28-01-08
Ria de Aveiro (*) junta-se a moliceiro na candidatura à UNESCO
O presidente da Região de Turismo "Rota da Luz", Pedro Silva, anunciou que vai ser proposto o alargamento à Ria e ao habitat envolvente da candidatura do Barco Moliceiro a Património da Humanidade. Em declarações à Lusa, Pedro Silva precisou que a proposta deverá ser formalmente apresentada na reunião de Outubro da comissão regional de turismo, em que têm assento representantes de 29 entidades, nomeadamente autarquias, associações de agentes de viagens, de hoteleiros e de restauração.
A proposta corresponde a uma indicação não vinculativa da UNESCO e integra o estudo a ser apresentado, que identifica as valências mais elevadas da candidatura, segundo o presidente da Rota da Luz. "O estudo aponta para uma questão nova, que é a inclusão do habitat, da Ria e das salinas, para que a candidatura seja mais forte, o que implica diálogos necessários com as autarquias locais", explicou Pedro Silva.
No mesmo sentido, o arquitecto Rui Losa, que coordena o processo e foi responsável pela candidatura do Porto a Património da Humanidade, havia defendido, aquando da apresentação do estudo prévio, que a candidatura deveria abranger a Ria de Aveiro e ser aproveitada para corrigir problemas ambientais.
Falando aos jornalistas sobre o estudo prévio para a candidatura da Ria e do barco moliceiro a património imaterial da Humanidade, Rui Losa advertiu que o processo poderá demorar anos.
"A lista indicativa nacional tem 10 bens compatíveis e cada país só pode indicar um por ano, pelo que não há que ter pressa, nem precipitações. O que há é que estudar a Ria e aproveitar esse tempo para corrigir problemas que possam prejudicar uma eventual candidatura, nomeadamente questões ambientais, de ordenamento e paisagísticas", disse.
De acordo com o coordenador, terá de ser ponderada a qualidade da Ria "como paisagem cultural evolutiva e viva, considerando a sua complexidade e as múltiplas actividades ligadas à Ria, como o sal, a agricultura e a própria indústria". A candidatura, uma vez definido o seu âmbito, será depois apresentada à Comissão Nacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
04-01-08
Castelo de Castro Marim, com respectivo panorama (MN) (**) (2ªParte)
O Infante D. Henrique (1395-1460), nomeado Mestre da Ordem, residiu neste castelo. Posteriormente, sob o reinado de D. Manuel I (1495-1521), a vila recebeu o Foral Novo, momento em que o soberano ordena a reparação das suas defesas, inclusive as muralhas do castelo. Estes trabalhos encontram-se registrados por Duarte de Armas no seu Livro das Fortalezas (c. 1509). Com o início da expansão marítima portuguesa, a região do Algarve revestiu-se de nova importância estratégica, pela sua proximidade com as praças do Norte d’África. Estas obras atendiam um duplo objectivo: o suporte logístico às praças africanas e o de vigilância diante da acção de corsários, activos na região. Outras praças algarvias, entretanto, modernizaram-se ao longo do século XVI, o que não se registrou em Castro Marim.
Durante a crise de sucessão de 1580, levantando-se o partido do Prior do Crato, os integrantes da Junta de Defesa do Reino, estabelecida após o falecimento do Cardeal D. Henrique, fogem para Castro Marim, de onde passam a Ayamonte, na Espanha. Ali protegidos, lavram e assinam uma declaração em que reconhecem os direitos de Filipe II de Espanha ao trono de Portugal, proscrevendo D. António.
Com a Guerra da Restauração da independência portuguesa, a defesa lindeira de Castro Marim foi remodelada, adquirindo modernas linhas abaluartadas. Estas obras só estarão concluídas no reinado de D. Afonso VI de Portugal (1656-1667), complementadas pelo Forte de São Sebastião e pelo Forte de Santo António. Dentro deste sistema defensivo mandou o soberano erguer uma nova ermida dedicada a Santo António na qual um altar era consagrado ao mártir São Sebastião.
Durante o terramoto de 1755 o núcleo medieval da vila sofreu extensos danos, particularmente sentidos na Igreja de São Tiago. Por essa razão, D. José I (1750-1777) determinou a recuperação das defesas da vila.
No início do século XX, o Castelo de Castro Marim foi classificado como Monumento Nacional por Decreto de 1910. Só em meados desse século, entretanto, se iniciou a intervenção do poder público.
Em posição dominante sobre um monte, o castelo medieval (também denominado Castelo Velho ou simplesmente Castelejo) apresenta planta quadrangular irregular, com quatro cubelos cilíndricos nos vértices dos muros, percorrido por adarve, onde se rasgam duas portas, uma a norte e outra a sul, uma das quais encimada por pedra de armas e inscrição epigráfica. No interior da praça de armas, erguem-se edifícios de dois pavimentos adossados aos muros oeste e norte; do lado leste, as ruínas da primitiva alcáçova. Externamente, identificam-se os restos da torre de menagem e de um baluarte que a ladeava.
Ao abrigo da barbacã, de planta triangular, percorrida por adarve, erguem-se a Igreja de São Tiago, a Igreja de Santa Maria, Igreja da Misericórdia e um núcleo museológico, com testemunhos arqueológicos da ocupação da região. No vértice sul ergue-se uma plataforma para artilharia, nos vértices leste e oeste, dois torreões de planta quadrangular, cobertos por terraços nos quais se rasgam portas em arco pleno. Encimando a porta do torreão oeste, uma pedra de armas e uma inscrição epigráfica, do tempo de Dom Dinis 1.
Pensemos agora simplesmente na beleza do lugar, nesta imensidão de água, no vasto sapal nele, as salinas assemelhando-se a espelhos de mosaicos, brilhando e reflectindo a claridade. Ao seu lado e acompanhar o perfil dos incansáveis marnotos, erguem-se pirâmides brancas imaculadas.
O que é agora o Castelo de Castro Marim?
As frases esvoaçam em redor, deixo-as vir e ir com o vento. "O Tempo é a substância da qual sou feito. O Tempo é um rio que me leva na sua corrente, mas eu sou o rio; é um tigre que me devora, mas eu sou o tigre; é um fogo que me consome, mas eu sou o fogo."2, também estas pedras do castelo, estas lagaretas que servem de piso no adarve, esta singela vila luminosa, ainda abem preservada, a foz do rio Guadiana, a grandiosa Ponte Internacional, aqueles montes pardacentos e taciturnos, onde se pressente a desertificação, estes montículos de pedra escalavrados, estes mergulhões e a linguagem única de outros pássaros que não conheço, e as igrejas moribundas, esqueléticas, e este camaleão, que saltita, em prece ao disco rei, e até este, feito de tempo, de hélio e hidrogénio, e até aquela criança bonita, tão feliz como se o tempo não contasse, pura excelência na paisagem; corre, corre que não conheces a Lei de Gompertz! E é isto no que creio, na felicidade fugaz, que agora aqui experimento e que o leitor também pode ter se aqui vier.
Fontes de Informação:
1-Texto retirado da Wikipedia da entrada sobre o castelo de castro Marim
2- Jorge Luís Borges, O Aleph, 1949






