Portugal Notável

Valor Universal (*****) Muito Notável (***) Notável (*)

29-12-07

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Castelo de Castro Marim, com respectivo panorama (MN) (**) (1ªParte) 

"A pesquisa arqueológica indica que a primitiva ocupação humana do monte do Castelo data do final da Idade do Bronze. Desde então não houve interrupção da ocupação da foz do rio Guadiana, sempre ligada à actividade comercial marítima, sucessivamente por navegadores Fenícios, Gregos 1 e Cartagineses (final do século IV a.C.) até ser destruído por um forte abalo sísmico antes da chegada dos Romanos.

O mais antigo muro defensivo identificado no recinto do actual castelo remonta ao século VIII a.C., tendo sido acrescido por outras estruturas nos séculos seguintes, em particular entre os séculos V a III a.C., quando o comércio com as cidades gregas se intensificou.

À época da Invasão romana da Península Ibérica, o rio Guadiana serviu de fronteira entre as províncias da Bética e da Lusitânia. A povoação foi reocupada e a sua fortificação reconstruída, transformando-se em importante centro político e económico regional. Daqui partiam as movimentadas estradas que ligava Baesuris 2 (Castro Marim) a Mértola (a norte), a Ossonoba (Faro) e Balsa, pela costa (a oeste) e Huelva (a leste).

Posteriormente, mantendo a sua importância, foi ocupada por Vândalos e por Muçulmanos 3, alguns autores atribuindo a estes últimos a edificação do primitivo castelo, de planta quadrada, com torres semi-circulares nos vértices.

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a região foi atingida pelas forças portuguesas na década de 1230. D. Sancho II de Portugal alcançou a foz do rio Guadiana onde conquistou Mértola e Ayamonte (1238). A conquista de Castro Marim deu-se a seguir, sob o comando do Mestre da Ordem de Santiago, D. Paio Peres Correia (1242). A partir de então, a coroa promoveu o repovoamento do Algarve, a cargo das Ordens Militares. Castro Marim recebeu Carta de Foral passada por D. Afonso III de Portugal desde 8 de Julho de 1277, com a determinação para a reconstrução de sua defesa.

Sob o reinado de D. Dinis de Portugal (1279-1325), foi iniciada a reconstrução da porta do castelo, conforme inscrição epigráfica (1 de Julho de 1279). O soberano confirma e amplia o foral da vila (1 de Maio de 1282). Posteriormente, em virtude da negociação e assinatura do Tratado de Alcanices (12 de Setembro de 1297), quando Portugal desistiu dos domínios de Aroche, Ayamonte, Aracena e outros, recebendo em troca os de Campo Maior, Olivença e outros na região, o soberano determinou o reforço do Castelo de Castro Marim (1303) e a construção de uma barbacã. Essas estruturas ficaram conhecidas respectivamente como “Castelo Velho” e “Muralha (ou castelo) de Fora”4.

Ainda no reinado deste soberano, diante da extinção da Ordem do Templo, por Bula do Papa João XXII (14 de Março de 1319), Castro Marim foi doada à recém-criada Ordem de Cristo que ali estabeleceu a sua primeira sede, de 1319 a 1356 4”.

Com a transferência da sede para Tomar, por ordem de D. Pedro I de Portugal (1357-1367), a importância estratégica da vila diminuiu, começando a despovoar-se".5

Mas ainda no reinado de Dom Afonso IV, o castelo de Castro Marim seria atacado por “dez mil de cavalo e fora outras muy gentesde pè para danificar Portugal…e esteve sobre elle alguns dias e por combates e afrontas q`lhe deu trabalhos para a pollar, e não pode porque avia dentro homens de vergonha e bons defensores portugueses, que com muita força, e ousadia a defenderam…”6

1- Ver as Cerâmicas Áticas do Castelo de Castro Marim de Ana Margarida Arruda.

2- Civitas de alguma dimensão uma vez que aqui foi cunhada moeda; também deste período se encontrou altar num larário. 3- Castro Marim, seria em época islâmica, um pequeno povoado fortificado com funções de entreposto marítimo as ruínas de fortificações de diferentes. A planta quadrangular do recinto amuralhado do Castelo Velho, "com torres de canto semi-cilíndricas", foi já considerada como volumetricamente decorrente da tradição "bizantina-emiral" (TORRES, 1997, p.440), embora pareçam mais fortes os indícios de se tratar de uma fortaleza costeira manuelina. 

4- Dom Dinis usou o argumento, dos ataques mouros, para colocar a Ordem neste ponto estratégico para a preservar. Porque em Castro Marim havia “ um Castelo muito forte, a que a disposição do lugar fez muito defensável, na fronteira dos ditos inimigos”.

Esta fortificação terá assim desempenhado um papel fundamental no desfecho do “processo dos Templários” em contexto nacional e europeu. Aqui desembarcarem inúmeros cavaleiros foragidos de França, para integrarem a Nova Ordem de Cristo.

5-Texto retirado integralmente da wikipedia.

6- Crónicas de Ruy de Pina.

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27-12-07

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Fotografia de Rui Ornelas

Faixa arenosa litoral entre a Manta Rota e a foz do Rio Guadiana (Castro Marim e Vila Real de Santo António)- engloba Altura, a Praia Verde e Monte Gordo (**)

Mar,
Metade da minha alma é feita de maresia.
Sophia de Mello Breyner ,
 Atlântico, p. 9


O Algarve, não negando as alarvidades cometidas em nome do turismo, que possibilitou o enriquecimento (i)lícito de muitos patos bravos, e ao contrário do que muitos pseudointelecuais proclamam (é vê-los nas suas casinhas escondindinhas, em falésiasnhas recônditas) tem ainda pedaços do éden. Esta é simplesmente uma praia gigantesca, com cerca de 10 km de extensão, com pedacinhos do céu, de braço dado com a incerteza do purgatório. 

Adoro o mar, amo a praia, após as 5 horas da tarde. Aquele enorme oceano, é o que mais se próxima com a definição de um Deus bom – o da alegria, liberdade, descanso, abundância, refrescamento, mas muito principalmente o de renascimento da alma humana após um merecido banho - é um dos meus grandes prazeres (mas tenho tantos).

Mas pode questionar-se o incauto leitor, “mas é essa a sua praia favorita?”, e eu direi que não.

Passo em seguida a explicar porque passei dois anos férias em Altura. Nesta enorme faixa de areia, as praias sucedem-se: Manta Rota, Altura, Verde, Monte Gordo e Vila Real de Santo António, e o que aqui me atrai, são o mar calmo e seguro,  de temperaturas cálidas, da sua água cristalina, as areias finas e limpas (excepto na Foz do Guadiana); o que me repele, é em Agosto, o excesso de gente, a desqualificação urbana (e humana), cujo expoente máximo é Monte Gordo. Mas vamos por partes:

Praia da Foz do Rio Guadina – Este rio “mágico”, que é um dos mais importantes da Península Ibérica, mereceria melhor sorte na sua fase terminal. É a última praia de Portugal. O rio está protegido a Oeste por um molhe de 2040 metros, com a finalidade de o orientar, estabilizar todo o frágil ecossistema (pinhal, sapal e praia), que se estende entre Vila Real de Santo António e o mar, e manter a barra em condições de navegabilidade - o rio é navegável até Pomarão para barcos de pequeno. O acesso até à praia é complicado de automóvel, por um péssimo caminho, com uma via estreita, com carros estacionados à trouxe moche; é apenas aconselhável a condutores experientes e mesmo assim…é por vezes difícil, senão impossível manobrar o automóvel. Felizmente foi inaugurado em 2007, um comboio turístico e um “caminho ecológico- dos Três pezinhos”, que partem de Vila Real de Santo António até à praia; esta, apesar do mar suave e cálido, apresenta muito areão, seixos e detritos, transportados pelo rio que torna a estadia desagradável.

Praia de Monte Gordo- Até Monte Gordo, temos atrás de nós um belo pinhal- Mata Nacional de Vila Real de Santo António-Monte Gordo, relativamente bem preservado, que possibilita a existência de uma praia maravilhosa, para lá chegar tem que deixar o carro em Monte Gordo e caminhar pelo menos dois quilómetros a pé. Antiga aldeia piscatória, teve o seu auge turístico nos anos setenta, quando quase metade da capacidade hoteleira do Algarve estava aqui concentrada.

Agora o que existe é inenarrável, com “monstros de cimento”, dejectos e um contínuo odor nauseabundo, que muitos incautos não detectam- representa assim o pior que tem Portugal, nas nossas férias de Verão- escusado será dizer que se não tiver alojamento na localidade, não consegue estacionamento e assim arrisca-se a perder um dia de praia. As noites são muito animadas, com muita gente a passear até às matinas.

Praia Verde- Depois de Monte Gordo, num areal magnífico, aqui e ali bordejado por pinhal, chegámos à Praia Verde, envolvida por pinheiros mansos, com óptimas condições: um bom aldeamento, um belo panorama para a praia, para o mar bonançoso e cristalino, e para todo este extenso areal; este raramente enche, porque esta ainda é uma praia relativamente desconhecida-um paraíso à sua espera.

Praia de Altura (Alagoas)- No local onde eu passei férias nestes últimos dois anos- não tão boa como a Praia Verde, mas ainda assim oferece uma alternativa muito superior, à horrível Monte Gordo.

Praia da Manta Rota- Praia que foi recentemente remodelada e que assim oferece óptimas condições para os vereneantes. Infelizmente há sempre por aqui muita gente…e ao longe já se vislumbra a fortaleza de Cacela-à-Velha- um dos últimos paraísos algarvios.

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26-12-07

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Aldeia Histórica de Sortelha- (MN) (Sabugal) (***) (2ª parte)

Texto 1

“Ao redor a pedra granítica domina a paisagem, dando pouco lugar a limitadas manchas de centeio e pequenos soutos apertados por barrocos. Lá para baixo os, os verdes do vale estreito. Sobre uma escarpa vertical, dominador, romântico, o castelo. 

Pela única encosta praticável foi crescendo Sortelha, com o seu solar e casas graníticas (e alguma de cara mais moderna, menos típica). É o “povo” como chamam a este bairro extramuros. Para cima, seguindo a estrada romana 2 aqui e ali ainda bem identificável, entra-se pela muralha na “vila”, zona primitiva de sabor medieval, protegida, agarrada ao castelo.

Aqui não há grandes casas- mesmo as brasonadas são de dimensão modesta e tocante simplicidade, perfeitamente integradas num conjunto de excepcional valor decorativo devido ao indiscutível valor desta gente. Em cada momento se encontram motivos de graça e espírito –  uma porta, uma pequena escada, um brasão, um altar, o Pelourinho…Da praça entramos directamente no castelo, numa sequência de identidades que não permite entender-se quem inspirou a quem, tal a harmónica integração de formas.

À beira do Pelourinho- com um arco no capitel, relacionado talvez com o topónimo Sortelha, que significaria “anel”-ergue-se um sino sobre o beirado da Junta de Freguesia, velha casa da Câmara, deliciosa e sóbria arquitectura de reduzidas dimensões, parapeito lajeado na varanda de entrada, lojas semienterradas, miúdas vidraças nas janelas de guilhotina. Domina o encantador largo para o qual também se volta outra antiga fachada de idêntico carácter. A austeridade arquitectural da igreja matriz contrasta com o seu precioso tecto múdejar e mais com o decorativismo barroco do altar-mor 3.

Aqui não admira que o primeiro conde de Sortelha, Luís da Silveira, guarda-mor de Dom João III, tenha sido militar intrépido, mas também poeta do Cancioneiro Geral.

Se tudo na povoação é espantosamente sóbrio e severo, acrescentando ainda por mais sobriedade e severidades neste cerco de fragas mulltiformes – onde nem faltam perfis que estimulam a identificações, caprichos graníticos -, tudo é também paradoxalmente terno, acolhedor, lírico”.

Texto de Júlio Gil, retirado do livro “As Mais Belas Vilas e Aldeias de Portugal”-Editorial Verbo-1944

Texto 2

"De Belmonte vai o viajante a Sortelha por estradas que não são boas e paisagens que são de admirar. Entrar em Sortelha é entrar na Idade Média, e quando isto o viajante declara não é naquele sentido que o faria dizer o mesmo entrando, por exemplo, na Igreja de Belmonte (4), donde vem. O que dá carácter medieval a este aglomerado é a enormidade das muralhas que o rodeiam

A espessura delas, e também a dureza da calçada, as ruas íngremes, e, empoleirada sobre pedras gigantescas, a cidadela, último refúgio de sitiados, derradeira e talvez inútil esperança. Se alguém venceu as ciclópicas muralhas de fora, não há-de ter sido rendido por este castelinho que parece de brincar".

Texto de José Saramago- Viagem a Portugal - Editorial Caminho, 1981

Notas do autor do blog:

1- A parte da localidade que fica fora das muralhas é uma aldeia banal.

2- A estrada é de origem medieval.

3- Infelizmente a igreja encontra-se fechada ao público. Das duas (ou três vezes) que estive em Sortelha nunca tive ocasião de visitar o interior do templo.

4- Refere-se à Igreja de Santiago, panteão dos Cabrais (**).

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Dólmenes de Oliveira do Hospital recuperados para turismo
Liliana Lopes
Os trabalhos têm cerca de um mês, mas dentro de meio ano a equipa de arqueólogos da "Arqueohoje" dará por concluída a recuperação dos quatro monumentos dolménicos existentes no concelho de Oliveira do Hospital. O projecto é da Câmara, que pretende pôr em marcha a definição de roteiros turísticos com vista à promoção daqueles espaços. O dólmen da Arcainha, em Seixo da Beira, é o primeiro a ser intervencionado. Seguir-se-ão os dólmenes de Fiais da Beira, Sobreda e Bobadela.
Vulgarmente apelidados de antas, os dólmenes são monumentos com expressão considerável em território português. Segundo o arqueólogo responsável pela equipa de trabalho em actividade em Oliveira do Hospital, Paulo Perpétuo, está em causa "um fenómeno que apareceu em toda a Europa". "Existem milhares de monumentos do género espalhados de Norte a Sul do país", explicou o arqueólogo, esclarecendo que enquanto monumentos de enterramento colectivo, terão tido um primeiro momento de utilização, na fase final do neolítico, há perto de cinco mil anos. Contudo, os trabalhos realizados na Anta da Arcainha - escavações trouxeram à superfície cerâmicas e vasos com forma própria e decoração típica - permitem aos arqueólogos adiantar que o monumento teve uma segunda fase de ocupação, que situam entre o final da Idade do Cobre, início da Idade do Bronze.
As Antas predominam nas regiões da Beira Alta, Alentejo e Norte de Portugal e o concelho de Oliveira do Hospital é um dos que apresenta o maior número de vestígios dolménicos. "É um concelho rico nesta área", referiu Paulo Perpétuo, lamentando, no entanto, que no caso concreto da Anta da Arcainha sejam visíveis sinais de revolvimento. E há também os exemplos concretos das Antas da Sobreda e de Bobadela, onde já não existem as lajes de cobertura.
O dólmen da Arcainha é, segundo Paulo Perpétuo, o que "está num estado de ruína mais avançado" e aquele que, por consequência, implicará "mais trabalho de escavação, restauro e consolidação". "Estamos perante um monumento extremamente violado e revolvido sem níveis intactos praticamente preservados", sublinhou o responsável pelos trabalhos, explicando que a "amálgama de pedra pequena" visível na zona de entrada para o dólmen "é fruto de uma destruição contínua em várias fases". Perpétuo acredita terem-se tratado de escavações sem objectivos científicos, mas antes escavações "à procura do objecto, do vaso ou da ponta de seta".
O trabalho levado a cabo pela Arqueohoje cumpre uma metodologia estratigráfica, que implica escavação camada a camada. "Tentamos perceber cada camada dentro do seu contexto integrado de todo o monumento", explicou o especialista em arqueologia, notando que cada passo ficará registado em fotografia. Junto a cada um dos dólmenes será colocado um painel informativo, que permitirá a qualquer visitante tomar conhecimento do que está a apreciar. Fonte JN 22-12-2007

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14-12-07

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Sortelha (Sabugal) (MN e Aldeia Histórica) (***) (1ª parte)

A 760 metros de altitude, eis Sortelha, uma das mais belas aldeias de Portugal; passando a Porta da Vila, a que o povo chama de entrada, viajamos no tempo e detemo-nos num pequeno povoado de traçado medieval, empoleirado num cerro. Foi vila e sede de concelho entre 1288 e 1855. O granito serviu de apoio para todas as suas construções: casas, igrejas, castelo, cerca defensiva, passando pelo empedrado das ruas estreitas, aqui e ali rasgadas na rocha, em permanente desnível. Toda a povoação se encontra rodeada de uma duradoura muralha medieval e a malha urbana adaptada-se maravilhosamente à irregularidade do relevo. Não se sabe qual a origem do topónimo, havendo polemica em redor de quatro hipóteses- escolha o leitor a que mais lhe apraz.

Primeira: a denominação deriva de um anel, Sortija ou Sortela, utilizado num jogo medieval, no qual os cavaleiros tentavam enfiar a sua lança.

Segunda: Segundo Viterbo, linguista, sortel é um anel de pedras com poderes especiais usado por feiticeiras e magos.

Terceira: O aglomerado urbano fortificado tem traçado oval.

Quarta: Para Marcos Osório, o topónimo poderá derivar da palavra medieval Sorte, pequena parcela agrícola.

A sua origem é duvidosa perde-se na voragem do tempo. Curiosas são as intrigantes fossetes, provavelmente antropogénicas, na pedra altaneira que suporta o campanário. Também a Cabeça de Velha, belo monólito ciclópico e a Pedra do Beijo, aparecem com inúmeras marcas a relembrar a litolatria de outros tempos.

Na freguesia encontram-se vários vestígios das idades do Bronze e do Ferro bem como materiais romanos. A peça mais conhecida é a ara romana dedicada a Vordio Talaconio-uma divindade, teónimo de Sortelha, consagrada por um M(arcus) C(ornelius) O(?) ou M(arcus) C(aecilius) O(ptatus) (Osório, 1999) descoberta num muro da Igreja da Nossa Senhora das Neves. Outra ara foi descoberta no muro do cemitério, mas desta nada sei.

Em 1181 o Rei Dom Sancho I, povoou o espaço com recurso a povoadores de outras regiões; em 1228  concessão do foral por Dom Sancho II e povoamento pelas populações em redor e construção do Castelo, com reconstrução mandado fazer por Dom Dinis; renovação da carta de foral pelo Rei Dom Manuel I, beneficiação do Castelo e edificação do pelourinho, casa da Câmara e cadeia; Dom João III, eleva a vila medieval a condado em favor de Luís da Silveira, Guarda-mor do Rei, cujo corpo repousa na Igreja matriz de Góis num notável túmulo da renascença (*); o condado é extinto em 1617; no reinado deste ridículo Rei, dá-se  a  transferência e construção intra-muros da igreja matriz, sob a invocação da Nossa Senhora das Neves substituindo antiga igreja matriz de São João, situada extra-muros; é nestes alicerces, que em 1626, se vai construir a igreja e o hospital da Misericórdia; a muralha e o castelo voltaram a ser reconstruídos durante a Guerra da restauração; em 1855 o Concelho foi extinto, passando para a Vila do Sabugal; em 1910 o seu Castelo é considerado Monumento Nacional. Em 1991, depois de esquecida e quase moribunda, foi considerada Aldeia Histórica e depois recuperada ao abrigo daquele programa.

Quando em Portugal, queremos referenciar um dos paradigmas de vila medieval fortificada, de imediato nos aparece Sortelha. Poderá ter sido a volta do seu Castelo, que creceu o povoado que se protegeu com uma cerca e algumas torres que, nalguns casos, protegem entradas flanqueando-as.

Acede-se ao recinto da alcáçova através de uma porta fortemente protegida por um belo balcão de matacães (Varanda de Pilatos ou do Juiz, na designação popular), por onde se lançava o que era possível e eficaz sobre os assaltantes. No interior, deste típico castelo roqueiro do século XIII, tudo é didactismo: a pura Cisterna, a inacessível Torre de Menagem, com entrada elevada, as seteiras, a porta falsa, o afeiçoamento aos barrocos... remetem-nos para a idade média.

Na cerca da Vila, a Porta Nova, virada para a Serra da Estrela e por onde segue uma bem conservada calçada medieval, encontram-se gravadas as medidas do comprimento (vara e côvado) utilizados intramuros. No exterior desta entrada distendem-se vestígios de antigos monumentos (Igreja de São João da Cruz, Hospital da Misercórdia), à muito desmantelados. Outros imóveis de valor são: o pelourinho com esfera armilar, a Casa da Câmara e a igreja matriz (com tecto mudéjar) que estruturam um povoado com pequenos largos ao longo da rua axial que liga as duas portas principais.

A beleza é muita, nos seus singelos edifícios graníticos, o seu castelo pequeno, esbelto e incorrompido, uma miriade de pormenores aos sentidos e as vistas abrangentes de formas empolgantes, são um estímulo a contemplação e meditação e um recanto único na Península Ibérica.

Posté par Castela à 03:41 - Sabugal - Commentaires [0] - Rétroliens [0] - Permalien [#]



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