valioso espólio e onde se destacam 5 óptimas telas maneiristas de André Gonçalves. Deste vasto conjunto destaco dois pontos notáveis:

- o belo panorama da torre-mirante (*),

- o claustro renascentista (*).

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Coimbra- Centro Histórico(****)-Colégio de Santo Agostinho/Misericórdia de Coimbra- claustro renascentista (*)

Este claustro renascentista (*), é nesta tipologia arquitectónica, um dos melhores do País. A sua concepção deve-se muito provavelmente a Pedro Nunes Tinoco ou mesmo a Filipe Terzio. Tem algumas semelhanças com o admirável claustro renascentista de Tomar (**).

Na cartela do arco central do claustro, pode ler-se a data de 1596, ano da sua conclusão. 

Tem planta rectangular e é de dois pisos, sendo inferior da ordem dórica e o superior da jónica, e marca a clara ruptura com os habituais claustros da renascença coimbrã, visíveis na rua da Sofia. A galeria inferior é toda coberta de arestas decoradas, e as paredes laterais são revestidas por um lambril de azulejos dos finais do século XVII ou do início do século XVIII.

Apesar da sua aparente frieza maneirista, a sua beleza é por demais evidente, no seu ornato linear e  na sua geometria itialiana.

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Coimbra- Centro Histórico(****)- Colégio de Santo Agostinho/Misericórdia de Coimbra- Panorama da Torre-mirante (*)

Quem sobe ao alto da Torre, não pode deixar de ficar esmagado perante a magnífica da “colina sagrada”; descendo em cascata até ao lençol de água do Mondego. É um local ideal para reparar, pensar e sentir esta cidade.

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12-11-05

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                                             Fotografia retirada do site da DGMN

Coimbra- Casa de Sub-Ripas / Paço de Sub-Ripas / Paço de Sobre-Ribas (*)

“A construção deste palácio, se por um lado lhe dá, pela sua solidez e rudeza, um aspecto quase guerreiro, como dependência da muralha e torre a que aderiu, por outro lado assume as graças e ornatos duma residência da Renascença. A sua porta manuelina, tão rica e original de motivos coroados por graciosa moldura dentro da qual sobressai uma cruz corroída de troncos, algumas das suas rendadas janelas, o tom lentamente escurecido dos muros, o efeito cénico do arco, até a estreiteza da rua e a meia luz que a banha, dão a esse lugar um cunho próprio onde se enquadra ainda com harmonia, a Torre do Anto e o antigo edifico do Colégio Novo. O conjunto desta edificações, independente das épocas de que datam, o velho arco que dá passagem  a raros transeuntes, a claridade atenuada dos dias e a obscuridade e solidão das noites, tudo ali é arcaico, como que sem idade, dir-se-ia até medieval, porque tal palavra é que melhor se ajusta ao quadro, a que por outra banda oferecem deleitosa e lírica moldura os panoramas que deste alto se abrem sobre o Mondego, Santa Clara, o Choupal, os campos ribeirinhos de longa extensão e incansável beleza, especialmente quando, os pontes multicolores ou os luares de madrepérola os iluminam".Alberto Oliveira- Guia de Portugal Beira I-Beira Litoral-Fundação Calouste Gulbeinkian; 1940. 

O Paço de Sobre Ripas é um dos mais notáveis edifícios civis do século XVI em Portugal. Já são poucas as casas manuelinas que se conservam em Coimbra, mas esta é verdadeiramente notável. Esta foi contruída sobre o adarve da muralha e englobou uma das torres.  É constituído por dois corpos distintos: a Casa de Cima, ou a Casa do Arco para nascente da rua e a casa de Baixo ou casa da Torre. A casa de baixo é mais antiga e no estilo manuelino, e foi edificada em 1514 por João Vaz e só estendida ao lado oposto, com ligação por arco passadiço em 1542-47, em estilo renascentista. Para além da bela porta manuelina ou outras janelas da mesma tipologia; espalham-se pelas paredes dos edíficio várias dezenas de baixos relevos renascentistas com bustos de guerreiros, fidalgos, damas, figuras míticas e bíblicas, procedentes da oficina do escultor João de Ruão que ficava na rua do Colégio Novo. O interior conserva no essencial a compartimentação original. A casa de baixo pertence hoje ao Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e a Casa de Cima é uma residência privada.

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02-11-05

Parque Verde do Mondego (*)-Coimbra

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Coimbra-Parque Verde do Mondego (*)

O Rio Mondego é umas das razões da existência de Coimbra. Quando percorremos as margens do Basófias, sentimos, embalados na sua aragem fresca, todas as suas lendas...e um amor quase metafísico, por tudo aquilo que é ilustre nesta cidade.
Nas alamedas de plátanos e no aprazível arvoredo do Parque Manuel Braga fundado em 1920, conhecido também como Parque da cidade, sente-se um enorme bem-estar e ao mesmo tempo a meditação adquire laivos interiores únicos.

É airoso o coreto, construído em 1904, ostentando caprichosas grades e bandeiras de ferro forjado. Sob os muros, revestidos de românticos painéis de Arte Nova, alguns barbaramente vandalizados (os candeeiros neste estilo já foram destruídos), os enamorados entrelaçam as mãos, fazendo juramentos de amor eterno; e todos nós que vivemos ou estudamos em Coimbra, teremos estado assim, precisamente naquele amparo a contemplar o espelho de alma que é o rio Mondego.
Temos também por companhia Antero de Quental, Florbela Espanca ou o ainda vivo e presidenciável Manuel Alegre.
A intervenção Pólis, notavelmente, aumentou o nosso contacto com o rio, através da conclusão da sua terceira fase.
Este novo espaço com 8,2 hectares aos fins-de-semana, compete com os buracos negros dos centros comerciais pela afluência de conimbricenses. As crianças brincam, correm e os pais e avós com eles voltam a ser meninos. Podemos ainda sentarmo-nos numa esplanada a saborear uma bebida, e a sentir o marulhar do rio sob os nossos pés; ou ainda pedir um livro ou revista emprestada na biblioteca itinerante ou desfrutar de uma exposição ou da contemplação do Pavilhão de Portugal, obra de Siza Vieira e Souto Moura os dois arquitectos com maior nomeada em Portugal.
É belíssimo (*) o panorama da margem esquerda do Mondego para o velho “casario em cascata da acrópole”.
Quando as restantes fases do programa Pólis estiverem prontas (2ª, 4ª e5ª) e a Ponte Pedro e Inês, entre a Ponte de Santa Clara e a Ponte Rainha Santa Isabel; este parque urbano será dos mais belos de Portugal e passaremos então de uma (*) para (**).

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08-10-05

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Coimbra-Edifico do Chiado (núcleo museológico da cidade, da colecção Telo de Morais) (*)

O edifício Chiado de Coimbra (IIP), é uma das raras construções da estrutura do ferro na cidade. As obras de construção decorreram em 1909 e 1910 e, quando abriu, tornou-se o espaço comercial mais prestigiado de Coimbra. Foi depois durante alguns anos, propriedade do município funcionando como espaço cultural polivalente.

Hoje alberga mais um núcleo do Museu da Cidade, com a colecção Telo de Morais, aberta ao público em 2001 e constituído por um excepcional acervo de pintura, escultura, porcelana chinesa, mobiliário português e indo-portugês, etc, tudo isto doado pelo generoso casal Telo de Morais.

Destacam-se as obras pictóricas portuguesas, sobretudo de românticos, naturalistas e modernistas; por exemplo existem obras de Silva Porto, Marques de Oliveira, Malhôa, Sousa Pinto ou José Contente. No entanto, há obras mais antigas, maneiristas e barrocas de autores importantes como Bento Coelho da Silveira.

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15-09-05

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                                 Fotografia retirada do Site da DGMN.

Coimbra- Praça do Comércio/Velha/São Bartolomeu (*)

A Praça do Comércio, anteriormente designada de Praça de São Bartolomeu, ficou conhecida por Praça Velha com a inauguração, em 1867, do Mercado Dom Pedro V.

Como o topónimo oficial indica, esta Praça, desde tempos remotos, foi importante na vivência Coimbrã, repleta de gentes de várias proveniências; ali se passeia, se olha, mas essencialmente se compra e vende.

Esta importância terá sido relacionado com a proximidade da via romana “Olipso-Bracara” e com o porto Fluvial.

A sua importância é testemunhada, pelo assento o Cartório Público dos Tabeliães, a Casa da Câmara, os Açougues do Povo (hoje desaparecidos), o Hospital Real e o Pelourinho, além de duas importantes igrejas. São Bartolomeu (IIP) e a de São Tiago (MN), deturpadas da sua fácies original, nas reformas que foram sofrendo posteriormente. Ainda hoje é palco de eventos públicos (espectáculos de teatro, música, feiras) e no passado decorreram por exemplo touradas, as cerimónias fúnebres da “Quebra dos Escudos” e Autos da Fé Inquisitoriais. 

É ladeada por imóveis altivos de traça setecentista e oitocentista, com janelas ricamente emolduradas e lojas no andar térreo. No topo, dois templos a enobrecem: a Igreja de São Bartolomeu (IIP) e a Igreja de Santiago(MN).

A Igreja de Santiago (MN) foi consagrada em 1206 e primitivamente esteve ligada a Santiago de Compostela. O principal motivo de interesse que ostenta são: dois portais exteriores, devido  à decoração dos capitéis, arquivoltas e colunelos e no interior tem de interesse uma capela gótica flamejante.

Em 1546 a Misericórdia de Coimbra iniciou a construção das suas instalações por cima da igreja, o que levou a uma completa descaracterização. Com o alargamento da rua de Coruche em 1861, sofreu a amputação da cabeceira. Só neste século foi reintegrada no primitivo aspecto, mas o restauro da fachada foi infeliz, porquanto deturpou as suas linhas. Os justiçados com a pena de forca eram sepultados no seu adro.

No outro topo a Igreja de São Bartolomeu, também ela originalmente românica, mas que no século XVIII foi transformada. Os vestígios arqueológicos, das construções originais, encontram-se sob o pavimento actual.

Importante e discreto, encontra-se o antigo Hospital Real de Coimbra, fundado pelo rei Dom Manuel I. Em 1779, por ordem do marquês de Pombal, o hospital transferiu-se para o colégio da companhia de Jesus (onde hoje existe está o Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra).

A frontaria é muito simples, no piso inferior, sobressaem janelas de sacada do século XVI, os dois andares posteriores são acrescentamentos superiores. Conserva, no entanto, integrando no estabelecimento comercial, o pátio original, em dois pisos. Daqui sobe-se ao andar superior onde está intacta a capela privativa, obra de Boitaca em 1510, com magnifico abobamento de nervuras e com paredes revestidas de azulejos azuis e brancos. Tudo este espaço foi recentemente muito bem requalificado. Um elogio à Papelaria do Marthas, pela sua contribuição, para a requalificação do espaço. Nos estabelecimentos vizinhos há mais vestígios antigos do Hospital Real.

A Praça é um dos locais onde  o turista sente e observa melhor o pulsar da urbe.

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06-09-05

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Coimbra-Parque de Santa Cruz/Jardim da Sereia (IIP) (*)
Este notável jardim, estava integrado na cerca do Mosteiro de Santa Cruz e era recinto de lazer e meditação dos monges. A zona foi construída no reinado de Dom João V.
Tem por átrio o belo recinto do jogo da Pela ou da Bola, grande quadrilongo, marcado por altos carvalhos e loureiros, e onde actualmente se realizam importantes espectáculos musicais; o qual se entra, por um triplo arco de concreções calcárias provenientes dos tufos calcários de Condeixa (igualmente utilizadas noutros arranjos do parque) flanqueado por dois torreões. No seu interior possuem pinturas a fresco da autoria de Pascoal Parente. Os arcos estão encimados pelas figuras barrocas da Fé, Caridade e Esperança. Pende de cada arco um interessante candeeiro de ferro forjado.
No final do sumptuoso vestíbulo, encontramos uma cascata cenograficamente construída. Tem uma escultura de Nossa Senhora da Conceição, estátuas de evangelistas e painéis de azulejos setecentistas; à esquerda, representando Sara e Agar no deserto e, à direita, o profeta Eliseu a lançar sal nas águas de Jericó.
Em seguida o parque tem uma formosa escadaria entremeada de repuxos e tanques de água e assentos rematados de azulejos (azuis e brancos) com paisagens, animais e motivos alusivos à água, que conduz ao sossegado recanto da Fonte da Sereia.
A Fonte da Sereia, da Nogueira ou do Tritão, é dominado por um nicho onde está uma escultura da Virgem e em baixo por um Tritão que abre a boca a um golfinho, da qual sai água para uma concha. A confusão do Tritão com uma sereia levou a popularização do nome por que hoje é vulgarmente conhecido todo o jardim. Belos, são os motivos dos azulejos que relacionam a água com relatos bíblicos.
Outros motivos de atracção são o grande largo circular, com uma ilhota central com uma fonte e as alamedas e veredas com os olorosos loureiros de Goa ou a estátua de Camilo Pessanha - genial poeta conimbricence.
Adjacente ao Parque fica o mítico campo de Santa Cruz da Associação Académica de Coimbra, a Biblioteca Municipal e a Praça da República, que é ainda um local central na vida estudantil.
O Jardim da Sereia (*) é ainda hoje, pela sua luxuriante vegetação, pela sua frescura, pelo romantismo, pela abundância de águas sussurrantes e pelo seu cenário, um deleitoso abrigo da agitação da cidade e o melhor parque urbano barroco português.

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05-09-05

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Coimbra-Torre de Santa Cruz (**) (Desaparecida)
A esquadra da PSP, era o antigo celeiro dos crúzios e ao seu lado ficava a robusta e grandiosa Torre de Santa Cruz (**).
Como os terrenos do Mosteiro de Santa Cruz, se situavam no exterior das almedina da cidade, estes foram envolvidos por um recinto amuralhado (de que ainda existem alguns vestígios) com torres.
As reformas operadas no século XVI apenas deixaram ficar a enorme torre acastelada, encostada a Montarroio, e passaram para lá a Torre dos Sinos. No século XVIII foi a torre remodelada, erguendo-se altaneira com duas ventanas em cada face e remate bulboso, por cima da robusta quadra fortificada medieval.
A Torre entrou em ruína e como os ingratos conimbricences nada fizeram, esta acabou por ser demolida no dia 3 de Janeiro de 1935. Os Talibans sempre habitaram em Portugal.
Seria a maior e a mais possante torre medieval urbana em Portugal.
Quem a quiser conhecer, pode dirigir-se ao Portugal dos Pequenitos, onde se encontra a sua reprodução miniatural, com o galo, os sinos e os seus relógios, tanto o de maquinismo como o solar.
Ainda não perdi a esperança de ver o nosso Big Ben reerguido no mesmo local.
No seu lugar encontra-se agora a escadaria de Montarroio, que tem como motivo central a monumental Fonte Nova de 1725 que noutros tempos se situava na extremidade da Judiaria, sendo por isso também conhecida como fonte dos Judeus.
Logo a seguir à torre, edificaram os crúzios a Enfermaria, e que chegou ainda a funcionar como residência do prior geral e biblioteca conventual; é hoje o Liceu Jaime Cortesão.

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Coimbra-Jardim da Manga (MN) (**)
Construído na década de 30 do século XVI, esta obra da renascença pura é magnífica no simbolismo e evocação que encerra e pode considerar-se como uma das mais importante Fontes da Vida da arquitectura europeia. É baseada nas casas de fresco renascentistas italianas.
Os cónegos regrantes chamavam-lhe a Fonte da Manga e situava-se ao centro de um dos três claustros do mosteiro (infelizmente existe apenas um).
A sua construção deve-se a Frei Brás de Braga, homem de vasta de cultura; sendo seu arquitecto João de Ruão, que executou as partes escultóricas e os retábulos no inteiro dos cubelos.
“Ao centro, o templete circular simbolizando a eternidade e, simultaneamente o próprio Deus perfeito e eterno; a cúpula apoia-se em oito colunas, número simbólico da Ressurreição, uma vez que foi oito dias após a entrada em Jerusalém que Jesus ressuscitou. O número oito é, alias, determinante nesta edificação, a base em que tudo assenta é octogonal. O fontanário, no interior do templete, é constituído por duas taças sobrepostas, numa referência à dupla natureza de Cristo. As quatro capelas cilíndricas aludem aos quatro evangelhos e cada uma é dedicada a um santo eremita: São João Baptista que ao retirar-se para o deserto se tornou no primeiro dos eremitas; Santo Antão; São Paulo-o-Eremita; e São Jerónimo.
As escadas de acesso ao templete têm sete degraus. Número que simboliza a caridade, a graça e o Espírito Santo, sendo considerado o número perfeito. Os oito tanques unidos dois a dois, formam os quatro rios do Paraíso, referidos no Génesis: Físon, Gehon, Tigre e Eufrates. Os quatro rios correm para os quatro pontos cardeais. As quatro ruas que dão acesso ao templete significam a Terra, o mundo material. Os jardins que envolviam o conjunto simbolizavam o Paraíso.
Nos restantes símbolos as gárgulas são as forças do Mal. Os oito animais, no cimo das escadas, vigiam a entrada do Paraíso. O cão simboliza a fidelidade e o papagaio a eloquência.
Todo o conjunto desenha uma cruz, a que se sobrepõe uma outra em X, cujos braços conduzem às capelas. A grande Cruz é o símbolo de Cristo e do seu Martírio; a mais pequena representa a humildade no sofrimento e refere-se ao martírio de Santo André”.
História da Arte Portuguesa; Direcção de Paulo Pereira. Volume II, página 412.

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