29-10-07
Fotografia de Flávio Gaspar retirado do site da arqueobeiras
Castelo do Sabugal (MN) (*)- (2ªParte)
No século XX, em 1911 procedeu-se a demolição da Igreja de Nossa Senhora do Castelo. Mais tarde, na década de 1940, o processo de depredação do monumento foi detido graças à actuação da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que lhe promoveu ampla campanha de obras de consolidação e reconstrução.
Entre 1993 e 1994 uma nova campanha de trabalhos de restauração, procurando devolver ao monumento as suas feições originais. Mais recentemente, comprovando-se a existência de fissuras nas paredes e a derrocada parcial de elementos de um dos torreões da barbacã e de algumas ameias (1999), no alvorecer do século XXI, a DGEMN lançou um concurso para o restauro e consolidação das muralhas e torres do castelo, assim como a construção de um anfiteatro ao ar livre e das respectivas instalações de apoio (2001)”.
“Em posição dominante, ergue-se o castelo, que apresenta planta no formato quadrangular. O topo das muralhas, em aparelho misto de cantaria de granito e de alvenaria de xisto, é percorrido por um largo adarve, protegido por merlões, nos quais se rasgam troneiras cruzetadas. O adarve é acedido por quatro escadas internas. Os muros são reforçados por três sólidos torreões nos ângulos, e por um quarto, localizado no centro do pano de muralha pelo lado sudoeste. Estas torres são rematadas por ameias piramidais, assim como a Torre de Menagem (ver altura), de invulgar planta pentagonal, defendendo o portão principal. O interior desta última, em estilo gótico, é dividido em três pavimentos, com tectos abobadados e fechos ornamentados por escudos com as quinas nacionais. O compartimento superior é iluminado pelas portas que dão acesso a balcões misulados, com matacães. Entre a torre de menagem e o torreão do ângulo leste inscreve-se um balcão ameado, vigiando a entrada principal da praça de armas. Inferiormente, na zona exterior, corre a cerca da barbacã - dispositivo defensivo que une e reforça as muralhas do castelo, igualmente rematadas por maciços merlões com aberturas de troneiras cruzetadas. Apoiam as suas muralhas dois pequenos cubelos circulares, abrindo-se próximo de um deles um pequeno portal de arco em ogiva. A cerca da vila apresentava conformação aproximadamente oval, dela restando, actualmente, apenas pequenos trechos. Nelas se abria a Porta da Vila, próximo à chamada Torre do Relógio”1.
A pequena cidade do Sabugal tem para oferecer ao viajante, este grandioso e singular monumento.
1- Texto integral da Wikipedia
18-10-07
Castelo do Sabugal (MN) (*)- (1ªParte)
Aqui está um robusto castelo com uma torre de menagem de invulgar altura, elegância e formato - a Torre das Cinco Quinas - marca para sempre quem a vê. No entanto todo o conjunto monumental da fortaleza medieva é notável.
O morro onde se implantou o núcleo primitivo do Sabugal, a cavaleiro do rio Côa terá sido habitado por povos primitivos. Ali estiveram de certeza os romanos que provavelmente ocupariam um povoado romanizado.
Nas as obras de reabilitação de um edifício situado no Largo do Castelo foi encontrada uma epígrafe com a seguinte inscrição CRISPIN/VS CRIS/(…) [Crispino, (filho de) Cris (po?) (…)] que nos possibilita identificar o nome de quem terá erigido a ara; esta possui um conjunto de configurações que representam um touro e prováveis diversos utensílios sacrificiais.
O touro era considerado a oferenda por excelência dos sacrifícios na religião romana, tendo sido abundantemente representado em moedas, esculturas, pinturas e baixos-relevos.
No Cabeço das Fráguas (Benespera-Guarda), existe uma epígrafe num rochedo que regista o sacrifício de vários animais, entre eles, o touro, a divindades lusitanas. A pedra encontra-se na a casa onde foi encontrada; no entanto a pedra deveria ser musealizada no próprio museu 1.
“A época da Reconquista cristã da península Ibérica, as terras do Sabugal foram inicialmente conquistadas possivelmente por D. Afonso Henriques (1112-1185) em 1160, vindo a ser perdidas logo após para o reino de Leão.
Em 1190, Afonso IX de Leão criou o Concelho do Sabugal, tendo a vila sido fundada por volta de 1224, época em que foi principiado um reduto defensivo.
Integrante do território de Ribacôa, conquistado a Leão por D. Dinis (1279-1325), recebeu Carta de Foral daquele soberano português em 1296. Entretanto, a sua posse definitiva para Portugal só foi assegurada pelo Tratado de Alcanices em 1297. O soberano, a partir de então, procurou consolidar essas fronteiras, fazendo reedificar o Castelo de Alfaiates, o Castelo de Almeida, o Castelo Bom, o Castelo Melhor, o Castelo Mendo, o Castelo Rodrigo, o Castelo de Pinhel, o Castelo do Sabugal e o Castelo de Vilar Maior.
Iniciam-se, nesse contexto, os trabalhos de ampliação e reforma da sua defesa casteleira, desimpedindo-se o espaço intramuros onde se erguiam algumas casas da povoação e reforçando-se as muralhas que ganharam por dois grandes torreões dominados por uma alta torre de Menagem. As obras, referidas por Rui de Pina (Crónica de D. Dinis), foram concluídas em 1303, sob a direção de Frei Pedro, do Mosteiro de Alcobaça. Credita-se ainda, a este soberano, o estabelecimento, nestes domínios, de um couto de homiziados, privilégio que visava atrair povoadores. Alguns documentos confirmam que este privilégio se encontrava em vigor ainda em fins do século XV.
No reinado de D. Manuel I (1495-1521), o Castelo do Sabugal encontra-se figurado por Duarte de Armas (Livro das Fortalezas, c. 1509), tendo recebido obras de beneficiação, concluídas em 1515, conforme inscrição epigráfica sobre o portão principal. Este soberano condedeu o Foral Novo à vila em 1 de Junho de 1515.
No contexto da Guerra da Restauração, foram procedidas obras de modernização em sua estrutura, bem como posteriormente edificada a chamada Torre do Relógio.
No século XVII aí esteve detido o poeta e cavaleiro Brás Garcia de Mascarenhas, célebre pelas suas aventuras e pelo seu não menos famoso poema épico Viriato Trágico, natural da vila nobre de Avô.
No início do século XIX, no contexto da Guerra Peninsular, aquartelou tropas inglesas e portuguesas que deram combate às tropas napoleônicas em retirada, sob o comando do general André Masséna (Abril de 1811). Posteriormente desguarnecido e abandonado, a sua praça de armas foi utilizada pela população da vila como cemitério, de 1846 a cerca de 1927. Os habitantes, passaram a retirar pedras das muralhas para reutilizá-las em suas construções” (continua)2.
Fontes de Informação:
1- Jornal "A Guarda" da edição de 12-4-207
2- Texto integral da Wikipedia






