30-04-08
Vestígios Romanos e Capela da Nossa Senhora da Póvoa do Mileu (Guarda) (IIP) (*)
Muitos egitanenses, que passam apressados, não conseguem reparar, e provavelmente alguns nunca visitaram este interessante monumento, que no fundo são dois: um espaço romano, de que não sabe concretamente a sua funcionalidade e uma igreja românica, que, apesar de pequena e de não ter a majestade de outros monumentos deste estilo no nosso País, sobretudo se pensarmos nas formas que encontramos a Norte do rio Douro, não deixa de ser o melhor exemplar de toda a Beira Interior a par da Igreja de Santiago de Belmonte (**).
A estação arqueológica começou a ser escavada na década de 50 do século passado, na sequência da abertura da estrada que segue para a Guarda Gare, tendo então sido identificado o que parecia ser uma villa romana. O início da ocupação permanece incógnito, tendo-se no entanto encontrado uma bracelete- uma viria em bronze (da Idade do Bronze ou do Ferro), e que estranhamente servia de argola na porta.
O morro adjacente tem a toponímia de Castelos Velhos e terá sido ocupado na Idade do Ferro e na época romana , o espaço tem sido ocupado por novos edifícios, que poderão ter feito desaparecer alguns vestígios arqueológicos. De que modo é que a estação arqueológica do Mileu, poderá estar relacionada com a colina adjacente?
Também recentemente foi descoberta nos Castelos velhos uma moeda visigótica de Égica (Rei dos Visigodos no século VII), o que poderá supor uma continuada ocupação pelo menos até finais do século VIII.
A estação arqueológica, que continua ainda a ser alvo de prospecção, é constituída por objectos e restos de edifícios romanos.
Da área escavada a Sul da capela destaca-se: um salão tripartido com abside voltada a Norte, comunicando com várias estruturas, a existência de um hipocausto e restos de salas, pátios, corredores. Entre o espólio resgatado, contam-se restos de colunas e de silhares aparelhados, moedas do século II a IV, uma inscrição de dedicada aos deuses manes e séries cerâmicas de sigillata e comuns, lucernas e frisos em mármore. Sob a capela, encontraram-se dois fragmentos de estátuas em mármore, entre elas um torso imperial. Parte do material encontra-se depositado no Museu Municipal da Guarda. O que seria tudo isto? Uma simples villa, um pequeno povoamento, um espaço religioso ou tudo isto espaçado no tempo?
As termas, segundo Jorge Alarcão, poderão ser públicas, e não privadas, como se pode observar pela espessura dos muors e pela estátua loricata aí achada e atribuível à época de Trajano.
Em relação à capela podemos afirmar que o templo foi construído na Baixa Idade Média, no século XIII, provavelmente após a transferencia da cabeça diocesana da Egitânia (actual Idanha-a-velha) (**), para a Guarda, por mando de D. Sancho I.
É uma obra singela de arquitectura românica típica, atarracada e densa na sua massa inercial, de pequenas proporções e características arcaizantes. Compõe-se de dois corpos justapostos: nave reduzida e capela-mor quadrangular, mais baixa e estreita. A fachada principal é muito simples, sem qualquer imaginária, no entanto a rosácea embeleza-a, com feição ligeiramente mudéjar. As faces laterais são também rudimentares.
Mas o que mais me fascina é o conjunto iconográfico dos modilhões nas fachadas laterais: com figuração geométrica (meias esferas, Cruz de Santo André, cartelas, pirâmides, palmetas, rosetas...), vegetalista e zoomórfica (pássaros, cabeça de lobos? e estranhas cabeças humanas). No interior os capitéis do arco triunfal são decorados: o do lado Norte com uma cabeça humana feminina, da qual se aproxima um animal feroz e, diversos elementos vegetalistas; o do lado Sul, com duas aves afrontadas, em torno de uma estilizada Árvore da Vida e outras tantas pequenas cabeças demoníacas nos ângulos. Daqui se conclui que o programa escultórico revela interesse, que devia ser melhor esclarecida por quem de direito. Apesar do templo ser do estilo românico, tem ainda componentes que atestam a sua transição para o gótico, tais como o arco triunfal da capela-mor.
A plasticidade arcaica esculpida no granito desta e doutras igrejas românicas, principalmente, quando a imperfeição e a dúvida persistem, são tónicos dirigidos à nossa imaginação, mas também ao intelecto e à generalidade dos sentidos; por isso gostamos tanto deste estilo. Confesso que em breve, vou tentar passar algum tempo a tentar ler todo aquele grupo escultórico (67 no total) a luz dos meus parcos conhecimentos.
A devoção e romaria à nossa Senhora do Mileu, provavelmente já existiria nos fins do século XIII e é, por enquanto impossível, dizer qual a origem da actual capela e da invocação da referida Senhora; a capelinha poderá ter sido ermida de passagem (para Santiago de Compostela). Aqui está um link para uma das lendas da capela.
Para fechar esta referência ao conjunto, peço aos egitanenses que descubram e valorizem este espaço. Como consultor ambiental recomendo: a continuação do seu estudo, a retirada urgente das execráveis bombas de gasolina, a construção de um pequeno jardim, com evocação de todo este conjunto notável e ignorado, se possível ligando-o à urbanização do morro do Castelo Velho.
Pola ley e pola grey.
Caldas de Taipas (*) querem novo furo geotérmico para poupar energia
A cooperativa que gere as Termas das Taipas quer avançar com a construção de um furo geotérmico que permita obter ganhos energéticos através da água sulfurosa. Já durante este ano, a Taipas-Turitermas vai executar um furo de prospecção para determinar a viabilidade do projecto. "Antes de pensarmos executar o furo geotérmico com 50 metros de profundidade, contamos fazer, este ano, um primeiro furo que será um teste prévio". diz José Luís Oliveira, administrador-delegado da Taipas-Turitermas.
"Consultamos várias empresas para saber se o projecto tem viabilidade ou não, mas nenhum técnico especialista nos consegue dar certezas sobre se vamos encontrar água termal a 50 metros de profundidade à temperatura que se deseja", afirma.
A execução do projecto poderá ascender a cerca de 150 mil euros, mas a economia energética que se espera obter garante o retorno do investimento. Conseguir captar água termal a 50 graus Celsius "permitiria dar um salto qualitativo nas Termas das Taipas", garante.
"Não só deixávamos de ter custos com o aquecimento do edifício termal, porque passaria a ser feito com a energia e a temperatura vinda desse furo, como também encontrávamos mais água termal, o que permitiria prolongar por muito mais anos os recursos naturais de que dependemos", justificou o mesmo responsável.
A aposta neste projecto para aproveitamento energético não é o único em que a cooperativa está envolvida. Simultaneamente, está a ser preparada uma candidatura a fundos do QREN - Quadro de Referência Estratégia Nacional, que poderá abranger outras estâncias termais, nomeadamente a vizinha Vizela.
Segundo o JN apurou, o projecto está ainda a ser definido, mas deverá passar por uma ideia que a Taipas-Turitermas vem perseguindo há vários anos, relacionada com a construção de um SPA (Saúde pela Água) e outros serviços em prol da qualidade e do bem-estar. Intenção que ganha maior sentido de oportunidade por força da entrada em funcionamento do Ave Park - Parque de Ciência e Tecnologia das Taipas.
Obrigado Liliana pela informação.
27-04-08
Panorama do Cerro de São Miguel/Monte Figo (Olhão) (***)
Adoro nadar nas águas algarvias, mas fujo da balbúrdia e apenas me instalo a partir das 17 horas, se possível isolado numa ilha paradisíaca do Parque Natural da Ria Formosa- aí o paraíso é apenas meu (basta caminhar apenas uns 15 minutos, afastando-me da zona de maior densidade de veraneantes e ficamos sós - é um benfazejo estado de alma). Quando nado, por vezes destemidamente, para longe da linha de costa, tenho sempre aquele estupendo monte como guia tutelar. E até de noite, ao luar, quando nado algures distraído do cosmos, tenho-o todo em mim. Perdido resgatado renascido- ali está Lucífer na Terra!
A sua presença, esquecido pelos cegos turistas, tem sido um farol, para todos os povos que habitaram o Sotavento algarvio. Há uma beleza que nos é oferecida nesta região: a deste mar remansoso, a amenidade acariciadora da temperatura nocturna, e aquele estupendo monte calcário.
É notável a sua implantação; as tensões da orogenia Alpina, colocaram este enorme complexo anticlinal (complexo, pelo menos para mim que não o estudei) de litologia calcária com idade Jurássica Média numa situação privilegiada.
A estrada é apertadinha, mas alcatroada, passa por Moncarrapacho, bonita aldeia, com uma interessante igreja da Renascença (principalmente o seu portal). Depois de começar a subir, os seus horizontes vão-se alargando, ficamos extasiados por tanta amplitude visual, tanta luz, que ao nascer e ao pôr-do-sol, adquire tonalidades magníficas. Do alto dos seus 410 m de altitude colhe-se um dos mais deslumbrantes panoramas do Algarve (rivalizando com a Fóia na Serra de Monchique (**)), e arrisco dizer, de toda a Península Ibérica. Abrange metade do litoral algarvio, prosseguindo para Norte com o Barrocal sedimentar e as serranias xistentas do interior algarvio.
O Bruno pede-me para descrever o que vejo. Aqui está um resumo.
Viremo-nos para o mar,infinito com o cordão de localidades litorais: Albufeira, Quarteira, Vale do Lobo, Almansil, Faro (com o seu aeroporto, a sua Sé (*) de onde se avista um magnífico panorama) e Olhão; estas duas jazem a nossos pés. Ali as Ruínas Romanas de Milreu (***)-um dos mais belos complexos romanos portugueses, principalmente pelo seu ninfeu (calma Carlos não te desorganizes e não fales em Milreu), nem tão pouco, no quase contíguo Palácio de Estói (*), bem visível daqui - eles acenam que sim, eu desconfiou da sua argúcia visual; de certeza que descortinam a mais bela cidade Algarvia-Tavira (**), continuemos por Cacela, Manta Rota, Altura, Monte Gordo, passamos o Guadiana, eis a Ilha Cristina, e o Fernando ou o Filipe, já não sei qual deles, assevera que vê Huelva; não deixo de sorrir. A Inês não deixa de indicar, entusiasmada, a Fortaleza de Cacela Velha; era a sua actividade de menina que o papi lhe tinha destinado - e toma lá 1 euro! Atrai-me imenso visualizar com grande clareza o Parque Natural da Ria Formosa (***). São cerca de 60 km da Costa Algarvia entre as Penínsulas de Ancão (em Vale do Lobo) e da Manta Rota, com 18000 ha de ilhas, sapais, praias e lagunas. Quantas Ilhas? Dizem-me três, quatro- vejamos: a Deserta (***), Culatra-Farol (**), Armona-Fuseta (**), Tavira (**) e por fim, a de Cabanas (*). São 5- E tudo isto jaz serenamente a nossos pés.
Mas antes de nos voltarmos para o Norte (sim porque aqui o domínio visual é de 360º), pergunto se sabem quem foi Avieno, se conhecem a obra da “Ora Marítima” ou Zéfiro. As respostas são vagas e difusas.
Começo então a descrever o que sei. Prometo que não serei aborrecido, pois penso que não o fui para eles!
Este espaço constitui um extraordinário espaço de culto pré-cristão. Desde que o homem navega e devido à sua extraordinária localização, foi considerado um Santuário marítimo de altitude, farol e oráculo meteorológico.
Aqui passaram os navegadores fenícios, o espaço poderia ser associado a Baal Saphon, talvez ainda antes do século VIII a.C. A exegese grega posterior desta dedicação, talvez no século VI a.C., consagra-o ao vento Zéfiro divinizado.
O seu uso como santuário durante a Antiguidade Romana está comprovado pela existência de uma estrada romana, que subia até aqui, que provavelmente ligaria à importante cidade romana de Balsa (localizada ali, perto da Torre de Aires a 11 km), revelando tratar-se de um lugar de culto desta cidade e a um Deus ainda hoje desconhecido.
A sua localização foi indicador precioso dos navegantes, provavelmente estaria ali facho de sinalização nocturna. É esta memória ou tradição de farol, ainda hoje mantida entre os pescadores, que pode melhor justificar a sua dedicação posterior a São Miguel o feroz vencedor de Lúcifer- o que traz luz.(continua).
PENELA-Pedra da Ferida (*) foi requalificada No dia 22 de Março, Dia Internacional da Água, foi inaugurado o percurso pedestre da Pedra da Ferida em Espinhal - Penela. Apesar do tempo pouco convidativo, foram mais de uma centena as pessoas a levantarem-se bem cedo para fazer a caminhada e conhecer as intervenções efectuadas. Apesar da chuva que se fez sentir durante o percurso, os caminheiros eram mais de cem, que sem desistências acompanharam a comitiva encabeçada pelo Presidente da Câmara Municipal de Penela, Paulo Júlio, e de que faziam parte o vereador António Alves, assim como Pedro Machado, dirigente máximo da Região de Turismo do Centro, o Presidente da Junta de Freguesia do Espinhal, Jorge Pereira, e Mário Nunes, vereador em Coimbra, mas com origens na freguesia. Intervenção sem desvirtuar Germanelo requalificado Maria João Tomás/MM |
Penela Castelo medieval de Germanelo (*) remodelado
A Câmara Municipal de Penela inaugurou ontem a obra de requalificação paisagística do antigo castelo medieval do Germanelo, mandado construir por D. Afonso Henriques, que ainda este Verão será transformado num centro de actividade arqueológica.
Paulo Júlio, presidente da Câmara de Penela, explicou que a intervenção incidiu na "recuperação de caminhos pedonais, construção de um parque de lazer e sinalética com descrições históricas e da fauna e flora do local e uma varanda junto à muralha, que é o ponto de maior interesse turístico, a partir do qual se tem uma vista fantástica".
Do alto do Germanelo, o olhar estende-se pelo vale do Rabaçal, onde existem as ruínas da vila romana e o Espaço Museu, obtendo-se uma "paisagem fantástica", nas palavras do autarca social-democrata. Com esta intervenção, a Autarquia fecha um circuito turístico com seis pontos de interesse, que integra os castelos medievais de Penela e do Germanelo, a vila romana do Rabaçal, a praia fluvial da Louçainha, a cascata da Pedra da Ferida e o Centro de Interpretação do Sistema Espeleológico do Dueça.
As obras, orçadas em cerca de 123 mil euros, foram financiadas pelo III Quadro Comunitário de Apoio. O castelo, propriedade do falecido professor da Universidade de Coimbra Salvador Dias Arnaut, natural de Penela, será gerido nos próximos 20 anos pela Câmara Municipal, ao abrigo de um protocolo de cedência assinado com os descendentes do proprietário.







