Portugal Notável

Valor Universal (*****) Muito Notável (***) Notável (*)

20-03-08

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Fotografia retirada do site da DGMN

Conjunto patrimonial e paisagístico de Cacela Velha (Vila Real de Santo António) (IIP) (***) (2ª Parte) 

“As praças fortes foram conquistadas

Por seu poder e foram sitiadas

As cidades do mar pela riqueza

Porém Cacela

Foi desejada só pela beleza”.

Sofia de Melo Breyner

Sinto-me bem em Cacela Velha:

Pela paisagem divina que se avista, a imensidão do mar e pelo cordão dunar que me reclama,

pela ressonância imemorial dos poetas árabes, lúbricos, amorosos de carne, eternidade e plenitude, para sempre Ibn Darrag;

pela presença constante de Sofia, a deusa do mar, que espero ver surgir pela nesga de uma esquina caiada de ocre/azul, a sua voz ecoa e os seus poemas aqui são incandescentes;

pelas camadas de arqueologia e história, soterradas em areias eólicas, histórias de sangue, sobrevivência e amor, haverá mais alguma gesta?

pelas bravas figueiras da Índia, que me acarreiam para o deserto magrebino;

pelo pórtico renascentista da igreja, de Pilarte, com as pilastras laterais ornadas de machados, carrancas, tridentes, cabeças de anjo, arcos e aljavas e em relevo os bustos de São Pedro e São Paulo;

pela zona lagunar entre o morro de Cacela, Miocénico, e a fímbria do cordão dunar; é aqui que eu gosto de vaguear, só, ou a brincar com a Inês, por entre viveiros de marisco, a auscultar, com atenção o lento deslizar  dos ligueirões e das conquilhas, que deixam uma um rasto indelével na húmida vasa siltosa, e todo aquele verde escuro, orgânico, de flora do mar;

pela praça, defronte à entrada da fortaleza, com panorama até a Isla Cristina e onde gosto de descansar/estar/dormir, à sombra destas cinco palmeiras das Canárias; e zéfiro aqui torna-se uma benção, uma cálida brisa, no seio do estio do Barlavento Algarvio, talvez por ter de viajar tão pouco, e estar amainado; como está perto o Mons Zephyrus !

Por eu ter o nome da antiga povoação muçulmana (Castella) e aqui me sentir em casa;      

pela arquitectura tradicional, constituído por casas térreas, muitas com açoteias, com platibandas, chaminés, de base quadrangular e terminação piramidal, lágrimas nos cunhais, quase todas com decoração algarvia;

pela notável conjugação interior, que aqui obtemos, e para o quais, os sete pilares, que nos suportam e defendemos, aqui são realçados e entrelaçados;

por ser aqui, que compreendi e que compreendo, que sou como Fernando Pessoa -sou muitos, em todo o lado, sendo um, e não tenho medo de o afirmar e não sei viver de outra forma e espero que me compreendam e que alguns me inocentem- “A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.” 1 

Pelas noites, ao luar, as vezes só, outras vezes em tertúlia, nestas magníficas noites algarvias aqui repercute o vibrante silêncio da noite, som animal e marinho e aéreo; outras vezes a ouvir Mílanó dos Sigur Rós  (o nome da minha mãe e da minha tia em islândes, filhas da Júlia), Takk; outras vezes a nadar (lá voltaremos), outras vezes a...;

outras vezes no Café Azul com os seus chás frios, doces ou tartes de figo, alfarroba e amêndoa, tão ditoso deleite;

pela paradisíaca praia da Fábrica, temos de atravessar a laguna, às vezes a pé, outras vezes de barco, outras ainda a nado (aconteceu apenas uma vez) e é aqui que desejo um dia ficar e esquecer-me de tudo e ser Mersault; "a melancolia acompanha toda grandeza" como eu desejo nadar até ao limite do meu cansaço, até a derradeira liberdade.2 

O único senão, é que nunca estive em Cacela com a minha tutora; como me fazes falta!   

1-Camus, Albert. O Mito de Sísifo, ensaio sobre o absurdo. Lisboa, Livros do Brasil.

2-Camus, Albert. Morte Feliz (1971). Livros do Brasil  

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18-02-08

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Conjunto patrimonial e paisagístico de Cacela Velha (Vila Real de Santo António) (IIP) (***) (1ªparte)

Diz à Primavera: Estende o teu manto de nuvens e enfuna as velas sobre os lugares onde decorreram as minhas brincadeiras infantis.

Não faltes, Primavera, que as minhas lágrimas correm atrás de ti em longas vagas.

Mistura ao perfume da minha saudação a humidade da tua nuvem e asperge aqueles e aquelas que eu amo.”

IBN DARRAG (958-1030)

Custa a acreditar que existe no Algarve um local assim, bem preservado, em que o homem e a natureza se conjugam em harmonia perfeita. Aqui, os agnósticos, inclinam-se para a existência de um Deus generoso.

Cacela Velha está implantada numa falésia gresosa de idade miocénica, a 26 metros de cota; cortada a poente, pela ribeira de Cacela que contem afloramentos fossíliferos, à sua frente um cordão dunar, que corresponde ao início a nascente do Parque Natural da Ria Formosa e o mar de maravilhosas variegações verde-azuladas; representa um dos últimos lugares da orla marítima algarvia que sobrevive a um processo dissoluto de urbanização.

Tem fundação muito remota por ter sido local estratégico de vigilância da Costa Algarvia onde passavam os barcos que demandavam a foz do rio Gilão, porque o cordão de ilhas, que hoje, constitui o Parque Natural da Ria Formosa, durante séculos, era aberto, algures entre Cacela e Manta Rota. Por aqui habitaram cúneos, fenícios, celtas, romanos (com importante base militar) e muçulmanos.

Escavações arqueológicas no largo da fortaleza de Cacela Velha, em 2007, resultaram na descoberta da medina do século X; identificaram-se sete silos, cinco dos quais de grandes dimensões. Os silos, eram utilizados para o armazenamento de cereais e outros produtos agrícolas, nestes estavam aterrados inúmeros artefactos islâmicos que poderão ser musealizados. O seu nome seria Hisn-Kastala, Qastallat Dararsh, Cacetalate ou Cacila (prado ou pastagem de gado), donde derivaria o nome actual. Neste século, estava sob o controle da família berbere dos Banu Daraj. Aqui nasceu Abú Omar Ibn Darrag em 958 d.C.; foi secretário da chancelaria de Córdova e famoso poeta da corte de Almançor.

Entre 1998 e 2000 foi encontrado um bairro islâmico junto à ribeira de Cacela, na parte inferior da localidade, no caminho de acesso à restinga. As características encontradas revelaram tratar-se de habitações de agricultores e pescadores. Aqui descobriu-se uma pia de abluções e dois candis de bronze que se encontram no Museu Nacional de Arqueologia.

Referida por Al Idrisi como tendo” uma fortaleza construída a beira-mar. Está bem povoada e há nela muitas hortas e campos de figueiras”. O alcácer, de que ainda existe vestígios na muralha em taipa a poente, deveria ter alguma dimensão.

Dom Sancho conquistou-a em 1240 e perdeu-a logo de seguida, tal era o apego, que os árabes lhe tinham. Mas, dois anos depois, Paio Peres Correia retomo-a definitivamente para Portugal e passaria a pertencer a ordem de Santiago Por essa altura seria construída a primeira igreja na povoação. A igreja  de raiz medieval, mas reedificada no século XVI. Dom Dinis deu-lhe foral e a partir do século XV, entrou em declínio. 

Muito danificada com o terramoto de 1755 ainda existiam em 1758, 821 habitantes. A fortaleza que hoje subsiste foi iniciada em 1770, por ordem do Governador do Algarve (encontra-se fechada ao publico, por pertencer a brigada fiscal da GNR). O concelho foi extinto por ordem do Marquês de Pombal em 1775, unindo-se ao recém criado concelho de Vila Real de Santo António.

Em 24 de junho de 1833, os liberais entraram no Algarve por Cacela, não propriamente na povoação, mas no limite da freguesia na Torre Velha (Sítio do Alto). A esquadra  era comandada pelo 1º marquês de Vila Flor, mais tarde 1º duque da Terceira, com cerca de 2500 homens. Não encontraram aqui resistência significativa, uma vez que a tarefa foi facilitada por um sem número de manobras de diversão, orquestradas com o objectivo de fazer sair as forças absolutistas do sul do país. Rapidamente o Algarve foi conquistado e passado um mês chegaram os liberais a Lisboa. Deveria existir um padrão, tal como acontece com o Padrão comemorativo do desembarque do Mindelo, que contasse e relembrasse esta importantíssima página da história portuguesa.

Espaço único no nosso litoral, de uma beleza indescritível, que ao longo dos séculos tem cativado o olhar (e a estadia humana) e o sentimento dos poetas (já citamos um, no próximo post lançarei dois poemas sobre o sítio).

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04-01-08

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Castelo de Castro Marim, com respectivo panorama (MN) (**) (2ªParte) 

O Infante D. Henrique (1395-1460), nomeado Mestre da Ordem, residiu neste castelo. Posteriormente, sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), a vila recebeu o Foral Novo, momento em que o soberano ordena a reparação das suas defesas, inclusive as muralhas do castelo. Estes trabalhos encontram-se registrados por Duarte de Armas no seu Livro das Fortalezas (c. 1509). Com o início da expansão marítima portuguesa, a região do Algarve revestiu-se de nova importância estratégica, pela sua proximidade com as praças do Norte d’África. Estas obras atendiam um duplo objectivo: o suporte logístico às praças africanas e o de vigilância diante da acção de corsários, activos na região. Outras praças algarvias, entretanto, modernizaram-se ao longo do século XVI, o que não se registrou em Castro Marim.

Durante a crise de sucessão de 1580, levantando-se o partido do Prior do Crato, os integrantes da Junta de Defesa do Reino, estabelecida após o falecimento do Cardeal D. Henrique, fogem para Castro Marim, de onde passam a Ayamonte, na Espanha. Ali protegidos, lavram e assinam uma declaração em que reconhecem os direitos de Filipe II de Espanha ao trono de Portugal, proscrevendo D. António.

Com a Guerra da Restauração da independência portuguesa, a defesa lindeira de Castro Marim foi remodelada, adquirindo modernas linhas abaluartadas. Estas obras só estarão concluídas no reinado de D. Afonso VI de Portugal (1656-1667), complementadas pelo Forte de São Sebastião e pelo Forte de Santo António. Dentro deste sistema defensivo mandou o soberano erguer uma nova ermida dedicada a Santo António na qual um altar era consagrado ao mártir São Sebastião.

Durante o terramoto de 1755 o núcleo medieval da vila sofreu extensos danos, particularmente sentidos na Igreja de São Tiago. Por essa razão, D. José I (1750-1777) determinou a recuperação das defesas da vila.

No início do século XX, o Castelo de Castro Marim foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 1910. Só em meados desse século, entretanto, se iniciou a intervenção do poder público.

Em posição dominante sobre um monte, o castelo medieval (também denominado Castelo Velho ou simplesmente Castelejo) apresenta planta quadrangular irregular, com quatro cubelos cilíndricos nos vértices dos muros, percorrido por adarve, onde se rasgam duas portas, uma a norte e outra a sul, uma das quais encimada por pedra de armas e inscrição epigráfica. No interior da praça de armas, erguem-se edifícios de dois pavimentos adossados aos muros oeste e norte; do lado leste, as ruínas da primitiva alcáçova. Externamente, identificam-se os restos da torre de menagem e de um baluarte que a ladeava.

Ao abrigo da barbacã, de planta triangular, percorrida por adarve, erguem-se a Igreja de São Tiago, a Igreja de Santa Maria, Igreja da Misericórdia e um núcleo museológico, com testemunhos arqueológicos da ocupação da região. No vértice sul ergue-se uma plataforma para artilharia, nos vértices leste e oeste, dois torreões de planta quadrangular, cobertos por terraços nos quais se rasgam portas em arco pleno. Encimando a porta do torreão oeste, uma pedra de armas e uma inscrição epigráfica, do tempo de Dom Dinis 1.

Pensemos agora simplesmente na beleza do lugar, nesta imensidão de água, no vasto sapal nele, as salinas assemelhando-se a espelhos de mosaicos, brilhando e reflectindo a claridade. Ao seu lado e acompanhar o perfil dos incansáveis marnotos, erguem-se pirâmides brancas imaculadas.

O que é agora o Castelo de Castro Marim?

As frases esvoaçam em redor, deixo-as vir e ir com o vento. "O Tempo é a substância da qual sou feito. O Tempo é um rio que me leva na sua corrente, mas eu sou o rio; é um tigre que me devora, mas eu sou o tigre; é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo."2, também estas pedras do castelo, estas lagaretas que servem de piso no adarve, esta singela vila luminosa, ainda abem preservada, a foz do rio Guadiana, a grandiosa Ponte Internacional, aqueles montes pardacentos e taciturnos, onde se pressente a desertificação,  estes montículos de pedra escalavrados, estes mergulhões e a linguagem única de outros pássaros que não conheço, e as igrejas moribundas, esqueléticas, e este camaleão, que saltita, em prece ao disco rei, e até este, feito de tempo, de hélio e hidrogénio, e até aquela criança bonita, tão feliz como se o tempo não contasse, pura excelência na paisagem; corre, corre que não conheces a Lei de Gompertz! E é isto no que creio, na felicidade fugaz, que agora aqui experimento e que o leitor também pode ter se aqui vier.

Fontes de Informação:

1-Texto retirado da Wikipedia da entrada sobre o castelo de castro Marim

2- Jorge Luís Borges, O Aleph, 1949

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29-12-07

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Castelo de Castro Marim, com respectivo panorama (MN) (**) (1ªParte) 

"A pesquisa arqueológica indica que a primitiva ocupação humana do monte do Castelo data do final da Idade do Bronze. Desde então não houve interrupção da ocupação da foz do rio Guadiana, sempre ligada à actividade comercial marítima, sucessivamente por navegadores Fenícios, Gregos 1 e Cartagineses (final do século IV a.C.) até ser destruído por um forte abalo sísmico antes da chegada dos Romanos.

O mais antigo muro defensivo identificado no recinto do actual castelo remonta ao século VIII a.C., tendo sido acrescido por outras estruturas nos séculos seguintes, em particular entre os séculos V a III a.C., quando o comércio com as cidades gregas se intensificou.

À época da Invasão romana da Península Ibérica, o rio Guadiana serviu de fronteira entre as províncias da Bética e da Lusitânia. A povoação foi reocupada e a sua fortificação reconstruída, transformando-se em importante centro político e económico regional. Daqui partiam as movimentadas estradas que ligava Baesuris 2 (Castro Marim) a Mértola (a norte), a Ossonoba (Faro) e Balsa, pela costa (a oeste) e Huelva (a leste).

Posteriormente, mantendo a sua importância, foi ocupada por Vândalos e por Muçulmanos 3, alguns autores atribuindo a estes últimos a edificação do primitivo castelo, de planta quadrada, com torres semi-circulares nos vértices.

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a região foi atingida pelas forças portuguesas na década de 1230. D. Sancho II de Portugal alcançou a foz do rio Guadiana onde conquistou Mértola e Ayamonte (1238). A conquista de Castro Marim deu-se a seguir, sob o comando do Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia (1242). A partir de então, a coroa promoveu o repovoamento do Algarve, a cargo das Ordens Militares. Castro Marim recebeu Carta de Foral passada por D. Afonso III de Portugal desde 8 de Julho de 1277, com a determinação para a reconstrução de sua defesa.

Sob o reinado de D. Dinis de Portugal (1279-1325), foi iniciada a reconstrução da porta do castelo, conforme inscrição epigráfica (1 de Julho de 1279). O soberano confirma e amplia o foral da vila (1 de Maio de 1282). Posteriormente, em virtude da negociação e assinatura do Tratado de Alcanices (12 de Setembro de 1297), quando Portugal desistiu dos domínios de Aroche, Ayamonte, Aracena e outros, recebendo em troca os de Campo Maior, Olivença e outros na região, o soberano determinou o reforço do Castelo de Castro Marim (1303) e a construção de uma barbacã. Essas estruturas ficaram conhecidas respectivamente como “Castelo Velho” e “Muralha (ou castelo) de Fora”4.

Ainda no reinado deste soberano, diante da extinção da Ordem do Templo, por Bula do Papa João XXII (14 de Março de 1319), Castro Marim foi doada à recém-criada Ordem de Cristo que ali estabeleceu a sua primeira sede, de 1319 a 1356 4”.

Com a transferência da sede para Tomar, por ordem de D. Pedro I de Portugal (1357-1367), a importância estratégica da vila diminuiu, começando a despovoar-se".5

Mas ainda no reinado de Dom Afonso IV, o castelo de Castro Marim seria atacado por “dez mil de cavalo e fora outras muy gentesde pè para danificar Portugal…e esteve sobre elle alguns dias e por combates e afrontas q`lhe deu trabalhos para a pollar, e não pode porque avia dentro homens de vergonha e bons defensores portugueses, que com muita força, e ousadia a defenderam…”6

1- Ver as Cerâmicas Áticas do Castelo de Castro Marim de Ana Margarida Arruda.

2- Civitas de alguma dimensão uma vez que aqui foi cunhada moeda; também deste período se encontrou altar num larário. 3- Castro Marim, seria em época islâmica, um pequeno povoado fortificado com funções de entreposto marítimo as ruínas de fortificações de diferentes. A planta quadrangular do recinto amuralhado do Castelo Velho, "com torres de canto semi-cilíndricas", foi já considerada como volumetricamente decorrente da tradição "bizantina-emiral" (TORRES, 1997, p.440), embora pareçam mais fortes os indícios de se tratar de uma fortaleza costeira manuelina. 

4- Dom Dinis usou o argumento, dos ataques mouros, para colocar a Ordem neste ponto estratégico para a preservar. Porque em Castro Marim havia “ um Castelo muito forte, a que a disposição do lugar fez muito defensável, na fronteira dos ditos inimigos”.

Esta fortificação terá assim desempenhado um papel fundamental no desfecho do “processo dos Templários” em contexto nacional e europeu. Aqui desembarcarem inúmeros cavaleiros foragidos de França, para integrarem a Nova Ordem de Cristo.

5-Texto retirado integralmente da wikipedia.

6- Crónicas de Ruy de Pina.

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27-12-07

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Fotografia de Rui Ornelas

Faixa arenosa litoral entre a Manta Rota e a foz do Rio Guadiana (Castro Marim e Vila Real de Santo António)- engloba Altura, a Praia Verde e Monte Gordo (**)

Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia.
Sophia de Mello Breyner ,
 Atlântico, p. 9


O Algarve, não negando as alarvidades cometidas em nome do turismo, que possibilitou o enriquecimento (i)lícito de muitos patos bravos, e ao contrário do que muitos pseudointelecuais proclamam (é vê-los nas suas casinhas escondindinhas, em falésiasnhas recônditas) tem ainda pedaços do éden. Esta é simplesmente uma praia gigantesca, com cerca de 10 km de extensão, com pedacinhos do céu, de braço dado com a incerteza do purgatório. 

Adoro o mar, amo a praia, após as 5 horas da tarde. Aquele enorme oceano, é o que mais se próxima com a definição de um Deus bom – o da alegria, liberdade, descanso, abundância, refrescamento, mas muito principalmente o de renascimento da alma humana após um merecido banho - é um dos meus grandes prazeres (mas tenho tantos).

Mas pode questionar-se o incauto leitor, “mas é essa a sua praia favorita?”, e eu direi que não.

Passo em seguida a explicar porque passei dois anos férias em Altura. Nesta enorme faixa de areia, as praias sucedem-se: Manta Rota, Altura, Verde, Monte Gordo e Vila Real de Santo António, e o que aqui me atrai, são o mar calmo e seguro,  de temperaturas cálidas, da sua água cristalina, as areias finas e limpas (excepto na Foz do Guadiana); o que me repele, é em Agosto, o excesso de gente, a desqualificação urbana (e humana), cujo expoente máximo é Monte Gordo. Mas vamos por partes:

Praia da Foz do Rio Guadina – Este rio “mágico”, que é um dos mais importantes da Península Ibérica, mereceria melhor sorte na sua fase terminal. É a última praia de Portugal. O rio está protegido a Oeste por um molhe de 2040 metros, com a finalidade de o orientar, estabilizar todo o frágil ecossistema (pinhal, sapal e praia), que se estende entre Vila Real de Santo António e o mar, e manter a barra em condições de navegabilidade - o rio é navegável até Pomarão para barcos de pequeno. O acesso até à praia é complicado de automóvel, por um péssimo caminho, com uma via estreita, com carros estacionados à trouxe moche; é apenas aconselhável a condutores experientes e mesmo assim…é por vezes difícil, senão impossível manobrar o automóvel. Felizmente foi inaugurado em 2007, um comboio turístico e um “caminho ecológico- dos Três pezinhos”, que partem de Vila Real de Santo António até à praia; esta, apesar do mar suave e cálido, apresenta muito areão, seixos e detritos, transportados pelo rio que torna a estadia desagradável.

Praia de Monte Gordo- Até Monte Gordo, temos atrás de nós um belo pinhal- Mata Nacional de Vila Real de Santo António-Monte Gordo, relativamente bem preservado, que possibilita a existência de uma praia maravilhosa, para lá chegar tem que deixar o carro em Monte Gordo e caminhar pelo menos dois quilómetros a pé. Antiga aldeia piscatória, teve o seu auge turístico nos anos setenta, quando quase metade da capacidade hoteleira do Algarve estava aqui concentrada.

Agora o que existe é inenarrável, com “monstros de cimento”, dejectos e um contínuo odor nauseabundo, que muitos incautos não detectam- representa assim o pior que tem Portugal, nas nossas férias de Verão- escusado será dizer que se não tiver alojamento na localidade, não consegue estacionamento e assim arrisca-se a perder um dia de praia. As noites são muito animadas, com muita gente a passear até às matinas.

Praia Verde- Depois de Monte Gordo, num areal magnífico, aqui e ali bordejado por pinhal, chegámos à Praia Verde, envolvida por pinheiros mansos, com óptimas condições: um bom aldeamento, um belo panorama para a praia, para o mar bonançoso e cristalino, e para todo este extenso areal; este raramente enche, porque esta ainda é uma praia relativamente desconhecida-um paraíso à sua espera.

Praia de Altura (Alagoas)- No local onde eu passei férias nestes últimos dois anos- não tão boa como a Praia Verde, mas ainda assim oferece uma alternativa muito superior, à horrível Monte Gordo.

Praia da Manta Rota- Praia que foi recentemente remodelada e que assim oferece óptimas condições para os vereneantes. Infelizmente há sempre por aqui muita gente…e ao longe já se vislumbra a fortaleza de Cacela-à-Velha- um dos últimos paraísos algarvios.

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21-09-07

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Centro Urbano Iluminista de Vila Real de Santo António (IIP) (*)- (2ªparte) 

Vila Real de Santo António foi construído entre 1774 e 1777, por ordem do Marquês de Pombal junto à foz do Guadiana, para substituir a aldeia piscatória de Santo António de Avenilha, que nos fins do século XVI ou princípios do século XVII fora tragada pelas ondas. O objectivo era o de controlar o comércio neste importante ponto de fronteira e desenvolver as pescas, que mais tarde fariam surgir a indústria conserveira na região. Apesar da localidade ser caótica e disforme, o seu centro histórico não deixa de ser notável, com o traçado geométrico a lembrar a baixa lisboeta. Ao todo são 190 edifícios da época pombalina, alguns ainda originais, todos eles executados com grande elegância e mestria. Pressente-se aqui o sentido do espírito iluminista.

O delineamento da praça, o centro nevrálgico da obra pombalina, deve-se ao arquitecto principal da corte, o capitão Reinaldo Manuel dos Santos. O imponente obelisco, referente ao Rei Dom José, tem a data do ano de 1775, mas só foi exposto ao público a 13 de Maio de 1776.

Todo o conjunto pombalino “…exibe ainda hoje o sereno equilíbrio do seu formulário clássico. Centrado na praça de dimensões quadradas (72,60 X 72,60 m), que inclui a Câmara Municipal e a igreja Matriz, com o pavimento irradiante convergindo no obelisco central, e moldurado pelos 4 torreões nos seus extremos. Igualmente a frente marginal deste conjunto, deitando sobre o Guadiana, apresenta a série de frentes de quarteirão de coberturas simples amansardadas, com uma construção elementar mas de uma monumentalidade obtida pelo conjunto, que remata em dois torreões, a norte e a sul, ligeira e subtilmente sobreelevados, de cobertura tipo pombalina (duas águas desiguais). O torreão Sul, recuperado recentemente, alberga o arquivo histórico”. 2

A doca de recreio, virada para o rio Guadiana, com as embarcações garridas, apesar de nos turvar a paisagem, não deixa de ser uma obra importante para a região, e só por isso compreensível.   

O espírito construtivo dos portugueses é notável, quando bem presididos e se tivéssemos tido um ror de bons dirigentes recentes, Portugal estaria mais próspero e menos injusto. Citando o nosso maior poeta " um fraco rei, faz fraca a forte gente”  mas dêem-me autorização para adaptar a frase ao meu conceito de mundo – um forte Rei torna forte a fraca gente.

As palavras do obelisco fazem-nos compreender o sentimento do rei absoluto para com os seus vassalos e lembrar aos políticos actuais que o objectivo final de uma boa governação é o da “felicidade pública”, presente e futura.

O Marques ficaria aterrado com a cidade, em que se transformou Vila Real Real de Santo António, e ainda para mais se visse a Câmara Municipal desmantelada…haja esperança na obra da sua requalificação.

Lembremos as palavras do primeiro viajante atento e aplicamo-las às obras do Marquês: “Que as obras dos Homens e os seus feitos memoráveis não caiam nunca no esquecimento”; assim escreveu Heródoto no preâmbulo das suas (nossas) histórias.

Fonte de Informação: 2- Fernandes, José Manuel; Janeiro, Ana- Arquitectura no Algarve dos primórdios à actualidade, uma leitura de síntese, CCDRAlg, 2005

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08-09-07

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Centro urbano iluminista de Vila Real de Santo António (IIP) (*)- (1ª parte)

A EL REY D JOSÉ I

AUGUSTO INVICTO PIO

RESTAURADOR

DOS ARTISTAS DAS LETRAS

DO COMMERCIO DA AGRICULTURA

REPARADOR

DA GLORIA E FELICIDADES PUBLICA

CLEMENTISSIMO PAI DOS SEUS VASSALOS

PROTECTOR DA INNOCENCIA

VINGADOR SUPREMO DA OPPRESSAÕ

CONSERVADOR DA PAZ PUBLICA

E INIMIGO DA DISCORDIA

O COMMERCIO DAS PESCARIAS

DESTA VILLA REAL DE S. ANTONIO

LEVANTADA EM CINCO MEZES PELAS

SUAS REAES PROVIDENCIAS E DECRETOS

QUE COM TODO OZELLO EXECUTOU

O MARQUEZ DE POMBAL,

DA INUNDAÇAÕ DO OCEANO EMQUE

SECULOS ANTES ESTEVE SUBMERGIDAERIGIO ESTE OBELISCO

PARA PERPETUO PADRAÕ DOSEU

HUMILDE E IMMORTAL RECONHECIM

ANNO DE 1775

Nota - Citação do obelisco da Praça do Marquês de Pombal em Vila Real de Santo António

“Fundada entre 1774 e 1776 por expressa vontade do Marquês de Pombal para centro das Reais Pescarias do Algarve, Vila Real de Santo António é a principal jóia representativa da arquitectura pombalina do século XVIII português.
Criada “ex-nihilo”, isto é, a partir do zero, Vila Real de Santo António surge-nos como uma urbe nascida do alto, por vontade e artifício do poder.
Antes do lançamento da primeira pedra tudo era um ermo. Os treze mil e quinhentos metros cúbicos de aterros para escoamento das águas pluviais irão calibrar o terreno onde a futura povoação se há-de erigir, no local denominado Barranco.
Santo António de Arenilha, uma bem provável póvoa marítima medieval que D. Manuel I promovera a vila por volta de 1513, já havia sido tragada pelas águas do oceano ao finalizar a centúria de seiscentos, deixando “ipso facto” um vazio populacional ainda maior face a Espanha.
Cacela, anterior sede do concelho, despovoara-se paulatinamente, habitando os seus moradores por quintas e fazendas.

Monte Gordo, entretanto, atraíra grande número de catalães, maiorquinos, andaluzes e outros estrangeiros que, exercendo aí uma sazonal mas desenfreada actividade piscatória, haviam-se apropriado das riquezas dos seus mares, fugindo ao fisco quanto podiam.
Castro Marim, após as Guerras da Restauração, perde a importância militar e “desactiva” o estatuto de principal praça forte do Algarve. Este é o cenário à entrada do último quartel do Século das Luzes.
E, se a ele aduzirmos o marasmo a que chegara a actividade agrícola, o incipiente comércio efectuado por nacionais agora na completa dependência de súbditos ingleses, e a impossibilidade de obstaculizar o desmedido contrabando que esta zona fronteiriça albergava, numa época em que as remessas de ouro do Brasil se contraiam cada vez mais, teremos focado os principais motivos que impeliram Sebastião José de Carvalho e Melo a mandar edificar a nova “Vila Rial”.
A razão principal da construção da urbe é, assim, a erecção da Alfândega (então retirada a Castro Marim). Ela é símbolo da potestade pombalina. Aqui começava terra portuguesa, logo aqui se cobrariam os réditos do pescado retirado às águas de Monte Gordo.
A traça urbanística, que tem a sua expressão máxima na antiga Praça Real (que hoje leva o nome do Marquês) e nas ruas circundantes, faz de Vila Real de Santo António um paradigma do urbanismo e arquitectura do período iluminista”.

Fonte de Informação: Texto integral do site Minha Terra

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04-03-07

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Locais Notáveis de Castro Marim e Vila Real de Santo António

Panorama e conjunto patrimonial de Cacela-a-Velha (***) 

Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António com belo panorama da Casa do Seixo (**)

Castelo de Castro Marim com respectivo panorama (MN) (**) 

Núcleo pombalino de Vila Real de Santo António (*)

Extensa praia entre a Foz do Guadiana-Monte Gordo-Manta Rota-Cacela-à-Velha (**)


Outros locais com algum interesse turístico:

Ponte Sobre o Guadiana

Pinhal da Mata Nacional das Dunas (Vila Real de Santo António)

Farol de Vila Real de Santo António

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