05-05-08
Centro Histórico de Beja (**)
A Câmara Municipal de Beja aprovou anteontem a criação da "Associação Portas do Território" (APT), uma Associação de Desenvolvimento Local (ADL), em conjunto com a Diocese de Beja, "para gestão integrada dos espaços visitáveis, propriedade das duas instituições", disse ao JN o presidente da autarquia, Francisco Santos.
Além da Câmara e da Igreja, vão ser convidadas mais sete instituições locais "para rapidamente se avançar com o processo de constituição da ADL", justificou o autarca, referindo a necessidade de "unir esforços na captação de mais pessoas para Beja".
Um dos monumentos que vai ser gerido pela APT é a Ermida de Santo André, situada na principal entrada da cidade, que vai receber, ainda em 2008, um Posto Avançado de Informação e Turismo (PAIT), destinado a servir os objectivos de "promoção e divulgação" da Câmara Municipal e da Diocese de Beja.
Propriedade da autarquia, a ermida data do século XVI e durante muitos anos esteve isolada do casco urbano de Beja.
Com o crescimento da cidade, aproveitando o Programa BejaPolis, a Câmara procedeu a diversas obras de embelezamento em redor do monumento, que contrastam com o seu aspecto exterior, algo degradado, situação de que também padece o interior.
O Castelo, Museu Jorge Vieira, igrejas de Santo Amaro e da Misericórdia, propriedade da Câmara Municipal de Beja, e as igrejas da Sé e dos Prazeres, pertença da Diocese, "são alguns dos momentos a incluir no âmbito do roteiro a gerir pela APT", revelou o autarca.
"A ermida é a principal porta de entrada na cidade", disse o edil, revelando que a ideia é "criar um espaço que permita exposições de arte sacra e um posto de informação aos visitantes", justificou.
José António Falcão, director do Departamento Histórico e Artístico da Diocese de Beja, revelou que a criação da APT surge "da necessidade de promover a riqueza arquitectónica, artística e histórica da cidade" Fonte JN
Cidade desvenda o único teatro romano (*) a céu aberto-Braga
Era uma casa bem traçada, bem proporcionada, bem inserida num conjunto de grande qualidade urbanística, arquitectónica e ambiental e, certamente, muito cuidada e confortável, mas não consta que aquela passagem de mão lhe tenha acrescentado qualquer valor patrimonial, para além da memória que os lugares adquirem quando outros símbolos lhes dão outras ressonâncias. E os lugares vivem muito dos sentidos que adquirem por via, nem que seja, de apenas tradições assentes em efabulações mais ou menos bem construídas. Por isso, tantos lugares reivindicam ter sido o lugar de nascimento, de morte ou de simples estadia ou passagem de personagens que a história guarda em lugar de destaque, mesmo que o não tenham sido ou mesmo que muitos outros façam igual reivindicação.
Será, este, eventualmente, o contexto em que se insere a "Vila Jane" ou a "Casa de Eça" que, em qualquer caso, hoje, já não é mais do que uma longínqua e triste memória! Morreu. Como morreu "Jane" e como Morreu "Eça". Jamais existirá ali outra coisa que não seja a notícia de que ali houve, um dia, uma casa que "foi abaixo". Estará lá, um dia, um lindo condomínio, fechado e tudo e, até, talvez, chamado "Vila Eça", (por que não?) para glória de algumas bolsas mais afoitas que, no momento certo, não estiveram com meias medidas nem quiseram sujeitar-se à farsa da "audiência prévia"e foram-se à coisa e pouparam um ror de trabalho.
A primeira grande descoberta do terceiro milénio foi revelada, ontem, em Braga o primeiro e, para já, único teatro romano a céu aberto de Portugal e do Noroeste Peninsular. "É uma descoberta extraordinária", começou por dizer a responsável pela Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, entidade que liderou as escavações, "que coloca a cidade de Braga ao mais alto nível europeu em termos de arquitectura romana".
Manuela Martins salienta que esta descoberta "é ainda mais extraordinária por se encontrar dentro de uma área protegida, onde estão as termas romanas da Cividade, pertença da autarquia, transformando o teatro automaticamente em monumento nacional".
A descoberta acidental, em 1999, quando se procedia às escavações das termas, de estruturas reveladoras da existência de um teatro, permitiu "delinear imediatamente uma estratégica que culminou agora em 2007 e que excederam todas as expectativas". A ampla área que foi possível escavar, com cerca de 80 metros de diâmetro, e o considerável número de elementos arquitectónicos e decorativos identificados, possibilitaram a interpretação das diferentes partes orgânicas do teatro e a elaboração de uma primeira proposta de reconstituição arquitectónica do edifício.
"Braga passa, assim, a dispor de dois edifícios públicos, as termas e o teatro, que foram construídos simultaneamente, e datados do início do século II", e que poderão ser convertidos em parque arqueológico nacional. Com metade da estrutura escavada, falta agora a parte mais difícil torná-la visitável. "Um programa de escavação integral só se justifica se for pensado também o seu restauro e a utilização pública do mesmo. Mas, para isso, é preciso financiamento". Manuela Martins adianta que "esta é uma decisão política e são os organismos públicos que têm que decidir o que querem fazer do teatro, mas eu acho que Braga merece que se faça a escavação integral".
A professora universitária vai mais longe "A conservação e o restauro do teatro romano colocarão Braga na rota dos investigadores estrangeiros e será um chamariz muito importante para trazer turistas à cidade".
Mesquita Machado mostrou "total abertura" para terminar as escavações que permitam abrir o novo achado arqueológico à população "Vamos estudar a possibilidade de incluirmos o teatro no próximo Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) cujas candidaturas arrancam já em Outubro". A decisão que vier, depois, a ser tomada irá ser crucial para o futuro: "Ou ficamos com o que está e pensamos na sua sinalização ou avançamos para a segunda parte das escavações e ficamos como uma referência europeia na arqueologia", acrescentou, por sua vez, a responsável principal pelos trabalhos, Manuela Martins, lembrando que "já há um teatro romano em Lisboa, mas que têm problemas que este não tem. Fonte Jn
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