Portugal Notável

Valor Universal (*****) Muito Notável (***) Notável (*)

05-07-07

HPIM3659

Locais Notáveis do Concelho de Oliveira do Hospital

Panorama do Monte Colcorinho (Capela da Nossa Senhora das Necessidades) (***)

Igreja matriz  de São Pedro de Lourosa (MN) (**)

Ruínas romanas da Bobadela (MN) (**)

Capela dos Ferreiros, anexa à Igreja matriz de Oliveira do Hospital (MN) (*)

Santuário da Nossa Senhora das Preces em Aldeia das Dez (*)

Vales dos rios Alva e Alvôco (*)

Vila Histórica de Avô (onde se inclui o panorama das Varandas de Avô) (IIP) (*)

Lagaretas da Sobreda (*)

Estalagem de Santa Bárbara na Póvoa de S. Cosme  (IIP) (*)

Ponte Medieval de Alvôco das Varzeas (IIP) (*)

Palheiras de Fiais da Beira (*)

Anta da Arcaínha (IIP) (Seixo da Beira) (*)

Outros locais com interesse turístico

Igreja de Travanca de Lagos (IIP)

Penedo dos Três Pezinhos

Igreja paroquial de Santo André do Ervedal da Beira

Solar dos Viscondes do Ervedal da Beira (IIP)

Ponte Românica em Vale de Negros (Ervedal da Beira)

Panorama da capela da Nossa Senhora da Boa Viagem no Ervedal da Beira

Castro do Vieiro

Aldeia abandonada do Vieiro

Anta da Cavada (Fiais da Beira)

Casa dos Mouros/Casa do Penedo (VC) (Nogueira do Cravo)

Tileira classificada no Adro da Igreja matriz de Oliveira do Hospital

Parque do Mandanelho em Oliveira do Hospital

Senhor das Almas

Casa Museu Cabral Metelo em Oliveira do Hospital

Pousada do Convento do Desagravo (Vila Pouca da Beira)

Panorama da estrada Ponte das Três Entradas-Aldeia das Dez

Anta do Pinheiro dos Abraços (IIP) (Bobadela)

Igreja Paroquial de São Gião

Anta de Curral dos Mouros (IIP) (Sobreda)

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03-07-07

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Espaço sagrado de  São Pedro de Vir-a-Corça-Monsanto (IIP) (Idanha-à-Nova)-(2ªParte)- (**)

O topónimo do local está relacionado com a lenda da criança salva pelo demónio por Santo Amador, que ali se refugiava do mundo, e que a amamentou com leite de corça quatro vezes ao dia.

Na tradição popular, São Pedro é transformado em eremita. Assim se compreende que uma das mais lindas ermidas, numa das mais lindas paisagens, seja dedicada a São Pedro. Será São Pedro o Santo Amador?

A corça é consagrada a Diana (Artémis grega), a rainha dos bosques, que percorre todos os recantos dos prados, montes e vales. Diana era cultuada em templos rústicos nas florestas, como este, onde os caçadores lhe ofereciam sacrifícios.

Também associo Flidias ao local,  a Deusa celta da Sensualidade e Senhora das Florestas- portanto sua protectora. Um dos símbolos dos seus é a...corça.

Além de sua graça e beleza, a corça simboliza a virgindade e pureza. Flidias tinha também como símbolos, a erva, as árvores e as nascentes, possuía ainda uma vaca (?) mágica cujo leite era capaz de alimentar diariamente centenas de guerreiros durante as guerras celtas.

Vem-me ainda à memória Sertório, que se fazia acompanhar por uma corça branca que lhe segredava instruções militares. Se trocarmos as palavras temos: Corça vira São Pedro, ou seja o culto da Corça vira o culto de São Pedro- mera divagação de Paulo Loução?   

Desculpe-me o leitor mais erudito na minha tentativa vã de estabelecer nexos onde eles provavelmente não existem, mas é para aqui que dá a minha imaginação e quando escrevo não posso deixar de ser eu. 

Se do culto das pedras (loca sacra) já falamos, resta falar do culto da água. Existia no local uma nascente de água termal, a que a tradição atribui propriedades milagrosas, desapareceram (?) com o terramoto de 1755, o que nos leva a pensar em importante fractura geológica activa! Mas paremos de especular que da geologia de Monsanto pouco sei; certo, certo é que por aqui também ocorreu o culto da água medicinal. Tenho que tentar vislumbrar nas rochas (pedras?) resquícios desta mítica e desaparecida fonte e, se tal for possível, indagar as suas características.    

Espaço estranho, é aquela clareira, rodeada por fraguedo granítico, onde se entra por átrio monumental, no centro restos de fogueira, cruzes, ramos de maias entrelaçadas, lembro que São Pedro de Vir-a-Corça é hoje visitado por “druidas” modernos, que vem de todo o mundo, á procura da litoratria e da hidrolatria (ignorada), em comunhão com o recém (!) espaço cristão. Sentado no solo da clareira à espera que por detrás de um penhasco apareça Diana, também me contentava com Flídias.

Este espaço, com os sons da natureza, o verde, Diana, Flídias, o gigantesco caos de blocos, a capela românica, as estranhas tinas, tafonis, e o sombreado do maravilhosos chaparral, convida-nos à introspecção e para os crentes no além, em sentido lato, numa experiência religiosa única.

Termino com a frase de Maria Adelaide Neto Salvado.

Em São Pedro de Vir-a-Corça perdura, dum modo diríamos palpável, o espírito do lugar, o geniu loci, que conferiu a este lugar a particularidade de Santuário, pois aí se respira hoje, muito densamente, esse sentimento do Sagrado.”

PEREIRA, Paulo – Enigmas Lugares Mágicos de Portugal. Templários e Templarismo. Vol V III , Círculo de Leitores, 2005.

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01-07-07

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Espaço sagrado de  São Pedro de Vir-a-Corça-Monsanto (IIP) (Idanha-à-Nova)-(1ª Parte)-(**)

No sopé da encosta escarpada sobre a qual se ergue a Aldeia Histórica de Monsanto (***) encontra-se a Ermida de São Pedro de Vir/Ver-a-Corça, completamente isolada num bosque de sobreiros e rodeada por colossos blocos graníticos dispostos caoticamente -terá aqui o caos uma razão para existir? Fico a aguardar a sua resposta!

Poderíamos incluir o local como fazendo parte do conjunto histórico, “mistérico” e de beleza impar que é o Mons Sanctus - uma das mais belas aldeias europeias. Mas a aldeia está lá em cima, erguida no topo de uma imponente inselberge granítico com 758 metros de altitude, que declina em escarpa abrupta em cerca de 300 m para o lugar que agora visitamos; e eu estou cá em baixo, a olhar embevecido para esta impressionante fortaleza medieval, que daqui, parece uma construção mágica associada aos gigantes dos romances de cavalaria.

O lugar é esplêndido, marcado pela arquitectura rude e singela, mas inesperada, daquela capela românica, pelo bosque sublime e também pelas enormes fragas boleadas que ampliam a monumentalidade do lugar e a fusão entre a natureza e o sagrado.

A igreja, que se constitui desde cedo como local de romaria e de feira, pelo menos desde os finais do século XIII (Dom Dinis concede carta de feira em 1308, consagrando provavelmente um uso existente), foi fundada entre os séculos XII e XIII de veneração associada ao São Pedro. Em 1613 constituir-se-á mesmo uma irmandade de São Pedro. Possui planta rectangular, com três naves definidas por quatro colunas jónicas, duas de cada lado e com abside e absidíolos rectangulares, denunciados volumetricamente pelo exterior.

Na fachada uma  rosácea emoldurada por motivos geométricos com quadrifólio central e 8 arcos trilobados radiais. A norte, encostada a capela, existem sepulturas medievais cavadas na rocha.

A torre sineira defronte, em arco de volta perfeita, sobrepuja-se a grande bola granítica. Ao lado, numa reentrância erosiva, aponta-se o local de uma gruta eremítica. Por cima grandes tanques, que poderão ser lagaretas ou tanques de ablução a deuses pré-históricos.

Alguns destes pios espalham-se pelos afloramentos, alguns isolados outros conjugados, em depressões circulares ou poligonais decimétricas de origem antropormófica, alguns com cruzes gravadas (a posterior sacralização objecto pagão?); outros são claros tafonis, que poderão ter tido utilização.

Podermos estar em presença de algo semelhante ao santuário de Panóias (***)? Ou serão simples tanques (reu)tilizados de apoio à feria medieval?

Quantidades imensas de cerâmica comum, prendem-se aos nossos pés arrastados, prováveis resto de utensílios usados para transporte dos produtos dos feirantes.

Em muitos casos, este geólogo, não destrinça aquilo que foi feito por mão humana daquilo que foi operado pelo alargamento natural de fracturas pela água, o “nosso” grande escultor!

Apetece-me brincar aos ermitas, esconder-me nestes estreitos antros naturais (alguns afeiçoados) como o nosso anacoreta Amador, e ficar aqui para sempre afastados da espuma dos dias de hoje (Continua).

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