30-09-07
Locais Notáveis de Olhão
Panorama do outeiro de São Miguel/Monte Figo/Monte Zéfiro (***)
Centro Educacional Ambiental da Quinta de Marim (Sede do Parque Natural da Ria Formosa) (**)
Ilha da Fuseta - Armona (***)
Panorama da torre sineira da Igreja matriz de Olhão (*)
Outros Locais com Interesse turístico
Igreja Matriz de Moncarrapacho
Retábulo maneirista na igreja da Misericórdia de Moncarrapacho
Museu Paroquial de Moncarrapcho com o presépio napolitano
Arco Cruzeiro da igreja matriz de Quelfes
Antigo mercado municipal de Olhão
24-09-07
Termas do Cró (*) (Sabugal)
Estranho nome este - é possível que "Cró" tenha origem celta, como “Cro-Magnon" (Fr.), e signifique "mina", "gruta".
Desde os tempos remotos que os seres humanos estabelecem uma relação particular com as manifestações subterrâneas; as “águas”, com características físicas e químicas fora do padrão comum, foi atribuída uma proveniência divina, com propriedades terapêuticas que reportam ao mundo do sagrado. O qualificativo de "santa" ou o padroado de uma divindade pagã, de um anjo, de um santo ou de uma santa são muito frequentes no mundo termal. Estas Termas têm também a sua capela, muito singela, de Nossa Senhora dos Milagres (com festa marcada para o mês de Agosto).
É mais que secular o uso destas águas, situadas nas margens da Ribeira do Boi. Foram descobertos vestígios romanos no local, o que pode indiciar o seu aproveitamento neste período. Estas termas já poderiam ser referenciadas na época da romanização pela estâncias de Curo (C’ro), a lembrar a célebre frase latina –curat ut valeas- olha pela tua saúde.
Nos fins do século XVIII sabe-se que uma pessoa importante da Guarda, sofria de certo mal, e que pelo uso continuado desta água, resolveu o seu problema; decidiu mandar construir perto da nascente, duas casas de moradia e uma casa com banheira para poder continuar a tratar-se com maior comodidade. Para completar este primitivo e elementar conjunto termal e cumprir promessas de graças obtidas, mandou também construir uma capela invocando a Nossa Senhora dos Milagres, fazendo depois uma casa para ermitão.
Muitas pessoas mais (as termas eram frequentadas por gentes dos concelhos do Sabugal, Guarda, Penamacor, Almeida, Pinhel, Castelo Rodrigo e até de Espanha), crendo nos milagres da Senhora ou nas virtudes terapêuticas das águas, ali iam todos os anos. Levantavam então barracas, cobertas de colmo.
Só em 1891 se procedeu ao primeiro exame químico das águas do Cró, dizendo-se serem “hipossalinas, sulfúreas, bicarbonatadas sódicas.
Actualmente as Termas do Cró que estão abandonadas há mais de três décadas, estão a ser alvo de estudos para as poder reabilitar. Dos antigos edifícios - balneários e hospedarias - pertencentes a uma ordem religiosa, apenas restam as paredes, tendo em conta que depois do encerramento, os mesmos foram integralmente vandalizados e destruídos.
O processo de recuperação da estância termal, - cujas águas são recomendadas para o tratamento de doenças da pele, estômago, intestinos, reumatismo e do aparelho respiratório - deu os primeiros passos há vários anos, quando a Câmara Municipal do Sabugal adquiriu o alvará.
Actualmente, a título experimental, instalou-se, um pavilhão pré-fabricado, que está equipado com banheiras de hidromassagem, duche de jacto, aparelhos de irrigação nasal e de nebulização.
Serão quatro os conjuntos termais que serão reabilitados no distrito da Guarda: Fonte Santa (Almeida) (*), Longroiva (`*), Cavaca (Aguiar da Beira) e as do Cró, de forma a possibilitar o desenvolvimento local.
Apesar de existir uma exsurgência à superfície, a água para tratamentos está a ser captada a 50 metros de profundidade por quatro furos a 23 ºC, brotando de granitos porfiróides.
A percolação das águas das emergências do Cró está associada a fenómenos tectónicos de grande envergadura. A área de infiltração de águas provenientes de escorrência superficial que servem de alimentação ao aquífero corresponde à grande faixa fracturada de direcção NW-SE que passa junto à Guarda e a cerca de 8 km para oeste do Cró..
Também na Ribeira do Boi, na Vila do Touro, existe uma nascente com características semelhantes, e em que da última vez que lá estive, ainda se observava vestígios das palhotas de colmo dos aquistas do inicio do século XX. Este espaço também poderia ser recuperado e ser interligado com as termas do Cró.
As termas do Cró são um local bastante aprazível, com o pontão da ribeira do Boi, a altivez ruinosa do balneário da estância e a bordejar a ribeira, o belo corredor ripícola de amieiros, freixos e carvalhos; mas é a agua, na sua forma naturalmente incólume, que nos faz sentir bem.
Fonte de Informação: Cavaleiro V.-. (1998) - Estudo hidrogeológico das Termas do Cró. Câmara Municipal do Sabugal.
Castelo do Sabugal (MN) (*)
O castelo do Sabugal, recentemente recuperado, poderá acolher uma exposição histórico-militar, anunciou a autarquia local. Segundo o presidente Manuel Rito, trata-se de uma iniciativa que se destina a «aumentar a oferta turística do concelho», tendo sido pedida colaboração ao Museu Militar nacional para a sua concretização.
O projecto idealizado pelo município prevê que, em todos os espaços cobertos do castelo e nas zonas da alcáçova e descobertas, sejam criados circuitos visitáveis, com armas e modos de vida desde o século XIII ao século XIX. «Haverá seis salas com esse tipo de espólio e circuitos interpretativos no interior da alcáçova e nas alas laterais do castelo, entre a alcáçova e a muralha», indicou o autarca. Os planos de musealização do monumento histórico prevêem ainda o aproveitamento das quatro torres, onde serão criados espaços que darão uma perspectiva ao visitante sobre quatro períodos históricos diferentes, relacionados com o Sabugal e o seu castelo: a fortificação de D. Dinis, as reformas de D. Manuel I, as guerras da Restauração e as Invasões Francesas. Manuel Rito acrescentou que a intervenção contempla igualmente a instalação de um espaço lúdico ao ar livre, com jogos militares para os visitantes.
O edil reconhece que a concretização deste projecto resultará numa mais-valia para o município raiano, pois contribuirá para a divulgação do seu património histórico e cultural. «A atractividade turística que reclamamos para o interior também se faz com a recuperação do património histórico», sustentou. O castelo do Sabugal foi alvo de obras de restauro há cerca de dois anos pela Direcção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais, nomeadamente de consolidação das paredes, limpeza da vegetação e colocação de pavimentos na Torre de Menagem. No interior existe agora um auditório. No entanto, Manuel Rito considera que a intervenção não foi eficaz, registando-se «problemas com a iluminação e o piso que é preciso corrigir», tendo já dado conhecimento da situação àquela entidade.
21-09-07
Centro Urbano Iluminista de Vila Real de Santo António (IIP) (*)- (2ªparte)
Vila Real de Santo António foi construído entre 1774 e 1777, por ordem do Marquês de Pombal junto à foz do Guadiana, para substituir a aldeia piscatória de Santo António de Avenilha, que nos fins do século XVI ou princípios do século XVII fora tragada pelas ondas. O objectivo era o de controlar o comércio neste importante ponto de fronteira e desenvolver as pescas, que mais tarde fariam surgir a indústria conserveira na região. Apesar da localidade ser caótica e disforme, o seu centro histórico não deixa de ser notável, com o traçado geométrico a lembrar a baixa lisboeta. Ao todo são 190 edifícios da época pombalina, alguns ainda originais, todos eles executados com grande elegância e mestria. Pressente-se aqui o sentido do espírito iluminista.
O delineamento da praça, o centro nevrálgico da obra pombalina, deve-se ao arquitecto principal da corte, o capitão Reinaldo Manuel dos Santos. O imponente obelisco, referente ao Rei Dom José, tem a data do ano de 1775, mas só foi exposto ao público a 13 de Maio de 1776.
Todo o conjunto pombalino “…exibe ainda hoje o sereno equilíbrio do seu formulário clássico. Centrado na praça de dimensões quadradas (72,60 X 72,60 m), que inclui a Câmara Municipal e a igreja Matriz, com o pavimento irradiante convergindo no obelisco central, e moldurado pelos 4 torreões nos seus extremos. Igualmente a frente marginal deste conjunto, deitando sobre o Guadiana, apresenta a série de frentes de quarteirão de coberturas simples amansardadas, com uma construção elementar mas de uma monumentalidade obtida pelo conjunto, que remata em dois torreões, a norte e a sul, ligeira e subtilmente sobreelevados, de cobertura tipo pombalina (duas águas desiguais). O torreão Sul, recuperado recentemente, alberga o arquivo histórico”. 2
A doca de recreio, virada para o rio Guadiana, com as embarcações garridas, apesar de nos turvar a paisagem, não deixa de ser uma obra importante para a região, e só por isso compreensível.
O espírito construtivo dos portugueses é notável, quando bem presididos e se tivéssemos tido um ror de bons dirigentes recentes, Portugal estaria mais próspero e menos injusto. Citando o nosso maior poeta " um fraco rei, faz fraca a forte gente” mas dêem-me autorização para adaptar a frase ao meu conceito de mundo – um forte Rei torna forte a fraca gente.
As palavras do obelisco fazem-nos compreender o sentimento do rei absoluto para com os seus vassalos e lembrar aos políticos actuais que o objectivo final de uma boa governação é o da “felicidade pública”, presente e futura.
O Marques ficaria aterrado com a cidade, em que se transformou Vila Real Real de Santo António, e ainda para mais se visse a Câmara Municipal desmantelada…haja esperança na obra da sua requalificação.
Lembremos as palavras do primeiro viajante atento e aplicamo-las às obras do Marquês: “Que as obras dos Homens e os seus feitos memoráveis não caiam nunca no esquecimento”; assim escreveu Heródoto no preâmbulo das suas (nossas) histórias.
Fonte de Informação: 2- Fernandes, José Manuel; Janeiro, Ana- Arquitectura no Algarve dos primórdios à actualidade, uma leitura de síntese, CCDRAlg, 2005
08-09-07
Centro urbano iluminista de Vila Real de Santo António (IIP) (*)- (1ª parte)
A EL REY D JOSÉ I
AUGUSTO INVICTO PIO
RESTAURADOR
DOS ARTISTAS DAS LETRAS
DO COMMERCIO DA AGRICULTURA
REPARADOR
DA GLORIA E FELICIDADES PUBLICA
CLEMENTISSIMO PAI DOS SEUS VASSALOS
PROTECTOR DA INNOCENCIA
VINGADOR SUPREMO DA OPPRESSAÕ
CONSERVADOR DA PAZ PUBLICA
E INIMIGO DA DISCORDIA
O COMMERCIO DAS PESCARIAS
DESTA VILLA REAL DE S. ANTONIO
LEVANTADA EM CINCO MEZES PELAS
SUAS REAES PROVIDENCIAS E DECRETOS
QUE COM TODO OZELLO EXECUTOU
O MARQUEZ DE POMBAL,
DA INUNDAÇAÕ DO OCEANO EMQUE
SECULOS ANTES ESTEVE SUBMERGIDAERIGIO ESTE OBELISCO
PARA PERPETUO PADRAÕ DOSEU
HUMILDE E IMMORTAL RECONHECIM
ANNO DE 1775
Nota - Citação do obelisco da Praça do Marquês de Pombal em Vila Real de Santo António
“Fundada entre 1774 e 1776 por expressa vontade do Marquês de Pombal para centro das Reais Pescarias do Algarve, Vila Real de Santo António é a principal jóia representativa da arquitectura pombalina do século XVIII português.
Criada “ex-nihilo”, isto é, a partir do zero, Vila Real de Santo António surge-nos como uma urbe nascida do alto, por vontade e artifício do poder.
Antes do lançamento da primeira pedra tudo era um ermo. Os treze mil e quinhentos metros cúbicos de aterros para escoamento das águas pluviais irão calibrar o terreno onde a futura povoação se há-de erigir, no local denominado Barranco.
Santo António de Arenilha, uma bem provável póvoa marítima medieval que D. Manuel I promovera a vila por volta de 1513, já havia sido tragada pelas águas do oceano ao finalizar a centúria de seiscentos, deixando “ipso facto” um vazio populacional ainda maior face a Espanha.
Cacela, anterior sede do concelho, despovoara-se paulatinamente, habitando os seus moradores por quintas e fazendas.
Monte Gordo, entretanto, atraíra grande número de catalães, maiorquinos, andaluzes e outros estrangeiros que, exercendo aí uma sazonal mas desenfreada actividade piscatória, haviam-se apropriado das riquezas dos seus mares, fugindo ao fisco quanto podiam.
Castro Marim, após as Guerras da Restauração, perde a importância militar e “desactiva” o estatuto de principal praça forte do Algarve. Este é o cenário à entrada do último quartel do Século das Luzes.
E, se a ele aduzirmos o marasmo a que chegara a actividade agrícola, o incipiente comércio efectuado por nacionais agora na completa dependência de súbditos ingleses, e a impossibilidade de obstaculizar o desmedido contrabando que esta zona fronteiriça albergava, numa época em que as remessas de ouro do Brasil se contraiam cada vez mais, teremos focado os principais motivos que impeliram Sebastião José de Carvalho e Melo a mandar edificar a nova “Vila Rial”.
A razão principal da construção da urbe é, assim, a erecção da Alfândega (então retirada a Castro Marim). Ela é símbolo da potestade pombalina. Aqui começava terra portuguesa, logo aqui se cobrariam os réditos do pescado retirado às águas de Monte Gordo.
A traça urbanística, que tem a sua expressão máxima na antiga Praça Real (que hoje leva o nome do Marquês) e nas ruas circundantes, faz de Vila Real de Santo António um paradigma do urbanismo e arquitectura do período iluminista”.
Fonte de Informação: Texto integral do site Minha Terra
07-09-07
Painéis de Azulejo da Estação de Caminho de Ferro de Vilar Formoso (Almeida) (*)
A estação do Caminho de Ferro de Vilar Formoso, foi inaugurada em 3 de Agosto de 1882 pela família Real- o rei D.Luís, a rainha D.Maria Pia e o príncipe D.Carlos, em conjunto com a linha da Beira Alta que, vinda da Pampilhosa, ali desembocava. Deve ter sido um dia muito festivo para os povos raianos, que olhariam o futuro com esperança - afinal de contas, passado 125 anos a Beira Interior não desenvolveu e continua agonizante – “apesar da crueza dos factos, as sonoras locomotivas a vapor, possibilitaram algum progresso comercial a Vilar Formoso - surgiram as pensões, casas de pasto, boticas, depósitos de recolha e despacho de mercadorias. Instalou-se uma alfândega de primeira classe e uma secção fiscal. Instalaram-se funcionários públicos, pois a fronteira significou burocracia no controlo de passageiros, revisão de bagagens e cobrança de taxas. De repente o anónimo lugarejo acordou como categorizado entreposto comercial e administrativo, vendo perdida a aquietação habitual.
Agora os automóveis passam céleres pelo asfalto da A25, Vilar Formoso é por isso um povoado ferido pelas mudanças ditadas pela União Europeia e pelo acordo de Schengem. Sem fronteira não há despachos, conferências, taxas e coimas a aplicar. Escoou-se a necessidade de pernoitar e alimentar na Vila.
Na sua demanda a Espanha, ou na sua vinda, se tiver algum tempo disponível, visite a estação de caminho de ferro, e deixe-se encantar com a imponência do edifício e os painéis de azulejo embutidos nas paredes (*). É um dos mais belos conjuntos azulejares portugueses do século XX, representam paisagens típicas e alguns dos mais belos monumentos de portugueses (Mosteiro da Batalha, Alcobaça, Sé Velha de Coimbra, Sé da Guarda, igreja da misericórdia de Mangualde, …). Foram executados na fábrica viúva Lamego, Lisboa, em meados do século XX.
São contudo de valor desigual e de autores diferentes. Belíssimos e monumentais, são por exemplo, os painéis dos lavabos, que retratam os banhistas na praia da Figueira da Foz; infelizmente atenuados, por não estarem na zona nobre da estação e à sua frente terem feito a construção de um edifício sem nexo. Alguns azulejos são atribuidos a João Alves de Sá (não sei se são o melhor ou o pior conjunto de azulejos!).
Aqui trabalhou Júlio Resende, em 1958, no início da sua carreira, um dos maiores pintores portugueses - o mesmo que, por exemplo, elaborou a “Ribeira Negra” (1986) (*) no Centro Histórico do Porto (*****)- os seus painéis, entretanto desaparecidos, deveriam ser restaurados, de acordo com o parecer e gosto do mestre, o que tornaria Vilar Formoso mais apelativo.
Estas representações azulejares, pintadas durante o século XX, nesta e noutras dezenas de estações de caminho de ferro do País, associavam-se à apologia propagandística do Estado Novo que pretendia afirmar-se nos arquétipos da identidade e valores nacionais- os painéis davam (dão) aos visitantes noções básicas do que poderá visitar em Portugal e também representavam o labor agrícola do povo. Enfim, são bons anúncios turísticos feitos, em muitos casos, com mestria.
Épocas marcantes em Vilar Formoso são as levas da 2ª Guerra Mundial, quando os comboios se dirigiam para a Espanha ou vinham com refugiados (terão passado por aqui centenas de Judeus salvos por Aristides Sousa Mendes). Já nos anos do último quartel do século XX a vaga migratória nacional tem como referência a estação e o nome de Vilar Formoso como símbolo de um último adeus à terra pátria.
Visite a Estação de caminhos de Ferro de Vilar Formoso e reflicta na beleza que é Portugal - um verdadeiro Éden à espera que os Portugueses elaborem o seu Paraíso terreal.









