Portugal Notável

Valor Universal (*****) Muito Notável (***) Notável (*)

26-06-06

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Fotografia retirada do site da DGMN

Castelo de Celorico da Beira (MN) (*)

Este castelo, em conjunto com os de Trancoso (*) e  Linhares da Beira (*), foi coadjuvante contra os invasores espanhóis.

È o caso das escaramuças entre Dom Sancho I e o rei de Leão, Afonso IX. Este viera cercar o castelo de Celorico, e do Castelo de Linhares, a cerca de dez quilómetros, comandada pelo seu alcaide saiu a uma força que, à calada da noite, libertou a vila irmã.

Na primeira invasão castelhana de 1385, as gentes dos três castelos venceriam a histórica Batalha de São Marcos em 1385 em Trancoso, contra Dom João de Castela. Nesse mesmo ano a segunda invasão muito mais poderosa, derrotou Celorico, mas depois saldava contas em Aljubarrota. 

Agora estes três monumentos são um regalo para a vista e uma aula da história portuguesa.

O Castelo de Celorico assenta numa colina fragosa granítica e a vila trepa em seu redor, exceptuando a poente. E a sua origem pode assentar num castro pré-romano.

Não sendo muito amplo, tem uma poderosa muralha, um largo adarve, com estreitas escadas de acesso, duas portas góticas e uma impressionante torre, que provavelmente não seria a de menagem, e dois cubelos. No acidentado terreiro existem vestígios da torre de menagem e da cisterna

Tudo isto está muito desmazelado: é chocante a imundice que se espraia por toda banda e principalmente aquela grosseria arruinada de betão armado que se tentou ligar á porta altaneira da torre.

A fortaleza é também um bom miradouro para o rasgão tectónico contornante do rio Mondego, para os campos férteis no sopé do limite norte da Cordilheira Central Portuguesa. A vista é movimentada, sendo um consolo para quem aprecia e/ou entende de geomorfologia.

Vê-se muito bem na Serra da Estrela (***) a  Penha do Prado (*) a ponte da Lavadeira, a estrada romana  bem preservada e pressinto por detrás de uma cumeada a necrópole de São Gens com a sua Pedra do Sino (*). Põe-se o viajante a imaginar os portugueses leais que se viram ali sitiados. O conde de Borgonha, futuro Dom Afonso III, cercou o castelo, mas o alcaide tinha feito menagem ao rei Dom Sancho II e só dele receberia ordem para entregar as chaves do castelo. Doente e desmoralizado, Dom Sancho exilara-se em Toledo, mas continuava a ser o monarca e o alcaide Fernão Rodrigues Pacheco mantinha-se fiel ao juramento que só a palavra de Dom Sancho ou a sua morte poderiam anular.

A ajuda chegou do céu, mas não divina. Dos lados do Mondego uma voou sobre o castelo e aqui soltou das garras apetecível truta. Emprego-a o alcaide da melhor maneira, dando-a cozinhada, com os restos de farinha do celeiro exausto ao futuro Dom Afonso III; ia também uma gentil carta na qual o alcaide justificava a preservante defesa, acrescentando não ver utilidade no cerco pois havia uma boa guarnição no castelo e mantimentos não faltavam. Entendeu o Conde de Bolonha melhor levantar o cerco e avançar para Coimbra. Aí deparou com outro alcaide da mesma qualidade, Martim de Freitas, que só viria a entregar as chaves do castelo de Coimbra nas mãos do cadáver de Dom Sancho II em Toledo. Também agora estamos a precisar de portugueses honrados.

E já agora um pedido: por favor requalifiquem com urgência o castelo de Celorico da Beira. 

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14-05-06

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Necrópole de São Gens e o Penedo do Sino (Celorico da Beira) (*)

É belo este monólito. Estamos num local misterioso. O Penedo do Sino atrai e seduz e trata-se simplesmente de um bloco pedunculado granítico, afeiçoado pelos agentes de meteorização. Há quem tenha visto (e veja) nele um penedo alquímico-esotérico; mas aqui o geomorfólogo apenas vê um maravilhoso afloramento natural.

Mas é de encarar a hipótese de estarmos perante um caso de litolatria. É um penedo tão prodigioso que poderá ter sido alvo de veneração com apropriação mágico-religiosa. Talvez os homens pré-históricos encarassem este monólito como um monumento elaborado por outros humanos ancestrais ou mesmo por deuses. 

O lugar teve ocupação entre os séculos I-II d.C e os séculos XII XIII, como comprovam os raros vestígios encontrados no seu solo, e onde passava uma importante estrada romana, que pode ser vista em Celorico da Beira e na  Ponte da Lavadeira (agora plenamente medieval, mas que anteriormente poderá ter sido romana). 

Em seu redor existe uma vasta necrópole medieval desde o século VI-VII aos séculos XIII-XIV; enquanto procuro nos “barrocos” sinais indizíveis, o olhar detêm-se amiúde na arredondada pedra do Sino; seduz a sua beleza inesperada, anómala, no seu estranho equilíbrio.

Aqui covinhas que alguns autores esotéricos declaram ser artificiais, mas que são naturais; ali sim, existem dois pios escavados na rocha- um circular e o outro subtriangular-  que poderão ter desempenhado uma função ritual mágica, ainda anterior aos construtores das sepulturas rupestres. Acolá uma grande lagareta. E observo novamente a Pedra do Sino...

Detectaram-se já 46 sepulturas rupestres, de múltiplas formas; não deixam de me comover as colocadas aos pares, tentando perpetuar para além da morte,  um amor que poderá ter sido grato; também as sepulturas de crianças são reclamadoras da injustiça natural ( à quem lhe chame divina).

O hagiotopónimo é também digno de registo, porque São Gens, ou seja São Gião, põe como hipótese a existência de um templo cristão avoengo, com ressonância visigótica.

Seria bom que fossem efectuadas estudos arqueológicos, pois poderiam revelar muito do lugar.

A precariedade “eterna” do Penedo do Sino, sempre exerceu e exercerá um grande fascínio sobre a consciência humana. É soberbo este monólito.

Nota: Bem hajam aos construtores humanos e seus coadjuvantes naturais: do Penedo do Sino e necrópole de São Gens (IIP), do menir e necrópole do Vale Maria Pais e da Anta da Capela da Nossa Senhora do Monte (MN).

Termina aqui uma  breve e humilde descrição de três conjuntos esotéricos, esquecidos na Beira Interior, relacionados na morte e a beleza. É o Portugal notável que todos devemos conhecer, admirar e amar. Estas “entradas” são uma ínfima contribuição para combater este défice de patriotismo que nos corrói.

Posté par Castela à 15:13 - Celorico da Beira - Commentaires [1] - Rétroliens [0] - Permalien [#]

06-05-06

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Locais Notáveis de Celorico da Beira

Linhares da Beira (Aldeia Histórica) (MN) (***)

Castelo de Celorico da Beira (MN) (*)

Panorama do Tor da Penha do Prado (*)

Necrópole de São Gens com a Pedra do Sino(*)

Outros locais com interesse turístico

Ponte da Lavadeira

Paisagem na estrada da Serra da Estrela, entre Linhares da Beira e o Prado

Termas de Santo Amaro em Linhares da Beira

Termas de Santo António

Solar do Queijo da Serra da Estrela em Celorico da Beira

Posté par Castela à 01:54 - Celorico da Beira - Commentaires [0] - Rétroliens [0] - Permalien [#]



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